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LIVROS & AUTORES QUE A MOÇAMBIQUE DIZEM RESPEITO
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BREVE BIOGRAFIA
ANABELA MÁXIMO DE SOUSA E SOUSA PASSOS é professora do 1.° ciclo em
Lisboa. Interessada desde sempre pela literatura infantil, entre outros textos que escreveu, o livro
publicado agora pelo Instituto Piaget, NUMA PONTA DO ARCO-IRIS, foi distinguido com uma menção honrosa
no concurso do Prémio de Poesia e Ficção de Almada 2002.
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Cirila é uma menina que vive na Idade Média. Ela perde os pais e é obrigada a ir viver com
o tio, o irmão do pai. Cirila vê-se envolvida numa aventura, ' incübida pelo tio, que às portas da morte
lhe pede para descobrir o tesouro da família, enterrado algures perto da casa. Numa ponta do Arco-íris.
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Cirila estava cansada. Quando ela e Vicente, um dos criados de Dom Afonso, saíram de sua casa,
o sol, lá no alto, ainda era pequeno e amarelo. Agora, tinha baixado, estava maior e laranja,
querendo desaparecer no horizonte. E isso dizia-lhe que já estavam a andar há bastante
tempo. - Dom Afonso não pôde emprestar a carroça. Foi precisa para carregar lenha para a lareira
- dissera o criado - A égua está à espera de cria e a mula está muito velha. Vicente veio buscar
Cirila a mando do seu senhor quando este soube que a sua cunhada, mãe de Cirila, tinha morrido.
Em seis meses, as suas duas irmãs, o pai e a mãe adoeceram e morreram. E ninguém soube explicar
como e porquê. A não ser o padre lá do sítio que disse que tinha sido a vontade de Deus. Naquela
altura, na Idade Média, as pessoas adoeciam e morriam com frequência e pouco se sabia acerca das
doenças. Cirila gostava de Dom Afonso que era uma visita assídua de sua casa, pernoitando lá
várias vezes, quando se afastava um pouco mais por essas florestas para caçar lebres, faisões
e perdizes, deixando sempre para o irmão metade da caça. Algumas vezes, durante a caminhada, Vicente
achou que para chegarem mais depressa ao destino, podiam fugir ao caminho de terra batida cheio
de altos e baixos e, assim, atravessar alguns campos de trigo onde algumas papoilas vermelhinhas
apareciam aqui e acolá, esquecendo-se que, segundo o provérbio popular, quem se mete por atalhos,
mete-se em trabalhos. Cirila tinha fome. O bocadinho de pão que a sua vizinha dera para a
viagem acabara num instante. Ela sabia que Vicente tinha qualquer coisa dentro da sacola - um
homem não se mete à estrada assim sem mais nem menos, de trouxa vazia - mas não se atrevia a pedir.
Era a primeira vez que Cirila se afastava tanto do lugar onde tinha nascido. Não fazia ideia
que o mundo era tão grande. Percorrido a pé então parecia nunca mais acabar. Quando a
casa de Dom Afonso apareceu ao longe, o sovina do Vicente principiou a dizer que o melhor seria
alargarem o passo pois nessa noite começava a lua cheia e podiam dar de caras com algum lobisomem
ou coisa parecida. Cirila arrastava o passo. A sua trouxa de serapilheira, contendo a sua pouca
roupa pesava-lhe toneladas no ombro e nem a visão da casa a aumentar de tamanho, à medida que se
aproximavam, lhe dava ânimo para continuar a marcha. Porém, ao ouvir o nome de tal criatura - o
lobisomem- nurn instante endireitou as costas, deu novo alento às pernas, e num instante ultrapassou
aquele unha de fome que se recusava a partilhar um bocado de côdea com ela, e que além de sovina
também era medricas. Ele sim! É que parecia um lobisomem com aquele cabelo desgrenhado, os dentes
esverdeados e aquele hálito fedorento que lembrava peixe podre, deixando-a quase moribunda sempre
que se virava na sua direcção para lhe proferir alguma sentença. Ela não sabia como era um lobisomem.
Durante os seus catorze anos nunca tinha visto nenhum, felizmente! Mas pelas histórias que já tinha
ouvido contar, vezes sem conta, imaginava de sobra e sem ponta de dúvida, como seria a figura desse
homem transformado em lobo que, errando pelos campos, atacava pessoas e animais.
(Continua)
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