Tráfico de Órgãos em Moçambique (2)

Conheça aqui as principais etapas deste assunto

Luís David

Jornal Domingo em 18 de Janeiro 2004 
"A mentira tem campo aberto
Mais do que simples suspeita, o assassinato de crianças para extracção de órgãos parece confirmado. Órgãos que são, ou terão sido, objecto de tráfico internacional. Em Nampula, há dois estrangeiros, que, depois de detidos, estão em liberdade condicional. Acusados da prática do macabro negócio. Em Manica, três moçambicanos estão presos. Acusados de igual crime. Quem confirma a situação dos cinco, é o Procurador-Geral da República. Em pessoa e publicamente. Mas, o assunto há muito ultrapassou as fronteiras moçambicanas. Foi e é tema de destaque em órgãos de Informação de diferentes países. Esta semana, chegou, mesmo, ao Parlamento Europeu. Aí levado por um deputado português. Simples cabala, manobra política para denegrir o país Moçambique, ou honesta preocupação para esclarecer uma situação que, a todos, deveria preocupar? Fica a dúvida. Muito embora a última pareça a hipótese mais aceitável. Mais credível.

Registemos que, cá, entre nós, a questão do hipotético tráfico de órgãos de crianças tem merecido pouca atenção. A nível da Informação, salvo honrosas excepções, pouco terá sido dito. Pouco terá sido investigado. E, gostem ou não os jornalistas de hoje, há casos semelhantes, idênticos, noticiados, tornados públicos, passam mais de vinte e cinco, trinta anos. Os contornos dos factos relatados nesse então, eram, em tudo, idênticos aos de hoje. A grande diferença está em que, nesses anos idos, se partia para a investigação com a mais completa neutralidade. Mas, com a certeza de que se estava a caminhar num terreno movediço. Com a convicção, assumida, de que a mitos e ritos poucos são os que tem acesso. Enquanto, hoje, não só não se investiga coisa nenhuma, como se comenta sobre o que não se conhece. Ou, conhece mal. Vá lá a gente procurar saber porquê. Ninguém diz, ninguém quer dizer. Então, sendo, como parece ser, provado, que há crianças que foram mortas para lhes extraírem órgãos, qual o motivo porque se tenta, insistentemente, tentar provar que tudo não passa de um cabala. De um conflito pessoal. De uma mentira. De uma questão intestinal. Indo mais além, de um conflito racial ou, se assim se quiser colocar a questão, étnico-religioso. Aparentemente, estamos a ir longe demais por falta de coragem. Está a faltar a coragem para fazer investigação e aceitar os resultados da investigação. Enquanto tal não acontecer, a mentira tem campo aberto.

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SINAIS
Os crimes de Doraci e JulianaSinais
Em Nampula, ninguém duvida que ela pagou o preço mais alto não por saber mas por saber demais e não ter silenciado.Os antecedentes recentes deixam pairar a ideia de que foi demais o que ela disse saber, a respeito de homicídios, rapto de menores e tráfico de órgãos humanos. Que é demais saber tanto. Ter visto tanto. Saber os nomes dos oficialmente apenas suspeitos. Quem tanto sabe, torna-se suspeito do crime de saber.


10:48
27 de Fevereiro 04


Fernando Alves

 

http://tsf.sapo.pt/online/internacional/interior.asp?id_artigo=TSF141958

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AFONSO DHLAKAMA QUER QUE SEJAM APROFUNDADAS AS INVESTIGAÇÕES SOBRE TRÁFICO DE ÓRGÃOS HUMANOS
TVM - 2004/03/01 - 13:45

O líder da RENAMO, Afonso Dhlakama pede às autoridades judiciais moçambicanas, com a Procuradoria-Geral da República à cabeça, para aprofundarem as investigações sobre o alegado tráfico de órgãos humanos, em Nampula. Para o líder da oposição moçambicana, as denúncias populares são muito sérias. Afonso Dhlakama considera que o relatório preliminar da Procuradoria é um sinal de que o caso vai ser encerrado.

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Freiras de Nampula Acusam Polícia de Inacção
PUBLICO
Por ANTÓNIO MARUJO
Terça-feira, 02 de Março de 2004


Três crianças resistiram ao aliciamento de "uma pasta bonita" e, com isso, talvez tenham evitado o rapto por uma rede de tráfico de crianças e de órgãos que, de acordo com as denúncias de freiras católicas e de várias Organizações Não-Governamentais, tem operado na zona de Nampula (Moçambique).

O caso foi relatado ao PÚBLICO por Maria Juliana Aviño, prioreza do convento Mater dei, das irmãs Servas de Maria, cuja congregação tem estado na primeira linha das denúncias e agora acusam a polícia de não

investigar como deve.

No caso dos três meninos de rua que resistiram à proposta e estavam para ser levados por um carro de vidros escuros, houve quem conseguisse ver a matrícula do veículo. Mas, de acordo com a irmã Juliana, nem tudo acabou em bem, nos últimos 15 dias, com a notícia do desaparecimento de várias crianças: três foram levadas na mesma altura e ninguém sabe o paradeiro delas, de uma quarta falta confirmar o lugar do cativeiro, uma outra menina de três meses foi levada por um casal, que também tentou raptar um rapaz de oito anos, que, no entanto, conseguiu fugir.

Há também informação de um caso em que um miúdo, depois de três semanas retido numa casa de vizinhos - que serviriam de intermediários -, conseguiu escapar. Tudo isto sucede nos bairros pobres à volta do centro de Nampula, em zonas próximas do mosteiro das Servas de Maria.

Os elementos recolhidos pelas irmãs já chegaram, também, ao conhecimento das autoridades. Mas a irmã Juliana Aviño confessa o seu desapontamento com a polícia e o sistema judicial, depois de a Procuradoria-Geral da República (PGR) moçambicana ter feito saber, na semana passada, que não tinha indícios nenhuns de que existisse tráfico de órgãos em Nampula.

"É injusto negar o que é evidente", diz a freira. "Havia muitas pistas para descobrir a rede, mas a polícia não faz muito", acusa. "É muito cansativo andar a reunir informação, ter que responder sobre isso e ver que, no fim, é tudo quase igual a zero."

A mesma sensação de desapontamento tem o padre Claudio Avallone, do Secretariado Justiça e Paz dos Servos de Maria, o ramo masculino da congregação religiosa da irmã Juliana. Em Nampula há mais de duas semanas, Avallone pôde verificar, como diz ao PÚBLICO, a "frustração das irmãs e do povo" com a inoperância das autoridades e a declaração da PGR.

"Não se pode confiar na justiça", afirma. E, numa informação enviada de Nampula, o padre Claudio conta que "um dos casos mais terríveis continua por esclarecer". "Um homem teria ido a casa de uma mulher, dizendo ser o primo do marido e pedindo ajuda aos quatro filhos para o ajudarem a transportar as malas e bagagens até ao aeroporto. Nem o homem nem as crianças voltaram a ser vistas. Quando a mulher percebeu que os quatro filhos tinham desaparecido, teve um ataque de coração e morreu."

Pressões internacionais

Claudio Avallone conta que "as irmãs têm fotos, gravam a voz de quem denuncia", a situação tem continuado igual, com a diferença de que, nos últimos dias, o ambiente "acalmou" um pouco. Talvez pela repercussão e pelas pressões internacionais que começam a existir, admite.

Quando regressar a Roma, daqui a uns dez dias, o padre Avallone diz que irá dar conta do que viu e sentiu à sua congregação. E também espera que, a nível local, os responsáveis da Igreja façam ouvir mais publicamente a sua voz. Depois da declaração da PGR, o bispo de Nampula, D. Tomé Makweliha, foi à Beira falar com D. Jaime Gonçalves, "Mas é preciso escolher claramente de que lado a Igreja se coloca", diz o padre Avallone, que espera encontrar-se ainda com o bispo antes de regressar a Roma.

A nível internacional, os padres Servos de Maria irão promover abaixo-assinados para enviar ao Governo moçambicano, à Organização das Nações Unidas e ao Parlamento Europeu, de modo a pressionar as autoridades no sentido de investigar o que se passa em Nampula.

Corpo de Doraci Edinger Segue Hoje para o Brasil

O corpo de Doraci Edinger, a missionária protestante brasileira assassinada na semana passada em Nampula, deverá ser trasladado hoje mesmo para o Brasil depois de terem sido avaliados os resultados da autópsia efectuada na sexta-feira. De acordo com as averiguações iniciais, a missionária da Igreja Evangélica de Confissão Luterana terá sido morta sem ter havido violência sexual nem roubo. Três golpes de martelo terão sido suficientes para matar a missionária e a polícia investiga agora uma pista relacionada com desvios de fundos no interior daquela Igreja, que já afectara antes a sede dos luteranos em Maputo. Isaura Sheila, funcionária da Igreja Evangélica de Confissão Luterana em Maputo, confirmou, em declarações à agência Lusa, a situação de desvio de fundos ocorrida nos últimos anos, tendo adiantado ter sido movido um processo-crime contra o suspeito. Aquela funcionária disse saber de queixas apresentadas por Doraci sobre a situação financeira da Igreja Luterana em Nampula, que, nos últimos tempos, terá levado à intervenção da secção luterana brasileira, que assumiu as despesas com o aluguer do apartamento da missionária.

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Recolhido de um grupo MSN da net:

 

Chegou ontem de Nampula o fotógrafo e jornalista Carlos Alberto, filho do grande jornalista fotográfico Carlos Alberto, que fez parte de uma equipa de jornalistas liderada por um jornalista Italiano:

 

Depois das investigações , chegaram as seguintes conclusões:

 

1 º  Não põem de lado o comercio de órgãos humanos, mas distanciam-nos dos corpos mutilados e encontrados em locais demasiado visíveis, considerando que se trata de uma manobra de diversão para desviar a atenção dos motivos que estão por trás daquelas mortes, que segundo eles podem ser droga e cerimonias religiosas dentro e fora de Moçambique.

 

2 º As freiras que fizeram a denúncia, tem uma relação de 53 crianças suas protegidas desaparecidas em 2003 . Estes desaparecimentos aliados a diminuição dos meninos da rua, podem ter tido como destino o tráfico de órgãos, pedofilia e outros fins.

 

3 º A Freira assassinada em Nampula, nada tem haver com as denuncias feitas, era uma freira Luterana, que descobriu os autores de vários roubos na sua congregação e foi esse o móbil do crime.

 

4 º O casal Sul Africano que tem sido acusado, caiu em desgraça por ter ocupado terras das populações e vive no momento sobre um autentico barril de pólvora.

02.03.2004

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VERTICAL – 03.03.2004

DIALOGANDO

por João CRAVEIRINHA email: joaocraveirinha@yahoo.com.br

 

 

IN MEMORIAM DE DORACI (1) TICO DJI BOLILE…À KÉ HÉ NÁ NAU

(O PAÍS CAIU NA PODRIDÃO. NÁO HÁ MAIS RESPEITO)

PROVÉRBIO RONGA DE MAIS DE 100 ANOS

 

Edoraci Julieta Eger, mais conhecida por Doraci Edinger, foi assassinada em Nampula no dia 23 de Fevereiro de 2004. Pertencia à Igreja Evangélica da Confissão Luterana de Moçambique. Tinha 53 anos e nascera na cidade gaúcha de São Leopoldo segundo o Jornal – O Estado de São Paulo – Brasil e pela Agência Brasil órgão oficial do governo brasileiro de 5ª feira, 26 Fevereiro 2004.

Bem (mas neste caso muito mal), para um/a leitor/a desatentos diriam e depois? Com tantos assassinatos em Moçambique é mais um infelizmente. Mas este caso estaria conotado com o tráfico de órgãos humanos em Moçambique como parte de uma rede mundial e em particular no desaparecimento de crianças. Números oficiais já vão em 53 crianças desaparecidas?

 

Doraci era natural do Brasil um dos países de crime organizado mais virulentos do mundo. Mas morreu de morte matada e anunciada e não numa das 120 favelas perigosas do Rio de Janeiro, nem numa avenida paulista (cidade de São Paulo). Foi em Moçambique que lhe mataram. País neste momento “nas bocas do mundo”. Até a cantora canadense Celine Dion já sabe deste macabro assunto. Sensível talvez por ser proveniente de uma família de 14 crianças no interior do Quebec, Canadá. Incrível aonde isto já chegou. Celine Dion já vendeu mais de 100 milhões de álbuns musicais no mundo e não sabia onde ficava Moçambique. Soube agora… pela desgraça.

 

Não há neve em Moçambique mas esta bola de ganância e crime está crescendo em proporções diabolicamente assustadoras. O General CHAOS invadiu Moçambique. Voltamos aos tempos de Gazanculu e do Macombe e do Bonga da Cruz e do Guiguisseca! O que virá a seguir? E o silêncio dos grandes da Terra??

O Bispo da Beira, D. Jaime Gonçalves em entrevista à RTPÁfrica em 27 de Fevereiro 2004, acrescentaria que esses indícios de tráfico de órgãos humanos, raptos e amputações seriam extensivos a todo o país e não só a Nampula. Bem, outra vez mal, não é consolo Nampula não ter o exclusivo, o que é pior do piorio. O Procurador-geral adjunto Rafael Sebastião na mesma Televisão em 23/02/04 diria não haver provas…e em 27/02/04, o Procurador-geral Joaquim Madeira, seria muito impreciso nesta matéria. Mesmo muito impreciso. Na entrevista áudio escutada na Rádio Renascença – emissora católica portuguesa e radiodifundida via satélite em todo o mundo, poderíamos ouvir o Superior da Igreja Evangélica Luterana, Walter Waltman, dizer… a autópsia não revelar violência sexual. E que o móbil do crime também não indicava roubo visto os pertences da missionária que vivia sozinha não terem sido mexidos…Doraci Edinger, teria sido vítima de ameaças de morte anteriormente…A cronologia mais recente destes macabros eventos teria início em 22 de Fevereiro deste ano: - Freira católica brasileira Maria Elilda dos Santos denuncia desaparecimento de crianças em Nampula e corpos mutilados de pessoas para “negócio” de tráfico internacional de órgãos humanos. Sobre esta matéria, mais documentada, consultar site www.macua.com/temp/traficoorgaos.html  um site (saite - local na Internet) muito completo e actualizado sobre Moçambique com possibilidade de interlink. Para os que não tem acesso à Internet eis alguns dados datados de 28 Fevereiro: - Detidos 5 elementos pela Polícia de Nampula – 2 são guardas do prédio onde vivia a malograda. 3 Dos detidos são da Congregação da missionária Doraci, detidos por…”obstrução à justiça”…pois haviam transferido sem autorização o corpo da missionária da casa mortuária do Hospital civil para o Hospital militar que possui câmara frigorífica…”Seja como for tinham de informar a polícia e suspeitamos que por trás disso exista mais qualquer coisa”…são frases atribuídas a Xavier Roberto Tocoli, director da Ordem Pública da PRM – polícia de Nampula.

Entretanto através do WAMPHULAFAX um tal casal europeu Gary O’Connor, estaria indiciado no rapto de menores na cidade de Nampula. São donos do projecto de processamento de frangos para exportação denominado GETT, Ltda. Por possuírem congeladores industriais seriam suspeitos de os terem concebido para a conservação de órgãos humanos depois de extraídos. Utilizados actualmente para a conservação de frangos. Anteriormente este projecto entrara em conflito de terras com a população local pois o terreno onde se encontra localizado teria sido eventualmente expropriado. O projecto do negócio dos frangos foi orçado em 1 milhão de dólares EUA e financiado pelo GAPi – Gabinete de Promoção de Investimento na cidade de Nampula. Criados 30 postos de trabalho.

 

No prosseguimento desta tragédia desmentida por uns e confirmada por outros há a acrescentar que as Rádios locais de Nampula – RM e a Rádio Encontro católica, teriam recebido cartas da Polícia de Investigação Criminal de Nampula, PIC provincial, datadas de 11 e de 18 de Fevereiro 2004, respectivamente. As cartas “exigiriam” a divulgação de suas fontes jornalísticas. Esse pedido policial vinha no sentido de “ facilitar as investigações”. Segundo consta, as Rádios teriam declinado o pedido invocando o artigo 30º da Lei de Imprensa, do Direito dos Jornalistas ao SIGILO PROFISSIONAL que no fundo é uma protecção às fontes e divulgar os nomes iriam expô-las sabe o diabo mais a quê. Coragem tiveram elas em falar. As cartas estariam assinadas pelo director da PIC provincial, Eugénio Balane com visto do Comandante Provincial José Weng San e distribuídas para conhecimento do Governador Provincial o médico Abdul Razak , do Procurador chefe e do Juiz Presidente do Tribunal Judicial de Nampula…(Continua).

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RADIO RENASCENÇA

Moçambique: Tráfico de órgãos pode estender-se a outras províncias

Oito representantes da Igreja moçambicana admitem que existe tráfico de órgãos e de crianças em Nampula garantem que esta situação pode estender-se a outras cidades e províncias do país.

02/03/2004

 

 

(10:55) O "Diário de Notícias" teve acesso a uma carta entregue aoPresidente da República, Joaquim Chissano, onde o Conselho Permanente da Conferência dos Institutos de Religiosos e Religiosas de Moçambique insurge-se contra a apatia das autoridades perante os indícios que apontam para uma eventual rede.

Os religiosos foram ontem recebidos por Chissano, que se comprometeu a tudo fazer para que a situação seja esclarecida.

No dia 13 de Setembro, numa denúncia assinada por vários religiosos, foram divulgados acontecimentos estranhos e preocupantes ocorridos na cidade de Nampula. Essa denúncia foi levada à Conferência Episcopal de Moçambique, que decidiu apresentar o problema ao Presidente da República, Joaquim Chissano.

Segundo a carta, a reacção das autoridades às denúncias deu-se em cinco frentes, no sentido de abafar ou esvaziar o conteúdo das mesmas.

"- A negação apressada das denúncias: em Nampula, nunca houve nem há desaparecimento de crianças ou tráfico de órgãos. As autoridades negaram-se a investigar os locais denunciados de sepulturas com pessoas a quem tinham sido retirados órgãos.

- A admissão da existência de cadáveres mutilados, mas por feitiçaria.

- As denúncias não passavam de uma tentativa para indispor a população das vizinhanças do Convento, supostamente católica, contra o governador da Província de Nampula que é muçulmano.

- A tentativa de desacreditar as denúncias e em particular Maria Elilda dos Santos. As autoridades locais, longe de verificar a veracidade das mesmas, limitaram-se a descrevê-la como desequilibrada e instigadora de revoltas na população.

- A tentativa de reduzir as denúncias a uma ambição das Irmãs Servas de Maria sobre o terreno do casal de estrangeiros denunciado, contíguo ao mosteiro.

É inegável a existência de um tráfico de órgãos a actuar na África do Sul. Em Novembro passado, a polícia federal do Brasil, em colaboração com a polícia da África do Sul, conseguiu chegar a uma quadrilha que actua em Durban e que alicia pessoas no Brasil para a compra de um dos rins. Alguns brasileiros em posse de três mil dólares foram presos no aeroporto de S. Paulo, no regresso da África do Sul. A televisão mostrou as suas incisões cirúrgicas, por onde um dos rins tinha sido retirado. Como não pensar o que essa quadrilha poderá fazer num país vizinho como Moçambique?

O assassinato da missionária brasileira da Igreja Evangélica, Doraci Edinger, morta talvez a 21 mas só encontrada a 24 de Fevereiro, com muitos mistérios, aumenta as nossas interrogações."

No final da missiva - datada de 29 de Fevereiro - dizem: "É importante vigiarmos as «nossas» crianças, mas também aquelas que são de «ninguém» e que usam os semáforos e as esquinas como morada. Embora o foco seja em Nampula, nada nos garante que não se passa o mesmo em outras cidades e províncias".

 

Alegado tráfico de órgãos em Nampula - Juiz recomenda prudência no uso de informações
2004/03/02

O ano Judicial na capital provincial de Nampula iniciou ontem no meio de uma controvérsia que deixa sem sossego os citadinos e outros sectores da vida nacional: os rumores segundo os quais opera naquele ponto do país uma rede de tráfico de órgãos humanos e crianças.

 

 

 

No discurso que marcou a abertura solene do ano judicial em Nampula, o juiz-presidente do Tribunal Judicial, Hermenegildo Jone, recomendou aos magistrados ali afectos muita prudência no consumo das informações relativas ao caso, pois, segundo ele, ainda não estão claras as verdadeiras motivações e objectivos dos indivíduos que as fazem circular.

Hermenegildo José disse ainda na sua alocução que a sua instituição garante ás populações da província de Nampula que serão levados à barra do tribunal todos os indivíduos que vierem a ser indiciados como sendo actores daquelas práticas, `sejam eles quem forem e o que forem´.

O pronunciamento do magistrado surge na sequência de várias notícias que sugerem uma certa apatia dos órgãos da administração da Justiça local no tratamento adequado das denúncias que até agora foram proferidas pela irmã Elilda Santos, do mosteiro Mater Dei, nos arredores da cidade de Nampula.

Entretanto, a Bancada da Frelimo na Assembleia da República defende que os criminosos no caso do tráfico de órgãos humanos, sejam eles quem forem, devem ser julgados e condenados pela medida justa. O chefe daquele grupo parlamentar, Manuel Tomé, exortou ontem, num discurso por ocasião da X sessão ordinária da AR, às autoridades judiciais e policias para que ajam no máximo de rigor e profissionalismo, prossigam e aprofundem as investigações no tempo que for necessário, com a recolha de provas que não deixem margem para dúvidas e tragam a verdade a público.

Por outro lado, o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, instou ontem o Estado moçambicano a colocar no terreno os meios disponíveis para levar a cabo uma investigação rigorosa e credível que apure a verdade sobre os casos de tráfico de órgãos humanos na província de Nampula.

Disse ainda que espera levar ao Parlamento, através dos deputados na coligação Renamo-UE, a proposta da criação de uma comissão `ad-hoc´ para investigar e apurar a verdade sobre este caso...

fonte: NOTÍCIAS

WAMPHULA FAX – 02.03.2004

Assassinada em Nampula

CORPO DA LEIGA VAI HOJE PARA O BRASIL

 

A transladação do cor­po da leiga da igreja Luterana Edoraci Julieta Edger, encontra­da sem vida na sua residência no passado dia 24 de Fevereiro, vai acontecer ainda hoje, segundo as­segurou ao nosso jornal uma fonte ligada aquela congregação religio­sa. O corpo parte hoje de Nampula para Maputo e posteriormente para o Brasil, sua terra natal,

Pelo mundo fora a notícia do assassinato da irmã continua a correr, suscitando enorme repulsa e consternação. O nosso jornal tem vindo a receber e-mails de vários países europeus e america­nos tentando apurar mais informa­ções detalhadas sobre o assunto, sobretudo porque se pensa que a morte esteja ligada a denúncia do tráfego de crianças e órgãos hu­manos, despoletada em Nampula, igualmente por uma leiga.

No ultimo fim de semana de­sembarcaram em Nampula vários jornalistas estrangeiros que vem acompanhar de perto o alegado trafico de crianças e órgãos huma­nos.

Até ontem, o número de pes­soas detidas pela polÍcia em cone­xão com o assassinato da leiga Edoraci era de seis. Dois destes são os guardas do prédio onde residia a vitima e os outros quatro são membros da igreja Luterana que transferiram o corpo da vítima da morgue do Hospital Central para o Hospital Militar sem autori­zação das autoridades policiais quando se aguardava pela autóp­sia.

         Fontes próximas dos detidos diz que estes apenas queriam salva guardar a corpo da vítima uma vez que a mor­gue do Hospital Militar tem me­lhores condições de congelamento do que a do Hospital Central.

          Por seu turno, os serviços soci­ais do Hospital Central de Nampula dizem que não conheciam o princi­pal responsável pelo corpo e não estavam informados da autópsia.

 

Nós não conhecíamos o principal responsável do cor­po, e porque as câmaras frigo­ríficas não oferecem condições concluímos que havia necessi­dade, de facto, de transferi-lo para um outro local mais ade­quado, esclarecem os serviços sociais.

      Os resultados da autópsia confirmam que a vitima foi assas­sinada cerca das oito horas do dia 21 de Fevereiro, com golpes na cabeça desferidos por um objecto contundente (eventualmente o martelo encontrado no local do crime). Segundo ainda a autopsia, a vitima não apresentava qualquer sinal de violação.

A polícia diz que o número de detidos pode vir a subir nos próxi­mos dias uma vez que se suspei­ta do envolvimento de mais pes­soas neste crime macabro.

A PRM continua a aliar o cri­me a um eventual desfalque de­tectado na congregação pela lei­ga, envolvendo alguns membros, situação que eventualmente seria denunciada numa reunião a ter lugar na cidade da Beira, wf

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CORREIO DA MANHÃ

 

2004-03-03 00:00:00
Nampula - Tráfico de órgãos agita Moçambique
AQUI, A IMPRENSA JÁ PERDEU O MEDO

O cada vez mais complicado caso do tráfico de órgãos está a agitar Moçambique, sobretudo depois de representantes da Igreja terem admitido que a crise existe e de o Conselho Permanente da Conferência dos Institutos de Religiosos e Religiosas terem escrito uma carta ao presidente Joaquim Chissano, insurgindo-se contra a apatia das autoridades.

arquivo cm

 

As crianças moçambicanas estão na mira dos traficantes de órgãos

Um clima de suspeição e desconfiança que foi sublinhado pelo padre Arlindo Pinto. Mas o missionário comboniano, há sete anos no país, revelou ao Correio da Manhã algum optimismo, considerando que o momento é de viragem na Comunicação Social moçambicana, que, finalmente, “perdeu o medo”.

“O grande elemento novo que surgiu nos últimos dias é que a Imprensa moçambicana perdeu o medo. Antes, tocavam ou mordiam o isco, mas não deitavam nada cá para fora. Agora, começaram a fazê-lo, com todas as letras”, afirmou aquele missionário em Nampula, contactado pelo CM. O sacerdote católico confirmou a existência de “casos de crianças desaparecidas e pessoas assassinadas”. “Algumas foram enterradas depois de ter sido consumado o homicídio, enquanto os cadáveres de outras foram deixados à superfície”, referiu. No entanto, o padre Pinto ressalvou que ainda não é possível saber, verdadeiramente, “quem está por detrás” e as verdadeiras razões dos crimes.

Aliás, o missionário Arlindo Pinto diz saber que “as pessoas que estão mais próximas dos acontecimentos” garantem que a questão tem sido abordada de forma “muito superficial e apressada”.

CASAL SUSPEITO

“Trata-se de um caso de Polícia e da alçada da Procuradoria-Geral, que estão ambos em cima dos acontecimentos, já que enviaram várias equipas de investigação para o terreno”, afirmou, para logo em seguida tecer críticas à forma como a questão tem sido tratada: “Muitos políticos – e a própria Polícia – só agora é que estão preocupados com o caso, após terem sido pressionados por esta vaga internacional e nacional”. “ Eu não sou polícia...”, adiantou ainda, quando questionado sobre um casal – ele sul-africano, conhecido como o Branco, ela dinamarquesa – que, alegadamente, tem sido apontado como o “líder” do desaparecimento de crianças e tráfico de órgãos humanos. Todavia, afirmou que “não é só o casal, mas uma rede”. O referido casal – que já foi detido e libertado – habita numa fazenda, concedida pelo Estado, em Nampula.

Aliás, o Conselho Permanente dos Institutos Religiosos, que apelou a um jejum, no dia 24, em memória das vítimas, afirma que o referido casal está por detrás da tentativa de venda, por um jovem, Dionísio da Silva Armindo, de uma criança de nove anos pela quantia de 3200 euros. Os responsáveis católicos voltam a afirmar que têm sido alvo de várias ameaças e intimidações .

MISSIONÁRIOS DESCONFIAM DA ISENÇÃO DAS AUTORIDADES

Entre os missionários e as missionárias da região de Nampula é convicção geral que este tipo de tráfico de órgãos humanos não só existe há muito tempo, como continua no momento presente, pelo que estes religiosos não confiam totalmente na seriedade e isenção das autoridades locais.

Quem o afirma é um missionário do Espírito Santo, padre Manuel Durães Barbosa, director das Obras Missionárias Pontifícias em Portugal, com íntimas ligações à Santa Sé através da Congregação da Evangelização dos Povos. O padre Barbosa, actualmente secretário da Comissão Episcopal das Missões, afecta ao Episcopado português, afirmou ainda que “tem acompanhado, com apreensão, as denúncias das irmãs brasileiras” e lamenta o facto de as autoridades de Nampula não terem sido até agora “mais eficientes”. Importa sobretudo sublinhar – acrescentou o missionário – o facto de a Igreja, a nível do Episcopado de Moçambique, ter lançado “um apelo muito forte ao governo para que o assunto seja levado mais a sério, devido à sua revoltante gravidade”.

VERTICAL – 05.03.2004

DIALOGANDO

por João CRAVEIRINHA email: joaocraveirinha@yahoo.com.br

 

 

IN MEMORIAM DE DORACI (2)

uáMPULA  MASSIKHINI

(Pobre Nampula)

 

 

A COMUNICAÇÃO SOCIAL moçambicana está de parabéns pela cobertura sem medo denunciando o alegado TRÁFICO DE ORGÃOS HUMANOS E DO DESAPARECIMENTO DE CRIANÇAS DESFAVORECIDAS. As mulheres e homens das Rádios e correspondentes da imprensa na capital do Norte de Moçambique – Nampula, estão na primeira trincheira neste momento, na denúncia e busca de fontes sobre o tráfico de órgãos humanos.

Há gente que alega, os corpos mutilados serem utilizados para feitiçaria…De facto esta Democracia imposta está a ter preços muito altos para a sociedade em Moçambique com a banalização da vida humana. Se do colonialismo se passou para o marxismo socialista, posteriormente, seria dado outro salto fatal para uma democracia atamancada, despreparada sem rede por baixo – conduzindo a um liberalismo total e indisciplinado e sobretudo desumano.

 

Nampula longe do poder central de há muito que estava entregue à sua sorte …Antes, na rota da droga do Paquistão (e Dubai!?), via Nacala para Nampula cidade, além de Inhambane e Maputo. Os baronetes indianos de Moçambique em ligação com os paquistaneses da droga. É do conhecimento público nacional e internacional. Com a questão da Al Qaeda – e da Fraternidade muçulmana envolta nos negócios é um tema por demais abordado das guerras do Afeganistão nas revistas e nas Televisões mundiais…Moçambique surge nesses mapas de redes mundiais da droga. Como se isso não bastasse…temos agora os alegados desaparecimentos de pessoas para extracção de órgãos. POBRE NAMPULA – uáMPULA MASSIKHINI!!

 

No caso da missionária DORACI, é possível que tenha sido vítima de efeitos colaterais da desumanidade que grassa em Nampula da ganância do dinheiro e eventualmente o seu assassínio não tenha a ver com o tráfico de órgãos humanos mas os requintes de brutalidade premeditada de lhe esmagarem a cabeça a martelo revela ao que se chegou em Nampula e de maneira geral em todo o país. Ela será um paradigma do martírio do sacerdócio em terras africanas de Moçambique. DORACI estava de abalada para o seu Brasil natal com muitas mágoas na alma por deixar uma Terra que fez sua.

 

Nampula se fez do nada com descendentes de famílias mestiças antigas do vale do rio Zambeze, população local macua, uns ou outros caboverdianos e ainda colonos portugueses. Famílias respectivamente de Morrumbala e de Tete. Teriam migrado para a região depois do Tenente português Neutel de Abreu, ter edificado o posto militar de Nampula em 22 de Novembro de 1907 vindo de uma anterior comissão em Angola e de São Tomé e Príncipe em 1895. Com soldados da 5ª Companhia portuguesa do posto de CORRANE e homens disponibilizados pelo Rei nativo da região da macuana, o poderoso MUCAPERA, é construído o posto de Nampula…” num local formosíssimo, a 440 metros de altitude, onde hoje se encontra o quartel das forças militares. Lá longe, alargava-se a beleza extrema da floresta e, ao sul, a recortar-se no espaço, a serra Mihôvo, que se assemelha ao rosto e corpo de um negro. Sobre o verde-escuro das serranias, o céu, no entardecer, tingia-se de escarlate”…(in biografia de Neutel de Abreu por Manuel Ferreira, Lisboa 1946). O Rei Mucapera aliado dos portugueses contra Faralay do tráfico de escravatura na região costeira de Nampula. O Rei de toda a macuana, faleceria de velhice em 30 de Outubro de 1932. Nampula como muitas regiões despovoadas e doentias, onde os portugueses edificaram postos militares, à posteriori, seriam transformados em povoações, vilas e cidades. No início de seu povoamento geográfico, seriam autênticos cemitérios de doenças palúdicas ou maláricas e cólera, pois careciam de todo o tipo de infra-estruturas de saneamento e sobretudo de água potável e de peixe (iodo) que chegava da costa (Lumbo) a cerca de 190 km misturado ainda com areia da praia para o conservar mas em vão, visto o péssimo estado impróprio para consumo. Em 2004 a cidade de Nampula parece ter regressado ao passado de há quase 100 anos atrás...São os traumas transgeracionais deixados pela escravatura em Nampula e na costa, e ainda da feitiçaria que regressam também em força em rituais de magia negativa.

 

Que mais esta morte violenta em Moçambique, não passe impune. Que a indignação e a denúncia cresçam. Só quando os verdadeiros mandantes forem expostos e condenados, aí sim, Moçambique entrará na idade da maturidade política através de seus dirigentes!

 

SE O CÉU EXISTE, ENTÃO LÁ, UM CORO DE SERES ANGELICAIS, ESTÃO ENTOANDO UM REQUIEM PARA DORACI. E O TRAQUINA DO MOZART, TOCANDO ORGÃO!!

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RADIO RENASCENÇA

 

Moçambique: Irmã Elilda dos Santos não retira uma vírgula

A Irmã Elilda dos Santos continua a denunciar crimes de tráfico
A Irmã Elilda dos Santos continua a denunciar crimes de tráfico

A falta de observadores internacionais para dar credibilidade às investigações continua a ser uma das críticas da irmã Elilda dos Santos.

04/03/2004

 

 

Um trabalho do jornalista Domingos Pinto

 

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(19:08) Esta religiosa espera uma nova postura das autoridades moçambicanas e, quanto a apoios, tem garantida a disponibilidade da Comissão Justiça e Paz da Igreja Católica brasileira para colaborar neste processo.
 
"Eu já pedi, desde o primeiro processo de investigação, já solicitei essa possibilidade, para termos essa segurança. Foi negada. Agora, aparece que há possibilidade. Por nossa parte, continua de pé a oferta do Brasil, da Comissão Justiça e Paz da arquidiocese que se colocou à nossa disposição".
 
A par da ausência de observadores internacionais está o silêncio do mundo, diz a irmã Elilda dos Santos, que tem informações que apontam para o recomeço das investigações.
 
Esta religiosa não retira uma palavra às declarações feitas ontem à Renascença, onde dizia temer pela vida do Procurador-Geral da República de Moçambique.
 
Uma reacção a uma outra entrevista também à Renascença de Joaquim Luis Madeira que dizia, por sua vez, sentir-se seguro e nada ameaçado.
 
A irmã Elilda dos Santos está neste momento em Nampula, onde tem acompanhado, desde ontem, mais um caso denunciado à Polícia local.

 

Moçambique: Procurador Geral da República corre risco de vida

Elilda Santos, a missionária brasileira que tem denunciado o alegado tráfico de órgãos de crianças em Nampula, lança o alerta: o Procurador Geral da República (PGR) corre risco de vida.

04/03/2004

 

 

Ililda Santos

 

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(11:11) A religiosa diz que Joaquim Madeira corre risco de vida por insistir na investigação do caso. "Temo pela vida do Procurador Geral da República (...) faço um apelo, pois [ele] precisa de todo o apoio".

Segundo a religiosa, várias crianças pobres foram mortas, em Nampula, com o objectivo de lhes serem extraídos órgãos, como o coração, os pulmões ou os rins, alegadamente por uma rede de tráfico comandada por um sul-africano ali estabelecido, conhecido por "Branco".

O PGR mandou exumar esses cadáveres e os investigadores concluíram que os corpos não apresentam qualquer evidência de que tenham sido mutilados. Devido a esta investigação, já tornada pública, Joaquim Madeira afirmou não poder estabelecer-se uma ligação entre essas mortes e um eventual tráfico de órgãos nesta província do Norte de Moçambique.

Em declarações à RR, Elilda Santos relata também as estranhas circunstâncias do alegado rapto de mais uma criança.

É mais uma situação pouco clara em Nampula, de onde saiu ontem o corpo da missionária luterana brasileira, recentemente assassinada. Elilda Santos garante que o homem envolvido nos alegados crimes estava a bordo do avião.

"Tive uma surpresa forte, quando vi embarcar no voo o assassino muito perigoso", disse à RR a religiosa, acrescentando que ele está escondido atrás do poder político e económico, por isso não pode revelar a sua identidade.

As autoridades moçambicanas prosseguem as investigações à morte da missionária. Segundo   seu superior que ontem regressou ao Brasil, o corpo foi autopsiado duas vezes e não haverá indícios de violação ao contrário do que foi inicialmente avançado.

 

Moçambique: Procurador Geral não se sente ameaçado

Suspeitas de de tráfico de órgãos humanos em Moçambique sob investigação
Suspeitas de de tráfico de órgãos humanos em Moçambique sob investigação

Relativamente às investigações de alegado tráfico de órgãos, o Procurador Geral da República (PGR) de Moçambique diz que está tranquilo e não se sente ameaçado.

04/03/2004

 

 

Joaquim Madeira

 

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(12:52) Joaquim Madeira reage assim ao alerta da freira brasileira que denunciou os alegados casos de tráfico de órgãos humanos, em Nampula.

Elilda dos Santos disse, em declarações à Renascença, que o PGR moçambicano corre risco de vida por estar a investigar o caso.

Também à RR, Joaquim Madeira declara-se tranquilo: "Não senti em algum momento risco de vida, até porque quem está no terreno são os meus quadros. Mesmo quem esteve no terreno, não me parece que tenham sentido alguma perseguição específica que ponha em risco a sua vida".


O Procurador moçambicano garante que as investigações sobre o caso de alegado tráfico de órgãos em Nampula está a seguir o curso normal. Joaquim Madeira revela, contudo, que para já não há novos desenvolvimentos.

 

Moçambique: Bispo lamenta inacção da comunidade internacional

O Bispo lamenta que não tenham ido ao território observadores internacionais
O Bispo lamenta que não tenham ido ao território observadores internacionais

O Bispo de Nampula denuncia a inacção da comunidade internacional no caso do alegado tráfico de órgãos em Moçambique.

05/03/2004

 

 

D. Tomé Makwellia

 

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(17:49) Ouvido pela RR, D. Tomé Makwellia diz que é preciso esperar pelas conclusões das investigações da Procuradoria, porque os factos já são conhecidos.

O Bispo lamenta que não tenham ido ao território observadores internacionais.

 

IMENSIS

Nampula - Várias versões sobre a morte da freira brasileira
2004/03/05

Várias versões estão a surgir em Nampula sobre quais terão sido os verdadeiros motivos que conduziram ao assassinato da freira brasileira da Igreja Evangélica Luterana de Moçambique, Edoraci Julieta Edgar, na última semana de Fevereiro.

 

Alguns comentaristas tentam ligar este assassinato ao tão mediatizado caso de tráfico de menores e de órgãos humanos.

Contudo, a PRM já reagiu a este facto, distanciando-o desta hipótese, baseando-se nos resultados da autópsia feita ao corpo da vítima, que revelaram que a morte terá sido violenta, supostamente por via de um martelo que foi encontrado no local do crime.

Outras versões apontam para uma alegada fricção interna da própria Igreja Luterana em Nampula, tendo como base o facto de a Polícia ter já em seu poder indivíduos ligados a esta congregação, suspeitos de terem algo a dizer sobre a morte da freira.

Segundo fontes ligadas àquela igreja, nos últimos tempos a malograda não era bem vista por parte de alguns crentes que achavam que a sua verticalidade punha em causa as suas actividades que lesavam os interesses da igreja.

Segundo as mesmas fontes, a freira não tolerava o espírito de `deixa andar´ que caracterizava o comportamento de alguns elementos da hierarquia da igreja. Por isso, a freira terá provavelmente exigido a reposição de cerca de 150 milhões de meticais que se encontravam nas mãos de alguns crentes, e que se destinavam a um projecto da igreja.

O desfalque deste dinheiro é um dos assuntos mais delicados que a freira se preparava para levar consigo a uma assembleia da Igreja, que estava programada para a cidade da Beira.

Especulações segundo as quais ela terá sido morta porque estava preste