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Encontrará aqui biografias, não só de artistas, como dos principais grupos musicais portugueses, ordenados
pela primeira letra porque são conhecidos.
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Para aqueles que têm páginas próprias, ficará também o link para elas.
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Se lhe falarmos do saxofonista e flautista João Ramos Jorge, com certeza que não reconhecerá o nome.
Mas se dissermos que se trata de Rão Kyao, identificará logo o músico de jazz que, durante a década de
80, se transformou num dos maiores vendedores de discos em território português. O nome Rão Kyao,
adoptado em 1975 pelo músico, é proveniente do seu fascínio pela cultura e mística orientais (nascido
na sua infância vivida parcialmente em Macau, onde o pai, militar de carreira, estava em serviço). Antigo
aluno do Colégio Militar, Rão Kyao optou pelo sax tenor, estreando-se em público com apenas 19 anos e
tornando-se assíduo frequentador das noites de jazz do Hot-Clube. Presença regular como músico pelos
clubes lisboetas dedicados ao género, muito cedo começou a tocar pelo estrangeiro, nomeadamente Espanha,
Holanda, Dinamarca e França, país onde se instala durante dois anos para fugir à guerra colonial, regressando
apenas depois do 25 de Abril. Não lhe foi fácil impor a sua decisão de carreira; havia muito poucos
músicos como ele a optar pelo jazz e o público preferia os músicos estrangeiros. Mas a sua insistência
haveria de ser recompensada, pois será o primeiro músico português a gravar jazz em Portugal para um
público português: Malpertuis (1976) é só por isso um marco histórico da música nacional. Se o grande
público se mantém relativamente distante do jazz, os conhecedores não poupam elogios ao saxofonista,
e este não se queda pelos louros já obtidos, procurando levar a linguagem jazzística mais longe, ao mesmo
tempo que explora as possibilidades de encontro entre as culturas europeia e oriental. O segundo LP,
Bambu (1977), inicia o seu interesse pelas flautas de bambu, e o terceiro, Goa (1979), reflecte uma longa
estada na índia durante o qual Rão Kyao se dedicou ao estudo da música indiana e da flauta bansuri. Esse
interesse é levado à sua conclusão lógica em Ritual (1981), disco onde grava com músicos indianos. Mas,
como se sabe, o esoterismo e as vendas não são bons companheiros, e estes discos aclamados pelos críticos
não obtiveram repercussão de público. Ao mudar de editora em 1982, Rão Kyao decide igualmente dar
uma viragem substancial na sua música, e, prosseguindo o seu interesse pelo choque entre universos culturais
distintos, pega no saxofone para interpretar fados clássicos acompanhado pelos guitarristas de fado António
Chainho e José Maria Nóbrega. O álbum resultante, Fado Bailado, é um estrondoso e surpreendente sucesso
comercial, atingindo o Disco de Platina, e o início de uma nova fase da carreira do músico, ao mesmo
tempo que ajuda a acordar o fado para toda uma nova geração de ouvintes. A liberdade criativa que
o êxito possibilita ao saxofonista resulta numa validação do seu interesse pelas flautas de bambu, às
quais regressará definitivamente em 1984 com a edição de Estrada da Luz. Neste disco onde regressa a
influência da composição tradicional indiana, Rão explora uma sonoridade instrumental fácil e acessível
que alguns aparentam à new-age que começava a surgir proveniente dos EUA e outros à música ligeira de
nomes como Zamfir. Independentemente da classificação, é uma sonoridade que cativa a atenção do público:
Estrada da Luz repete o Disco de Platina e Rão Kyao prosseguirá nesta senda de música instrumental universalista,
de maior ou menor pendor orientalizado mas sempre com a flauta de bambu como instrumento primordial,
com os álbuns seguintes: Oásis (1985), Danças de Rua (1987), Viagens na Minha Terra (1989), Delírios
Ibéricos (1992), gravado com o grupo espanhol Ketama, e Águas Livres (1994). Contudo, o sucesso vai
lentamente erodindo, e o seu regresso ao saxofone para um Fado Bailado Ao Vivo (1997) passa já relativamente
despercebido, como aliás o álbum Navegantes (1998). À beira do século XXI, é o Oriente que volta a
dar novas pistas de carreira a Rão Kyao, ao realizar com a Orquestra Sinfónica de Macau o álbum Junção
(1999), disco onde retoma as pistas de um trabalho realizado em 1984 a pedido do governo de Macau, pensado
como um relato da presença portuguesa naquele território. Desta vez, aproveitando a devolução de Macau
à China e o convite para escrever o hino oficial da cerimónia de restituição, o músico construiu uma
suite quase sinfónica onde os universos da música erudita e popular, tanto ocidental como oriental, se
cruzam.
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