Se o fado foi, durante as décadas de trinta, quarenta e cinquenta, a verdadeira canção popular de Lisboa,
muitas das tradições e locais que o ajudaram a perpetuar desapareceram e estão hoje perdidos no tempo.
Razão mais que suficiente para recordar algumas delas, neste pequeno glossário que pretende rapidamente
defini-las.
CASAS DE FADO Não se trata, ainda, daquilo que hoje conhecemos como "casa
de fado". No século XIX a expressão tinha uma conotação negativa, dada a relação do fado com a má-vida,
a marginalidade e a prostituição, e referia-se a um bordel ou casa de passe, confinadas a bairros específicos
como Alfama ou Mouraria. Progressivamente, contudo, passará a designar casas de espectáculo vocacionadas
especificamente para a apresentação séria de música de fado, muitas das quais propriedade de nomes célebres
do género e situadas geralmente no Bairro Alto. Aproveitadas igualmente pelo regime salazarista para
efeitos turísticos, as primeiras casas de fado datam de 1938 (Adega Mesquita), 1939 (Adega Machado) e
1940 (Luso), numa vocação que se irá institucionalizar progressivamente num circuito muito específico
e profissional que agregará à sua volta os melhores cantores e cantoras de fado.
CEGADAS Sob
esta designação escondiam-se folias carnavalescas realizadas por grandes grupos de homens que corriam
a cidade cantando e fazendo diabruras.
HORTAS Por este nome se definiam os perímetros
rurais da cidade de Lisboa, para onde aos fins-de-semana os citadinos iam retemperar os pulmões e passar
alguns momentos aprazíveis com as famílias (por ex. Estrada de Benfica, Calçada de Carriche, etc.).
RETIROS Se forem retiros das hortas, tratava-se de restaurantes e casas de pasto, com esplanadas
e áreas de espectáculo, para onde os lisboetas se deslocavam ao fim-de-semana. Para manter a clientela,
não se limitavam a servir comidas e bebidas, com os fadistas e cantadores a tornarem-se atracções especialmente
concorridas. Se forem apenas retiros, significa outra designação para casa de fados, na acepção moderna
da palavra.
VERBENAS Espectáculos de amadores, realizados durante a tarde, muitas vezes
em associações ou colectividades de bairro, que ajudavam muitas vezes à revelação de talentos.
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Notas: - Os elementos aqui apresentados foram retiraddos dos portofólios dos Cd's, de revistas
e jornais vários, bem como, e principalmente, da Colecção Inesquecíveis, da Editora Planeta de Agostini.
- As minhas desculpas por qualquer erro ortográfico. - Agradecido a quem me queira mandar actualizações
ou correcções.