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Encontrará aqui biografias, não só de artistas, como dos principais grupos musicais portugueses, ordenados
pela primeira letra porque são conhecidos.
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Para aqueles que têm páginas próprias, ficará também o link para elas.
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Quando faleceu em 1984, António Variações deixara gravados apenas dois álbuns e um single, num total
de vinte temas. Por gravar e editar haviam ficado largas dezenas de canções que, se tivessem visto a
luz do dia, poderiam ter mudado a face da música moderna portuguesa. Mas o que ficou registado foi
um legado de alguma da música mais original e popular jamais gravada em Portugal: misturando fado, folclore,
rock e música de dança, António Variações conseguiu reunir à sua volta miúdos e graúdos, cidade e campo,
rádio e imprensa. Todos gostavam de Variações, todos cantavam as suas canções de letras feitas de provérbios
e sabedoria popular e músicas contagiantes, todos conheciam a sua figura bizarra de cabelos coloridos
e roupas extravagantes. E contudo, tudo isto poderia não ter acontecido porque Variações esteve quatro
anos sob contrato com uma editora sem gravar, porque ninguém na editora sabia bem o que fazer com este
artista... Artista que, em rigor, não o era. Nascido numa aldeia remota do Minho, António Rodrigues Ribeiro
veio para Lisboa trabalhar como marçano com apenas 12 anos e até à década de setenta acumulará uma série
de empregos de escritório até começar a viajar e aprender o ofício de cabeleireiro, na Holanda, em 1976.
Instalado em Lisboa como cabeleireiro e, depois, barbeiro, começa a desenvolver as suas canções, inspiradas
tanto pelos ritmos de discoteca que ouve nas noites de Lisboa como pelo folclore que ouvira em casa quando
era miúdo. Em 1978, envia uma maqueta, em cassete, à Valentim de Carvalho que lhe vale a contratação,
mas o cantor não sabe tocar instrumentos nem tem educação musical que lhe permita exemplificar o modo
como quer que as suas canções soem e a editora também não sabe o que fazer. O artista vai entretanto
continuando a compor e actuando pontualmente ao vivo, sob a designação António Variações, que acabará
por se transformar no seu nome artístico, "por sugerir elasticidade e liberdade". Com o "boom" do
rock português a abrir o mercado a projectos que até aí eram de difícil penetração, Variações vê finalmente
chegar a hora que lhe permite concretizar o seu sonho, e grava em 1982 um single onde emparceira um original
próprio, Estou Além, com uma versão rock do fado de Amália, Povo que Lavas no Rio. A ousadia de mexer
no intocável reportório de Amália, que o cantor venerava, vale-lhe a atenção dos meios de comunicação,
embora seja Estou Além o verdadeiro êxito que lança a sua carreira. Gravando com músicos dos GNR ou
Heróis do Mar, que entendem na perfeição aquilo que Variações quer fazer, o marçano de Fiscal de Amares
transforma-se numa estrela da música popular portuguesa. O seu álbum Anjo da Guarda (1983), dedicado
a Amália, é um sucesso de crítica e de vendas, É p'rã Amanhã e O Corpo é que Paga são grandes êxitos
de rádio, o Verão de 1983 é passado em concertos por todo o país. Mas este sucesso será efémero. No
início de 1984 grava com os Heróis do Mar o seu segundo álbum, Dar e Receber, mas Variações começa já
a sentir-se doente e no final de Maio dá entrada no hospital com um problema respiratório que acabará
por se agravar até ao seu falecimento a 13 de Junho. Dar e Receber tinha acabado de ser posto à venda,
por vontade do próprio artista, nele se incluindo dois dos temas mais comoventes jamais gravados em Portugal
-Olhei p'ra Trás, uma memória da sua partida para Lisboa com 12 anos de idade, e Deolinda de Jesus, dedicado
à sua mãe - e o êxito Canção do Engate, que seria mais tarde regravada pelos Delfins. Lena d'Água,
amiga pessoal de Variações, lançaria em 1989 um álbum de inéditos que o artista nunca gravara, Tu Aqui,
e os Madredeus, Sérgio Godinho, Delfins ou Sitiados juntaram-se para um disco de homenagem editado em
1994. Mas ambos os discos ficaram aquém do homem que pretendiam celebrar, e acabariam por ser as gravações
originais a recordar Variações: a compilação de 1997, O Melhor de António Variações atingiria o lš lugar
do top e traria o êxito de vendas que o artista nunca conheceu em vida.
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