A BIBLIOTECA DO MACUA

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LIVROS & AUTORES QUE A MOÇAMBIQUE DIZEM RESPEITO



RUY GUERRA



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Ruy Guerra nasceu em Moçambique e reside no Brasil desde 1958, com prolongadas estadias na França, Espanha, Portugal, Grécia e Cuba.
Tem duas filhas, Dandara e Janaína e é casado com a artista cubana Leonor Arocha.
Cineasta. Foi um dos fundadores do Cinema Novo.
É também letrista em parceria com Chico Buarque, Francis Hime, Edu Lobo e outros.
Desde 1993 publica semanalmente suas crónicas em "O Estado de S. Paulo."


Estas crónicas são como um filme do cineasta Ruy Guerra: mostram paisagens, situações, enredos. Um jeito sólido e único de revelar o mundo.
Estas crónicas, como as letras que o poeta Ruy Guerra escreveu para muitas canções, estão impregnadas de atmosferas, imagens, esperanças, nostalgias.
Do homem que matou Corisco ao pai descobrindo a capacidade da filha para desmontar o mundo dos adultos, da coragem dos poetas à memória do cheiro de manga, do trenzinho de um certo general à ampla solidão mostra da por uma certa janela, este livro - espécie de diário de bordo - traz a palavra e o olhar de quem é testemunha e participante deste nosso tempo. Ruy Guerra, às vezes perplexo, às vezes cheio de assombro, às vezes cheio de indignação, percorre os quatro cantos do mundo buscando a certeza de que cada ser humano traz dentro de si a capacidade de fazer sua própria história.
Estas crónicas são como um filme, como uma letra de canção, como as memórias de um viajante incansável e sem remédio.

Éric Nepomuceno


RUY  GUERRA

  Ruy Guerra, meu parceiro de canções, de peça de teatro, de roteiro de cinema, de mil projetos engatilhados, engavetados. Meu diretor de show, meu beque de roça, meu feroz adversário no ténis, meu parceiro de teco-teco, jipe, lombo de mula, na praia e na montanha. Meu mestre em informática, dietética, estatísticas, vampirismo, tauromaquia, entomologia e charutos.
  "Alguém em trânsito", declara-se Ruy Guerra, e já o revejo com a bolsa de couro a tiracolo, em Lisboa, em Luanda, em Havana, em Paris, em Barcelona, em cidades onde o encontrei falando variadas línguas com o mesmo sotaque. E por estar em quase permanente trânsito, em qualquer parte Ruy Guerra parece ser de casa. Emigrante sim, "como todo português", mas não exilado (Stefan Zweig dizia do exílio que é como viver deslocado de seu eixo de gravidade).
Ruy Guerra, sempre avesso a nostalgias, relata numa de suas crónicas o seu retorno a Moçambique depois de vinte e cinco anos. De visita à casa onde costumava passar as férias com a família, no interior do país, depara com as macieiras, cerejeiras, amendoeiras, cujas mudas o pai mandara buscar de navio em Portugal. "Continuavam lá, atrofiadas árvores inadaptadas, miúdas, mesquinhas, mirradas, iguais a quando eu as deixara pela última vez, e já então motivo de chacota da minha parte..." Naquele sítio, fronteira com o reino da Swazilândia, reencontra também uma relíquia infantil: as aventuras de Tarzan, o Rei das Selvas, em edição importada de além-mar.
  Nómade porque cineasta, ou provavelmente vice-versa, Ruy nos fala de uma entrevista em Jeremoabo, outra em Pigalle, um contrato no Japão, circunstâncias preliminares de seus filmes. Fala de gente de cinema com quem andou cruzando, e a princípio achei curioso que não se referisse às suas próprias filmagens, bastidores, atores que dirigiu. Pudor? Depois lembrei-me de tê-lo visto em ação, varando a noite num set, possuído, fora do mundo. Imagino que, concluído um filme, aquelas madrugadas para ele deixem de existir, como os sonhos que ele jamais recorda.
  As reminiscências, o cotidiano, o noticiário e a interpretação dos acontecimentos políticos estão nas crónicas de Ruy Guerra. E também a falta de assunto, à Ia Rubem Braga, referência obrigatória neste género literário. Ler "Vinte Navios", para mim, foi reviver uma amizade de mais de trinta anos. Uma afinidade que não se esgota, talvez porque ele seja um papo universal, e eu um especialista em silêncio. Para quem não conhece o gajo, vai neste livro uma amostra, contendo pulgas e coronéis, indignações e amenidades, aviões e calmantes, Vargas Llosa e Garcia Márquez, Fidel Castro e Juscelino, Monica Vitti e seus spaghetti, mais Janaina e Dandara e charutos.
Chico Buarque
maio de 96


Transcorria o ano de 1993, o Jornal "O Estado de S. Paulo" acelerava seu processo de modernização editorial, quando o escritor Mário Prata, contratado não havia muito tempo, entrou na minha sala, e, antes mesmo de me cumprimentar, foi logo dizendo: "por que não Ruy Guerra?"
Pratinha sabia que, àquela época, o jornal estava à procura de bons cronistas para que, espalhados pelo jornal, abrissem, espaços nos quais o leitor pudesse relaxar e respirar entre o inevitavelmente pesado noticiário do dia a dia.
Esse moçambicano de voz macia, de leve sotaque português e maneiroso como um bom carioca é um respeitado cineasta e um competente letrista.
Agora, quase três anos depois, Ruy Guerra se consolida
como um dos melhores textos do jornal. Não me surpreende.
Aluizio Maranhão


ALGUNS TEXTOS



Esta janela
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Edição de 1996

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