

|
Encontrará aqui biografias, não só de artistas, como dos principais grupos musicais portugueses, ordenados
pela primeira letra porque são conhecidos.
|

|
Para aqueles que têm páginas próprias, ficará também o link para elas.
|





Todos o conhecem de êxitos como Deixa-me Rir, Onde Estás Tu Mamã? (Canção de Lisboa) ou Bairro do Amor.
Todos reconhecem o seu ar desgrenhado e a sua voz rouca. Mas poucos sabem que Jorge Palma tem uma carreira
longa de 30 anos, que abrangeu o rock e a música de rua, e que a popularidade das suas canções só há
bem pouco tempo começou a ter equivalência em vendas. Pianista desde muito novo, começou a ter aulas
de piano com apenas seis anos e chegou inclusivamente a ganhar prémios em concursos internacionais. Palma
sentiu sempre o apelo da aventura, que o levaria a viajar por todo o país no final dos anos 60 tentando
sobreviver como músico itinerante. A sua primeira experiência profissional foi como teclista e cantor
dos Sindikato, grupo rock que existiu de 1969 a 1971, com ambições a ser uma espécie de Blood Sweat &
Tears portugueses, para o que muito contribuiu a inclusão de uma secção de metais da qual fazia parte
Rão Kyao. O facto dos Sindikato terem de coordenar uma série tão diferente de sonoridades inspirará Palma
a trabalhar como arranjador, carreira que o ajudará a sobreviver durante parte da década de setenta,
ao regressar, depois do 25 de Abril, de uma estadia de um ano na Dinamarca para evitar a chamada à guerra
colonial. O seu primeiro álbum, Com uma Viagem na Palma da Mão (1975), passa relativamente despercebido,
tal como o segundo, Té Já (1977). Na sequência de problemas de saúde, parte de novo à aventura, tocando
nas ruas de Espanha e nos metros de Paris. De passagem por Portugal, regista um disco ironicamente fascinado
pelo bluegrass e pela countiy americana, Qualquer Coisa pá Música (1979), e só em 1981 regressa definitivamente
ao seu país natal, cansado das suas viagens e da sua sobrevivência precária, e disposto a assentar e
lançar as raízes de uma carreira sólida. O primeiro passo, contudo, não é particularmente auspicioso.
O duplo-álbum Acto Contínuo (1982) era um disco ambicioso previsto para ser gravado ao vivo durante um
concerto único, mas acaba por ser registado em estúdio num prazo de tempo muito curto; apesar do insucesso
comercial, contudo, dele fazem parte alguns dos seus maiores clássicos, como Portugal Portugal. Retomando
os seus estudos de piano, que completará em 1990, entra no período mais popular da sua carreira, gravando
de seguida os álbuns Asas e Penas (1984), O Lado Errado da Noite (1985) e Quarto Minguante (1986), ainda
hoje os seus discos mais conhecidos e mais procurados pelo grande público, graças a canções como Onde
Estás Tu, Mamã? (do primeiro) e Deixa-me Rir (do segundo). Mas, depois de O Lado Errado da Noite ter
sido o seu disco mais vendido de sempre, Quarto Minguante foi um fracasso desanimador; só em 1989 Palma
voltaria a gravar. Bairro do Amor parecia devolver à carreira do cantor e compositor o embalo de Asas
e Penas e O Lado Errado..., mas Palma sempre fez questão de não estar nos sítios onde todos estavam à
espera dele. Resolve recuperar temas perdidos na sua discografia longa de oito álbuns; alguns deles são
muito conhecidos, outros menos, mas todos eles são regravados em estúdio só com piano e voz no álbum
Só (1991). E o passo seguinte é outro desvio na sua carreira: aproveitando a sua amizade com alguns
músicos da recente geração do rock português, assenta arraiais no clube de rock Johnny Guitar com o Palma's
Gang, uma formação rock eléctrica completada por Zé Pedro e Kalú dos Xutos & Pontapés e Flak e Alex dos
Rádio Macau, reinventando mais uma vez o seu vasto catálogo de canções agora sob uma forma radicalmente
diferente. O resultado desta experiência é o álbum Palma's Gang ao Vivo no Johnny Guitar, de 1993. Durante
os quatro anos seguintes, pouco se ouve falar de Jorge Palma, que vai deixando concertos soltos espalhados
um pouco por todo o país, participa em discos de amigos e escreve música para teatro. Mas as suas canções
e os seus discos vão sendo redescobertos por toda uma geração que o eleva a autor de culto como poucos
outros terão conseguido em Portugal. O ressurgimento público do músico dá-se com o supergrupo Rio
Grande, ao lado de Vitorino, Tim dos Xutos & Pontapés, Rui Veloso e o ex-Trovante João Gil, cujo álbum
homónimo é um extraordinário sucesso comercial no Natal de 1996.
|


|