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Encontrará aqui biografias, não só de artistas, como dos principais grupos musicais portugueses, ordenados
pela primeira letra porque são conhecidos.
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Para aqueles que têm páginas próprias, ficará também o link para elas.
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A maior parte do público recordará António Pinho Vargas como o pianista de jazz autor de temas de êxito
como Tom Waits ou Dança dos Pássaros. Mas é passar ao lado de um músico com uma experiência riquíssima
e um interesse por novas linguagens musicais, que ao longo de uma carreira de quase trinta anos passou
pelo rock, pelo jazz e pela música erudita com uma facilidade impressionante. Mas o jazz continua a ser
o seu primeiro e mais conhecido amor. Contudo, não foi pelo jazz que o músico começou. Durante o final
dos anos sessenta, primeiro como liceal e depois como universitário, fez parte dos "roqueiros" Grelha,
formados por amigos de liceu, e só em 1972, inspirado por Jorge Lima Barreto, musicólogo e jornalista,
inflecte para o jazz, acabando por influenciar também uma mudança de sonoridade naquele grupo. Depois
de acompanhar Rão Kyao, nomeadamente na gravação do álbum Malper-tuis (1976), o primeiro disco de jazz
português feito em Portugal por músicos portugueses, forma o seu primeiro grupo áefree-jazz, Zanarp,
do qual fazia igualmente parte o saxofonista José Nogueira, que se tornaria no seu cúmplice musical regular.
O Zanarp dissolve-se para dar lugar ao Abralas, onde canta Fernando Girão, e este dá lugar, em 1979,
ao Quarteto de António Pinho Vargas, uma formação áejazz mais tradicionalista composta por Pinho Vargas
ao piano, José Nogueira no saxofone, e os ex-Mini-Pop Mário Barreiros e Pedro Barreiros, respectivamente
na bateria e contrabaixo. Serão estes os músicos que constituirão a base do seu grupo de trabalho até
ao final da década de oitenta, alargados a quinteto ou sexteto conforme a necessidade. O início da
década de oitenta traz um breve flirt com o rock, pois o pianista passa brevemente pelos Arte e Ofício
e pela Banda Sonora de Rui Veloso. Não por acaso, o único álbum que Pinho Vargas regista com Veloso é
Fora de Moda, o disco mais próximo dos blues e do jazz que o músico já gravou. Mas em breve o pianista
se decidirá pelo jazz, e agarra a oportunidade de gravar em nome próprio, editando em 1983 o LP Outros
Lugares, que define desde logo a linguagem musical de Pinho Vargas: um jazz melódico de construção e
inspiração tradicionais, recordando ora as paisagens atmosféricas popularizadas pela editora alemã ECM
ora o virtuosismo de Keith Jarrett. Outros Lugares obtém um assinalável sucesso público e crítico,
mas era apenas uma selecção do muito material que Pinho Vargas tinha em carteira. O êxito obtido pelo
disco permite-lhe continuar a gravar regularmente; surgirá assim em 1985 Cores e Aromas, cujo tema A
Dança dos Pássaros se torna num improvável sucesso radiofónico, e, em 1987, As Folhas Novas Mudam de
Cor, álbum que atingirá o top-10 de vendas e atinge o Disco de Prata, muito graças à popularidade de
temas como Vilas Morenas (dedicado a José Afonso) e sobretudo Tom Waits, dedicatória àquele cantor e
compositor norte-americano que ficará eternamente ligada ao pianista como a sua peça-emblema. Simultaneamente,
Pinho Vargas começa a ser convidado para compor peças para teatro e cinema (destacando-se nesta fase
o filme de João Botelho Tempos Difíceis), e desponta no músico um interesse pela música erudita contemporânea
que o leva inclusive a estudar durante vários meses na Holanda. A partir de então, as suas gravações
de jazz serão mais espaçadas e menos acessíveis, permitindo ao pianista dividir-se entre o jazz e a música
contemporânea. Os Jogos do Mundo (1989) e Selos e Borboletas (1991) projectam novos horizontes para a
sua produção de jazz, ao mesmo tempo que uma multidão de peças encomendadas por festivais e ensembles
de música contemporânea celebrizam internacionalmente o compositor erudito. Monodia, CD publicado em
1995, é a primeira, e até agora única, gravação desta faceta de Pinho Vargas, ainda mais popular como
jazzman do que como compositor. Não espantou, por isso, o regresso a uma linguagem ainda mais depurada
de jazz em 1996 com A Luz e a Escuridão, álbum em trio onde ao piano de Pinho Vargas e ao saxofone de
José Nogueira (que esteve presente em todas as gravações do pianista quer como músico quer como produtor)
se vem juntar, pela primeira vez na sua carreira, uma voz e não uma voz qualquer: Maria João. Enquanto
não recebemos mais notícias de Pinho Vargas, a sua mais recente edição é As Mãos (1998), um álbum retrospectivo
das suas gravações de jazz.
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