Tráfico de Órgãos em
Moçambique (4)
Conheça aqui as principais etapas deste
assunto
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ESPECIAL REPORTAGEM http://www.tsf.pt/online/primeira/interior.asp?id_artigo=TSF143261 |
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"Ele Confessou Que Ia Vender ao Branco"
PUBLICO
Por ANA CRISTINA PEREIRA, em Nampula
Sábado, 20 de Março de 2004
Dois tiros ecoam do mato. "É tiro de caçadeira, não tem
perigo, pode ir." Elilda Santos, a missionária brasileira que tem vindo a denunciar
o tráfico de pessoas e de órgãos, não desiste. Disseram-lhe que um homem tentou
vender dois sobrinhos e ela vai "ver se é verdade". Em Nampula, há
quem trate de amputar as suspeitas que contaminam toda a província, mas também
quem as amplie. Cada qual está à sua maneira "à espera do adiante", a
ver no que dá.
A confirmar-se a tentativa de venda, não seria história inédita.
Um rapaz, de 17 anos, foi detido em Julho de 2003, depois de ter sequestrado
uma criança de dez anos para vender ao casal O'Connor, acusado pelas
missionárias de coordenar uma rede de tráfico. Foi entregue à polícia pelos
empregados da quinta e condenado por "descaminho e ocultação de
menores". E, desde então, pelo menos outros três indivíduos foram
interrogados pelas autoridades por terem
anunciado aos funcionários do "branco" que vinham
"para o tráfico".
O chefe da aldeia de Beligine não está. O régulo vizinho, magro
e descalço, vai à frente. Hoje, bamboleia como se tivesse nascido a dançar.
Ainda não sabe, mas amanhã não poderá fazer o mesmo: uma queda põe-lhe uma
perna inchada e não há médico que suba os capins para o
analisar. Entre as palhotas, perto do lume, há dois
rapazes e diversas maçarocas a assar. Só conhecem a história "de ouvir
falar". "O dono casa é que sabe os tintins todos, ele é que é da
família."
O pequeno rádio a pilhas, pousado em cima de um pano, contou,
logo cedo, que mais uma criança desapareceu. Elilda faz doutrina: "Isto
não pode continuar a acontecer." E "a luta tem de ser de todos".
Flores Herculano, de 22 anos, não quer briga com o vizinho. Mas lá começa a
desatar o nó que lhe ata a cabeça desde domingo: "Foi à tarde, depois do
almoço, as mulheres conseguiram alcançar o homem lá à frente."
Elilda inquieta-se. Não trouxe gravador e queria registar as declarações.
Quem eram as
vítimas? Consuma Musama e Zumaligi Fernando, de
quatro e cinco anos. E eram levados por quem? Por João, o tio de 15 anos, que
mora em Anchilo. "As mulheres começaram a perguntar para onde levava as
crianças e ele confessou que ia vender ao branco."
Ninguém foi à polícia, explicam, porque o rapaz "é
família". Elilda diz que deviam ir, que voltará no dia seguinte para ouvir
a história da boca da família e para a convidar a prestar declarações também na
Liga dos Direitos Humanos. "Depois de ir à polícia, a polícia diz que
é tudo mentira, intimida as pessoas e elas já dizem que não se
passou nada."
A autoridade do tio
materno
A aldeia de Beligine, a poucos quilómetros da cidade, é zona de
macuas, como quase toda a província. Os macuas, o maior grupo étnico do país,
fixaram-se em zonas férteis. A maior parte vive numa área limitada a norte pelo
rio Rovuma (província de Cabo Delgado), a oeste
pelo rio Lugenda (província do Niassa) e a sul pelo rio Licundo
(província da Zambézia).
A suspeita - falsa ou verdadeira -
ensina muito sobre os macuas que ainda vivem segundo as tradições. O dia faz-se
noite, a noite faz-se dia, de volta à picada, seguida de deriva por trilhos e
atalhos, Elilda pede ao "dono da casa", o senhor Três, para a levar à
mãe das
crianças. O velho Três acede. Vai ele e a mulher, que, como ele,
só fala macua.
A base da organização política e social dos macuas assenta na
linhagem. Cada unidade uterina, que reside num lar, pertence a um grupo que
partilha o mesmo território. A autoridade familiar cabe ao tio materno (o
atata), que, como outros tios maternos, depende de um
decano. A filha de Três só contará o sucedido se o tio materno a
autorizar.
O atata está no lar, num bairro próximo. O que quer deixar claro
de imediato é que "a dona da casa" - onde
Elilda estivera - "é ela", a mulher de Três. Na sociedade matriarcal
macua, embora a real chefia da família pertença aos irmãos ou tios maternos, a
mãe é a figura
central do núcleo. Quando uma filha se casa, a sogra pode
beneficiar do trabalho do genro, o que promove o bem-estar da sua rede de
parentes.
As mulheres dispõem cadeiras no átrio, o atata encosta-se a uma
motorizada, com ar de pouca paciência. Três fica atrás, não é consultado. O
atata ordena à sua irmã que relate o que se passou. E ela responde-lhe, em
macua, sem direito a tradução. Não tira os olhos dele, é para ele e apenas para
ele, irmão dela, que ela fala. Como se só ele estivesse ali.
"Não é caso para levar às estruturas", sentencia o
homem. A polícia e a Liga dos Direitos Humanos não "carecem" de saber
nada. "Quem levava as crianças era o meu sobrinho. Ele costuma levar as
crianças para brincar, demorou, as mulheres ficaram preocupadas."
"Ouvimos que ele próprio confessou", contrapõe Elilda.
"Quem disse isso?", pergunta uma e outra vez o atata. Ela não
responde, não quer que a família de Herculano Flores tenha problemas com a
vizinhança. E ele despacha-a: "Isso é mentira."
Tendência natural para o
rumor?
O tal rapaz que está preso queria vender um menino por 80 milhões
de meticais (perto de três mil euros) ao "branco". Garry O'Connor diz
que nada tem a ver com isso e lembra que
funcionários seus é que o entregaram à polícia. Da
fama já não se livra. Terão os aldeões
inventado esta nova tentativa de venda?
O director da Polícia de Investigação Criminal da província diz
que Nampula tem uma tendência natural para o rumor. Será esta história apenas
um reflexo do desejo de enxotar "o branco" dos 300 hectares que o
município lhe concessionou e que antes estavam em poder dos macuas? Ou houve
mesmo uma intenção de venda e, como diz Elilda, os macuas tradicionais
protegem-se uns aos outros e ninguém confia na polícia?
Ontem, o conselho municipal publicou uma nota no jornal
"Notícias" a afirmar que "tem estado a orientar as estruturas de
base no sentido de identificarem detalhadamente as possíveis famílias
afectadas". E lançou um apelo aos munícipes para "colaborarem na
denúncia".
A família que, na véspera, pôs um anúncio na rádio a anunciar o
desaparecimento de uma criança não foi à polícia. Pelo menos por enquanto. E a
equipa da procuradoria anda no terreno - desta feita
sem Elilda - a investigar as denúncias das missionárias. Nampula
está "à espera do adiante".
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Juiz falou do caso em Portugal |
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Tráfico de órgãos em Moçambique já tinha sido denunciado há um ano |
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2004-03-20 09:31:53 |
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Lisboa - A existência de tráfico de órgãos
humanos em Moçambique já tinha sido denunciada, em Maio do ano passado, pelo
juiz moçambicano Augusto Raul Paulino, que se deslocou a Portugal para
participar num colóquio internacional sobre «Direito e Justiça no século
XXI», adiantou a revista portuguesa «Tempo» na sua última edição. |
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(c)
PNN - agencianoticias.com |
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DIÁRIO DE NOTÍCIAS
21.03.2004
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DIÁRIO DE NOTÍCIAS
21.03.2004
Os donos
invisíveis dos meninos de Moçambique
Nacionalidades
diferentes, o mesmo medo em Maratane
Da venda
ao resgate da jovem Noela
Tráfico
esconde-se no rosto da pobreza
"Só Temos Um Caso
Confirmado de Desaparecimento de Crianças"
PUBLICO
Por ANA CRISTINA PEREIRA, em Nampula
Segunda-feira, 22 de Março de 2004
As denúncias das Servas de Maria sobre tráfico de órgãos e de
seres humanos, que estão a ser investigadas pela procuradoria de Moçambique,
alegam o desaparecimento de 52 crianças em meio ano. Mas os registos da Polícia
de Investigação Criminal (PIC) são bem distintos. Relacionadas com a polémica,
admite apenas uma, a de Erga Vitorino, de três anos. "Há crianças que
podem andar sem ninguém na cidade", observa o director daquela polícia na
província de Nampula, Eugénio Julião Balane. "Podem desaparecer, é
provável, mas eu não
tenho isso em ocorrência."
PÚBLICO - A Polícia de Investigação
Criminal (PIC) está a colaborar com a Procuradoria?
EUGÉNIO JULIÃO BALANE - Há uma colaboração estreita. Aquando da
vinda da comissão multisectorial faziam parte também quadros da PIC, da Polícia
da República, para além do médico legista.
P. - Essa foi a que deu origem ao relatório preliminar, que
levou o Procurador-Geral a dizer, no Parlamento, que o que mais o intriga e
choca é "a apatia com que alguns agentes da autoridade lidam com as
denúncias".
R. - Foi. Entretanto, no terreno, o trabalho continua. A cargo da procuradoria provincial, que também tem vindo a
solicitar serviços da PIC.
P. - Temos ouvido relatos de uma polícia que
"intimida"...
R. - Nós temos acompanhado pela imprensa. Não há fundamentação.
Nós já estávamos a trabalhar antes. Em 2001, em Nacala, houve o assassinato de
três crianças. Primeiro, deu-se por desaparecidas duas crianças. Quando a
polícia procurava a terceira, tinham acabado de a
assassinar. Foram localizados os autores, que confessaram ter
extraído línguas daquelas crianças para fins supersticiosos. Da terceira
criança, não tinham ainda extraído nada.
P. - As suspeitas sobre o casal O'Connor surgem coladas a
acusações de encobrimento por parte da polícia...
R. - O caso veio a lume, em Julho,
quando um indivíduo que dizia ter 17 anos, mas não tinha qualquer elemento que
o identificasse, entendeu pegar numa criança que tinha encontrado pela alta
noite pela rua fora. Depois de uma semana a viver com a criança, levou-a à
quinta do casal sul-africano. Lá, sugeriu o negócio. Os guardas da quinta
levaram ao posto que fica dentro do convento das irmãs. É a partir daqui que começa
a intervenção das irmãs. Caso registado aqui é esse. Processado pela polícia,
foi canalizado para a procuradoria.
O tribunal condenou a 17 anos de prisão. E há o caso de três
senhores que sugeriram o negócio, mas não levavam ninguém para vender.
P. - Mário Centura e Saimone Tuzene dizem-se vítimas de rapto e
de espancamento.
R. - Falaram com quem?
P. - Os testemunhos constam do
relatório preliminar da PGR.
R. - Há casos que a procuradoria processou directamente. O que
não foi tratado por nós, não posso comentar.
P. - Mário está escondido há cinco meses. Diz que foi intimidado
pela
polícia.
R. - Está escondido onde? Intimidação? Aquela onda de
desaparecimentos de crianças... Nós pedimos à Rádio Moçambique e à Rádio
Encontro que nos fornecesse a lista de familiares para
investigação. O nosso pedido foi encarado como ameaça, tentativa
de violação da lei de imprensa. Nós não queríamos saber as fontes, queríamos
saber quem são os ofendidos. Se desaparece uma criança, a família preocupa-se e
essa criança tem de ser levada a essa família. Como não foi a nenhuma unidade
policial, não temos esse registo.
P. - Como é que estas famílias, em vez de irem à polícia, vão à
rádio pôr um anúncio?
R. - É. Isso é absurdo. Nós solicitamos, queremos conhecer a
família, se não aparece, como vamos investigar?
P. - Mas por que é que as queixas não
chegam à polícia?
R. - Nós recebemos queixas de vária ordem a fazer referência ao
desaparecimento de crianças ou mesmo meninas de idade (doze para diante).
Encontramos algumas situações... filhas que fogem dos pais, porque se meteram
com um namorado sem consentimento. Há casos de casais que se separam, um leva
as crianças para passar o fim-de-semana e não devolve...
P. - Mas há mães que choram crianças
que desapareceram.
R. - Nós temos um caso confirmado. Há um casal que participou o
desaparecimento de uma criança de três anos em Novembro. Estamos a tratar esse
caso com todo o cuidado.
P. - Como é que define a relação da população com a polícia?
R. - A polícia procura criar relações estreitas com a
comunidade. Cria mecanismos próprios para tomar controlo, tendo em conta que a
população deve dar o contributo. Existem, em alguns bairros, conselhos
comunitários.
P. - Há quem lhes chame milicianos e polícias comunitários...
R. - É conselho. O conselho comunitário
do bairro é seleccionado pela população daquele mesmo bairro. Esse conselho, a
qualquer momento, pode dar informação à polícia sobre a presença de elementos
perigosos.
P. - E eles comunicam desaparecimentos de crianças?
R. - São casos raros. A maioria das casos que temos não se
enquadram nesses que se falam - de tráfico. A criança
que raptaram, em pleno dia, as pessoas viram, mas pensaram que o homem levava
para criar. Se a polícia visse esse caso não ia desconfiar, a criança não
estava a
chorar. Há crianças que
podem andar sem ninguém na cidade. Que podem desaparecer, é provável, mas eu
não tenho isso em ocorrência.
P. - Há a história da menina que desapareceu em Mamoa e que a
polícia entregou à avô, em Angoche, a 40 quilómetros
de Nampula. Elilda Santos diz que a polícia pedia dinheiro para entregar a
criança aqui...
R. - Não tenho informação.
P. - Com tanta acusação de inacção e de intimidação, tem de se
admitir que a relação entre a polícia e a população é estranha.
R. - Não posso considerar estranha. Há é indivíduos que procuram
desinformar sobre o trabalho da polícia. A população sabe que até 1998, de dia,
aqui, era normal ser assaltado à mão armada. Desde 98, qualquer roubo de carro,
qualquer assalto à mão armada, é esclarecido. Algumas pessoas com
"interesses", que não posso precisar, precisam de tirar dividendos,
então falam. A democracia é assim, a gente tem de admitir. Mas esses que
denunciam na imprensa
não vão à polícia. Os casos que chegam à polícia têm seguimento!
P. - Há investigações em Nacala de
tráfico para prostituição infantil, exploração do trabalho infantil ou mesmo
escravatura? Os relatórios internacionais falam em crianças que saem para a
Rússia, para a China, para a África do Sul...
R. - Esse é um fenómeno novo para esta
área de cá. Não posso comentar. Há grupos de meninas, quem passa manda parar,
isso tem uma certa relevância externa. Por causa do porto, há essa tendência de
fluxo. Quando chegam os barcos, há estrangeiros que querem... Mas não
tenho informação sobre tráfico.
"Os Rumores
Propagam-se com Uma Velocidade Extrema"
O director da Polícia de Investigação Criminal na província de
Nampula, Eugénio Julião Balane, garante que os rumores de corpos encontrados
sem órgãos são apenas isso mesmo, rumores. Que, na região se propagam "com
uma velocidade extrema".
P. - Vários relatórios internacionais -
Organização Internacional de Migrações, Organização Humanitária Molo Songololo,
Ending Child Prostitution Pornography and Trafficking International, por
exemplo - falam em crianças que desaparecem sistematicamente de Moçambique e
entram em redes de tráfico para prostituição, escravatura, abuso do trabalho
infantil, extracção de órgãos.
R. - Se for por essa via de análise global... do país. Mas o
caso concreto é que se enfatiza demasiado aqui. Fala-se em extracção de órgãos.
E a gente questiona: no corpo de quem? Há corpos que aparecem e que não têm
esclarecimento. Temos uma brigada que se desloca para
lá e está no local e faz o exame direito. O médico, no hospital,
faz a autópsia. Nenhum desses corpos localizados no corredor de Nampula, fora
do que eu referi, foi encontrado sem órgãos.
P. - E a Sarima?
R. - Estava a vender bananas. Desmembrou-se da companheira e foi
com um senhor. Apareceu morta na via pública, exame feito constatou-se que
tinha sido violada e estrangulada. Não faltavam órgãos.
P. - Falámos com pessoas que dizem que viram o corpo e que lhe
faltavam...
R. - Quem são essas pessoas?
P. - São pessoas que prestaram depoimentos à Procuradoria.
R. - Fazem parte da família? Não. Então não viram. Estão a
alimentar-se de dados informais. Se as chamarmos para falar, não vão longe.
Dizem, porque vi não sei o quê, porque estão a me intimidar. Ninguém está a
intimidar nada. Ouviu por aí e propagou.
P. - Há outros corpos. A prática corrente, dizem-nos, é a
polícia ser chamada por causa de um corpo que aparece, chegar ao local, olhar e
mandar abrir um buraco para enterrar...
R. - Tem médico! Aquilo é uma equipa,
não é uma pessoa. Faz-se um relatório!... A população não tem coragem de se
aproximar: isso pode ter a ver com certos mitos. Estive pessoalmente na linha
férrea quando apareceu o homem despedaçado. Não se aproximaram e disseram que
não tinha órgãos genitais.
P. - Mas estava cortado de uma forma muito peculiar...
R. - Não houve corte de instrumento
cortante. A cabeça estava desfeita. Aquilo é arrancamento. Numa altura,
ocorreram grandes casos de cólera. A Beira foi muito afectada, Nampula foi um
pouco. Foi enviada uma equipa de médicos para socorrer a população lá no
interior. Ia dar instruções, ensinar como pôr cloro na água para
evitar contaminações. A população começou a dizer que os enfermeiros traziam
cólera, que iam pôr nos poços de água, agrediu os enfermeiros, fez reféns. Tivemos
que destacar uma força para acompanhar os enfermeiros. Os rumores, em Nampula,
propagam-se com uma velocidade extrema. Então não há tempo para analisar o
assunto.
Cada um vê um bocadinho e aumenta duas, três vezes.
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DIÁRIO DE
NOTÍCIAS
22.03.2004
Tráfico
sexual de mil moçambicanas por ano
http://tsf.sapo.pt/online/primeira/interior.asp?id_artigo=TSF143914
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http://www.tsf.pt/online/primeira/interior.asp?id_artigo=TSF144144
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Cabeça:
Tráfico de Menores em Moçambique
Por REPORTAGEM DE ANA CRISTINA
PEREIRA (TEXTO) E FERNANDO VELUDO (FOTOS), em Nacala
Sábado, 27 de Março de
2004
Anja Gabriel, olhos postos no chão, vassoura de arbustos
secos na mão, faz poeira à cata de trigo. Os camiões deixam cair pequenas
porções quando fazem o transporte do porto de Nacala para uns armazéns situados
a umas centenas de metros, e ela e as duas irmãs passam a via a pente para
apanhar o desperdício e o transformar em pão. Sozinhas não. Há dezenas de
mulheres e crianças a fazer o mesmo - no rosto de
umas, a poeira mistura-se tanto com o suor que lembra as pinturas tradicionais
macuas. Os homens que por ali circulam trazem a sobrevivência. E a
sobrevivência não se esgota no cereal.
A prostituição infantil é mais prevalente em Maputo e na
Beira, mas tem vindo a crescer em Nacala, com uma população muito móvel e um
grande número de trabalhadores dos transportes. O porto de Nacala é um dos mais
importantes da África Oriental - tanto que os
americanos tomaram recentemente conta dele. E o famoso corredor integra a linha
férrea que vai até Entre-Lagos, já na fronteira com o Malawi. O movimento é
grande. Meninas como Anja Gabriel perdem a inocência em troca de migalhas.
As denúncias das missionárias sobre desaparecimento de
menores - que estão a ser investigadas pela
Procuradoria-Geral da República, com base, sobretudo, no relato de crianças que
dizem ter escapado ao cativeiro - trazem o PÚBLICO até aqui, mas Anja Gabriel
não pode paralisar por causa de rumores sobre barcos ou comboios que tentam
levar meninos para longe, como terá acontecido a Jorge, que ia fazer 13 anos.
Se se lhe perguntasse o que é o amor, o mais certo
seria ela rir-se da pergunta. "Preciso de comer". Ela e as irmãs.
Tentar a sorte noutras paragens é coisa que lhe faz brilhar os olhos. "Tem
trabalho para mim?", questiona. Em Moçambique, como noutros países, há
crianças que são dadas ou vendidas pelos pais a traficantes mediante descrições
de trabalho agradável e promessas de fazer fortuna. A miséria empurra. Jorge,
conforme consta do relatório entregue à procuradoria, terá, no início do ano,
sido aliciado por um português em Nampula. Foi conduzido a uma casa, em Nacala,
onde se encontravam "mais de 30 crianças à espera de navio para ir para
Portugal". Falta de fiscalização na costa... Moçambique tem 2470
quilómetros de costa, mas faltam-lhe meios de fiscalização. Tanto que nas suas
águas navegam barcos de pesca espanhóis. Tal facilidade não terá dito nada a
Jorge. Tão-pouco as eventuais dificuldades inerentes à condição de imigrante
ilegal menor. Começou a desconfiar do destino porque, de vez em quando,
"saíam quatro ou cinco crianças que não voltavam". O menino terá
aproveitado para fugir quando foi autorizado a ir lá fora, comprar pão. A
criança descreveu o lugar e as três pessoas que tomavam conta do grupo.
Identificou mesmo uma delas, mas a busca das autoridades não resultou em nada e
o português apontado "fugiu - foi alertado por
alguém da procuradoria mesmo", indigna-se Elilda Santos, missionária que
tem sido porta-voz das denúncias que congregam missões católicas e Organizações
Não Governamentais, agora convencida de que "não há vontade de descobrir a
verdade", nem sobre as pessoas que desaparecem, nem sobre os corpos que
apareceram mutilados aqui e noutras zonas da província de Nampula. Anja Gabriel
mora na parte alta de cidade, como Ema, como Zenapo, como Amina. Sobrevive com
o pai e com a mulher, que "é muito madrasta". Ouviu a história de
Jorge, como ouviu a das ossadas encontradas à entrada da cidade. "Tem
trabalho para mim?", volta a perguntar ao segundo dia. Em torno dela,
outras nove crianças. Todas descalças. Algumas muito pequenas. Apenas uma,
Amina, de nove anos, diz andar na escola. Das 07h00 às 09h00, altura em que
desloca para ali. A vida corre tranquila em Nacala, cidade bem mais limpa e
organizada do que a vizinha Nampula. Todos os dias, bem cedo, os pescadores
fazem-se ao mar. Junto à praia Caetano Veloso, há vendedores e compradores a
"sombrear". A lota "é a praia mesmo", onde chega lagosta,
atum, peixe pedra, "tudo". O calor é intenso, a humidade sufocante,
mas não se vê ninguém entrar na água. "Tenho um sobrinho que não aparece
há três dias", diz um pescador, pousando a mão na cabeça de um miúdo.
"Estamos à procura, até já foram para Nampula". Os pescadores não
falam em barcos suspeitos, apontam a linha férrea, o sentido Maputo, África do
Sul. Talvez o sobrinho de Bru - de cinco anos - tenha
desaparecido mesmo. Talvez Bru esteja apenas a dizer aquilo que imagina que se
quer ouvir. Foi à polícia? "Rádio só". Aqui, como na cidade de
Nampula, a relação com as autoridades parece muito frágil e as suspeitas de
tráfico ganham novos contornos ao saltar de boca em boca. Há uns meses, Cecília
Rosa foi à polícia quando lhe desapareceu um filho, mas acomodou-se assim que
este apareceu: "Estou agradecida, porque tenho o meu filho em casa".
O menino, João, de oito anos, foi aliciado na escola comunitária com bombons.
"O homem disse: “Anda lá, vamos fazer festa de crianças". E ele foi,
com outros dois amiguinhos. Umas "mamãs é que os encontraram horas depois,
sem roupas, naquela praia lá longe, onde as mamãs cortam cajueiro".
...e a leviandade das autoridades
Há
um pormenor que faz tudo confluir como um rio: a nudez das alegadas vítimas de
todo este processo que lhes chega desde Nampula. Será que o homem, que as
crianças não conseguiram identificar, era um pedófilo? "Não! Nada! Tirou
as roupas para quê? Era para matar ali mesmo!", acredita a mãe, perna
estendida ao sol. A pedofilia, que horroriza Portugal, tem um sentido
"minguado" num país onde há meninas de doze anos com noivo e se vive
o alarme do uso de órgãos humanos.
O
que inquieta mais - apesar dos diversos relatórios
internacionais que focam o tráfico de pessoas para prostituição, trabalhos
forçados, escravatura, casamentos arranjados ou venda de órgãos - é a suspeita
de morte para uso de partes do cadáver. A antrologia africana refere ritos
iniciáticos onde o fígado serve para a purificação, o sexo para ganhar
potência, o coração para aumentar a coragem (ver entrevista nas páginas
seguintes)... "Feiticeiros! Nem há frigoríficos aqui!", sentencia
Bru.
O
relatório preliminar da Procuradoria Geral da República concluiu que não há
evidência de tráfico de órgão em Nampula, mas frisou que o desaparecimento de
pessoas é complexo e requer mais investigação para se apurar as motivações. E o
procurador-geral admitiu que houve "omissão" e "leviandade"
na forma como as autoridades trataram os casos.
As suspeitas não se cingem a esta província. Em meados do
mês, quando foi ao Parlamento, o procurador-geral Joaquim Madeira falou de três
jovens que recentemente confessaram ter morto e cortado os genitais a um miúdo
de nove anos, em Chimoio, Manaica. O ministro do Interior, Almerindo Manhenje,
também reconheceu existirem crimes de extracção de órgão, que cola a práticas
de feitiçaria, e até referiu um caso de "uso de pele", ocorrido junto
à fronteira com a Tanzânia.
Em Nacala, há quem tenha redobrado cuidados. Como o senhor
Armando, que diz ter sido atraído para um das duas casas apontadas como
cativeiro. "Fui na machamba, estava a semear amendoim, eram 8h00, apareceu
um moço: “Olha, tenho o carro avariado, me acompanha". O agricultor
acompanhou-o, só que, "chegado lá", o homem foi mudando de sítio até
estarem já próximos de uma moradia com cães e ele recusou-se a entrar. Mas há
também quem a vida obrigue a apagar cautela.
Anja Gabriel mostra a lata de tinta que arrancou ao lixo
para guardar o trigo apanhado ao chão empoeirado. As amigas riem-se e logo se
dispõem a exibir as suas "colheitas" -
algumas amanhadas em capulanas - como quem espera receber um prémio. Um punhado
de canetas e fazem uma festa.
A prostituição é proibida em Moçambique, o tráfico de órgão
carece de legislação específica. Pormenores. Há trigo para peneirar aqui mesmo,
junto ao Índico quieto e límpido. O ronco do estômago não deixa ouvir outro
medo que não o da fome. E amanhã é um outro dia.
Inserts:
O menino, João, de oito anos, foi aliciado na escola
comunitária com bombons. "O homem disse: “Anda lá, vamos fazer festa de
crianças". E ele foi, com outros dois amiguinhos. Umas "mamãs é que os
encontraram horas depois, sem roupas, naquela praia lá longe, onde as mamãs
cortam cajueiro"
A
prostituição infantil é mais prevalente em Maputo e na Beira, mas tem vindo a
crescer em Nacala, com uma população muito móvel e um grande número de trabalhadores
dos transportes.
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"É Preciso
Ver o Contexto Antropológico Africano"
Por POR
ANA CRISTINA PEREIRA (TEXTO) E FERNANDO VELUDO (FOTO), em Nampula
Sábado, 27 de Março de
2004
D. Germano Grachane, que é natural de Inhambane, no Sul de
Moçambique, alertou a conferência episcopal para o surgimento de corpos
mutilados já em 2001, desconfiado de "ritos diabólicos" e de
"superstições africanas". Nesta entrevista, Grachane foca-se nas
tradições e na miséria para falar também no tráfico de pessoas. Junto ao porto
de Nacala, afirma, há quem venda "a alma por um par de sandálias de
plástico, por um pedaço de pão".
PÚBLICO -
As denúncias feitas pela Igreja Católica desembocam em Nacala, com a referência
a "cativeiros", mas a polícia só confirma um caso de desaparecimento
para extracção de órgãos em 2001.
D. Germano Grachane - Sei que, em
2001, aqui, desapareceu, pelo menos, um menino. Um homem encontrou dois miúdos
a vender baldes de fabrico artesanal e deu-lhes uma nota grande. Os miúdos não
tinham trocos e ele disse-lhes que o acompanhassem. Perto da casa, o homem
mandou o mais pequeno esperar e entrou com o irmão para nunca mais voltar. O
miúdo esperou, voltou a casa, a família procurou, foi à polícia. O homem foi encontrado
e confessou que o tinha morto para lhe extrair a língua. Encontraram não só o
crânio do miúdo, mas também o de outros. Fiz o relatório para a conferência
episcopal. Nunca mais se soube se era um psicopata, se era um doente mental, se
era um praticante de cultos satânicos. A minha primeira reacção foi pensar em
ritos diabólicos e em superstições africanas.
Que superstições?
É uma crença comum a várias tribos: comendo, por exemplo,
um coração de uma pessoa, a gente fica corajosa. Sei que, no mesmo ano, no
Monapo, uma adolescente foi buscar água e desapareceu... até que começou a
cheirar mal. A população encontrou o corpo - a menina
estava mutilada nos seios. Não vi. Estive com o pai da menina durante uma
visita pastoral. A festa foi na casa dele, mas, em vez de se alegrar connosco,
chegou à minha beira e começou a chorar e contou-me a tragédia.
Para fazer um transplante não podia ser...
Seguramente. É preciso ver o contexto antropológico
africano. Conheço uma tribo que, quando há sucessão do régulo, escolhe-se um,
que é coroado, mas não é verdadeiro. O régulo verdadeiro surge depois, durante
a festa do falso. O primeiro é imolado para a entronização do segundo e este,
para mostrar que é capaz de governar, deve abrir a barriga do falso régulo, já
no terceiro dia de decomposição, chupar-lhe o sangue e atravessar o rio com o
corpo a servir de jangada.
Que tribo?
Não quero dizer para não ofender. Com o grau de
desenvolvimento dos direitos humanos... talvez já não o façam, talvez o façam
em segredo, mas isto é um ritual de entronização de um régulo, o sentido
colectivo de um povo - não é um mito. Mitológica é a
crença comum, aqui, no chupa-sangue. O chupa-sangue é o quê? O homem mais rico
da aldeia no meio da população faminta, magra. Acredita-se que tem poder de se
transformar em vampiro e que, durante a noite, chupa o sangue das pessoas, por
isso é gordo. A população diz: matou o pai ou o irmão ou o sobrinho e foi dar
de comer aos peixes, por isso tem sorte naquele lugar. Para a população local,
não há nenhum rico que seja rico só... É porque tem feitiço.
Como é que a Igreja Católica - que
é minoritária - lida com isso?
É preciso começar de novo o anúncio de Deus vivo, amigo dos
homens. Temos de ir à raiz. Nós, africanos, queremos a vida e temos medo da
morte. Isso é humano. Queremos esconjurar o poder da morte, então há mil e um
ritos para garantir que nenhum espírito nos faz mal...
Há muitos macuas muçulmanos e cristãos que continuam a
seguir as tradições africanas...
É pelo medo. Ouvem falar de Jesus Cristo e dizem: "Se
calhar, a verdade está deste lado". Mas, depois, pensam: "Eu deixei
as minhas tradições e todos os velhos dizem que a verdade está na
tradição". Vivem nesta angústia, praticam sincretismo religioso. Nenhum
das religiões sacia a fome que têm de segurança, de certeza.
Há referências a crianças que são vendidas aqui e entram em
redes de tráfico com ligações à Rússia, à Ásia...
Na Save the Children, apareceu um homem para vender uma
criança. Queria vender para quê? Para ter dinheiro. A miséria é grande, então,
vende para prostituição, para escravatura, para o que for. Não sou tão tímido
que não ponha o dedo na ferida: há mil e um motivos... Falam numa casa que
seria cativeiro de meninos. A polícia foi lá e não encontrou evidências. É sempre
assim. A polícia não chega a nenhuma conclusão. É preciso lembrar que os
régulos do litoral é que iam buscar os escravos ao interior. A escravatura é um
facto ainda recente... Isso está no consciente.
Foi abolida há muito...
Ainda hoje existem tribos de vientes na província de
Nampula. O viente (aquele que veio) não pode ter uma sombra de cajueiro, uma
planta, ser proprietário. Existe um grupo que chegou primeiro, os senhores,
quando se lembra solta os cabritos para devastar as machambas dos vientes e
eles não podem reclamar. Nesse contexto, não custa nada o tal senhor ir buscar
um filho do viente para vender. Tranquilo, porque é um escravo.
Esta a falar dos macuas, o maior grupo étnico do país,
fixado, sobretudo, nesta zona?
Sim.
O que vale então uma vida?
Aqui? A vida é um farrapo. Mata-se uma pessoa como se mata
uma galinha. O pai com medo diz: "Não vale a pena ir à polícia, o meu
filho não vai ressuscitar, melhor acabar aqui mesmo, não sofremos mais".
Existe um atitude de resignação, de desespero passivo.
E é fácil aliciar uma criança?
A fome é tanta que um rebuçado basta. Nem é preciso. Querem
andar de carro, mesmo que depois tenham de fazer cinco quilómetros a pé, pela
alegria, pelo prazer. Depois de se ter começado a falar nisto, as crianças mais
conscientes já têm medo. Na minha pregação, estou sempre a alertar as famílias,
conforme a conferência episcopal. Quando desaparece uma criança, na casa não se
dorme até a encontrar.
Os meninos de rua é que não têm quem os procure...
Diminuíram! Porquê? Não sei. Talvez pelos alertas ou pelos
factos. A guerra acabou há 12 anos, o cortejo fúnebre não. A urna foi enterrada
num buraco, mas o cortejo - órfão, crianças de rua,
desempregados, famintos, doentes mentais - ainda não chegou lá. Nem sei se 50
anos serão suficientes.
Insert:
Mitológica é a crença comum, aqui, no chupa-sangue. O
chupa-sangue é o quê? O homem mais rico da aldeia no meio da população faminta,
magra. Acredita-se que tem poder de se transformar em vampiro e que, durante a
noite, chupa o sangue das pessoas, por isso é gordo. A população diz: matou o
pai ou o irmão ou o sobrinho e foi dar de comer aos peixes, por isso tem sorte
naquele lugar. Para a população local, não há nenhum rico que seja rico só... É
porque tem feitiço.
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WAMPHULA FAX – 30.03.2004
Cidadã
Encontrada Morta Em Mecubúri
SEM
ORGÃOS GENITAIS
- polícia deteve seis pessoas indiciadas do
crime
Seis cidadãos que
soubemos responderem pelos nomes de Ramos Jacinto, Xavier Maque, Bernardo
Rafael, Celito Baessa, Pedro Frederico e Jacinto Paulino, este último delegado
político da Renamo no distrito de Mecuburi, em Nampula, estão desde sexta-feira
última a contas com as autoridades policiais indiciados da morte de uma cidadã,
que em vida respondia pelo nome de Marta Paita, de 39 anos de idade, para lhe extraírem
órgãos genitais (vulva).
Xavier Tocole,
director da Ordem Interna junto do Comando Provincial da Policia da República, explicou
à nossa reportagem que do grupo dos presos fazem parte os alegados
intermediários do crime, isto é que aqueles que terão supostamente recebido
orientações de um “patrão” , cuja identidade se
desconhece, para “arranjar” um órgão genital feminino, e os executantes.
As investigações preliminares, levadas a cabo
pela policia, levaram à confissão dos executantes do
crime, que denunciaram terem sido contactados pelo delegado da Renamo ao nível
do distrito, o senhor Jacinto Paulino, para executarem o trabalho com a
promessa de receberem 10 milhões de meticais valor, que seria entregue na
próxima semana, segundo explicou Xavier Tocole.
Ainda ontem, o
gabinete de imprensa havia prometido mostrar publicamente os indiciados da morte
e extracção dos órgãos genitais de Marta Paita, facto que não passou de intenções
por razoes que não foram esclarecidas por Oliveira Maneque, chefe das relações
públicas do Comando da Corporação.
Segundo
soubemos, a morte da Marta Paita e seu filho de dois meses, este por razões que
se presume estarem relacionadas com a falta de amamentação, aconteceu na
passada segunda-feira na localidade de Milhane, que dista a cinquenta quilómetros
da sede do distrito, quando regressava do centro de saúde onde, de acordo com
dados avançados por alguns familiares e em poder da policia, tinha ido vacinar
o seu bebé.
Depois de
morta, os homicidas trataram de arrancar-lhe a vulva, trabalho que se diz ter
sido feito com mestria, que foi posteriormente entregue ao Jacinto Paulino,
para levar ao “patrão” que se sabe apenas ter vindo, na véspera do crime, da
cidade de Nampula.
Uma equipa da
Procuradoria da Republica já esteve no terreno para proceder os exames de
peritagem, que incluíram a exumação do cadáver para confirmar-se a extracção
dos órgãos, segundo soube a nossa reportagem da Policia.
Ainda ontem, a nossa reportagem apurou que os seis indiciados do crime de homicídio e extracção dos órgãos genitais de Marta Paita, já foram en