

|
Encontrará aqui biografias, não só de artistas, como dos principais grupos musicais portugueses, ordenados
pela primeira letra porque são conhecidos.
|

|
Para aqueles que têm páginas próprias, ficará também o link para elas.
|





Mais de 60 peças de teatro de revista. Dez operetas. Cinco filmes. Uma peça declamada. Incontáveis fados
e canções, cantados e gravados. Um número impossível de determinar de noites em que animou o Solar da
Hermínia, "uma prenda do meu marido", ao qual raramente faltava "porque os clientes ficam tristes" e
ela não gostava de ver ninguém triste. Este é o resumo da carreira de Hermínia Silva, que alguém tentou
transformar em rival de Amália Rodrigues. "O meu fado foi sempre de revista, de teatro", afirmou nos
anos 70. Na realidade, Hermínia Silva, eternamente famosa pela Casa da Mariquinhas, foi buscar muita
da sua veia fadista a um certo tipo de humor do teatro revisteiro. Expressões como "Anda Pacheco!",
com que incitava o seu guitarrista António Pacheco, e que rematava com um "Sai bife!" imaginariamente
dirigido à cozinha do seu Solar, deixavam o público a rir às gargalhadas, conferindo um toque de humor
que sempre acompanhou os seus fados, nem por isso menos sérios. Hermínia Silva conta que, com apenas
8 meses, caiu da janela do lš andar onde morava, ao Campo de Santana, para cima de uma carroça cheia
de legumes, o que levou a família, com medo, a mudar de casa. Essa irrequietude acompanhou-lhe a vida
e a obra. Mas não a fez perder um traço de carácter fundamental: a fidelidade. Fidelidade aos compromissos
(recusou contratos melhores porque já havia prometido trabalhar com outrem), ao seu Solar da Hermínia,
ao seu público e às suas convicções. A Casa da Mariquinhas, a Velha Tendinha, Os Magalas, A Rosinha
dos Limões, Telhados de Lisboa, Rosa Enjeitada e Marinheiro Americano são alguns dos seus fados que ficaram
para sempre na memória de gerações. "Alfacinha de gema e fadista por devoção", como se definia, Hermínia
Silva foi condecorada várias vezes, entre as quais com a Ordem do Infante D. Henrique.
Marcos
principais da carreira:
1920 Canta para Alfredo Marceneiro e para os amigos, entre os quais
Armandinho, que adoravam ouvir a "miúda". 1926 Começa a cantar no Valente das Farturas, no Parque
Mayer. Alfredo Marceneiro canta ao lado, no Júlio das Farturas. 1929 Na Esplanada Egípcia, no Parque
Mayer, interpreta Ouro Sobre Azul, De Trás da Orelha e Off-Side. 1932 Ainda no Parque, muda-se para
o Teatro Maria Vitória, onde actua na opereta A Fonte Santa. 1933 Ingressa no Teatro Variedades,
onde é segunda figura, logo a seguir a Beatriz Costa. Canta e representa em inúmeras revistas. 1958
Inaugura o Solar da Hermínia, no Bairro Alto, ao qual se dedicará de tal forma que deixa o teatro
de revista. Estará à frente desta casa durante 25 anos. 1970 Faz uma digressão de 3 meses ao Brasil.
1982 Fecha o Solar da Hermínia, o ponto de referência da sua carreira e onde inúmeros artistas despontaram.
1987 Na discoteca Loucuras! dá um espectáculo memorável, na presença do então Presidente da República,
Mário Soares.
|


|