Tráfico de Órgãos em Moçambique (1)

Conheça aqui as principais etapas deste assunto

 

Reportagem do Fantástico do dia 07/12/2003

 

 

 

 

 

 

Brasileiros no tráfico de órgãos

Confirmado: brasileiros estão na África do Sul para vender órgãos do próprio corpo! Os repórteres do Fantástico localizam na cidade de Durban quatro vítimas desse escândalo internacional, que começou a ser descoberto, no início da semana, com denúncias e prisões no Recife!

A quadrilha recrutava os              "vendedores" de rins em bairros pobres do Recife. O principal o local de negociações era uma marcenaria. O dono, conhecido como Zinho, procurava os amigos e fazia a proposta: ir para a África do Sul se submeter a uma cirurgia para retirada de um dos rins por R$ 40 mil.

"Esse amigo meu fez uma proposta e perguntou se eu tinha coragem de fazer isso", conta um homem que não quis se identificar.

Da cirurgia sobrou uma marca de quarenta centímetros entre o abdômen e as costas. Segundo a polícia, os gerentes da quadrilha são o oficial da reserva da Polícia Militar Ivan Bonifácio da Silva e a mulher dele. O casal encaminhava os pacientes à Polícia Federal para retirada dos passaportes.

"A pessoa responsável que tava na hora, tirando passaporte da gente lá, foi "Telinho" e a esposa do capitão", conta a testemunha.

Com o passaporte nas mãos, a pessoa recebia parte do pagamento no aeroporto e, depois, era só embarcar para a África do Sul.

O rapaz conta que, em Durban, três estrangeiros e um intérprete brasileiro conhecido como Felipe estavam à espera dele. Numas fotos no hospital Saint Augustines, junto com os outros pacientes que venderam os órgãos, estão os outros dois intermediadores na África do Sul. A equipe que realizou a cirurgia também foi fotografada. O médico americano e o anestesista.

"As cirurgias eram feitas na mesma hora. Uma maca de um lado, o equipamento do outro. Chegava e tirava. Tirava de um e colocava de outro na mesma sala", relata o rapaz.

A polícia calcula que 30 pessoas tenham se submetido ao tráfico de órgãos. Além do capitão e da mulher dele, foram presos também um major da reserva do exército de Israel e dois pacientes que trabalhavam como agenciadores no Recife depois de vender os rins, João Cavalcanti do Nascimento e Marcondes Lacerda de Araújo. A estimativa é que o tráfico internacional de órgãos tenha movimentado em um ano cerca de R$ 12 milhões.

As investigações prosseguem em segredo. No último sábado, um dos acusados foi solto depois de conseguir na Justiça um habeas corpus. A prisão provisória dos outros detidos foi prorrogada por mais cinco dias.

Na África do Sul, três pessoas foram presas suspeitas de envolvimento com a quadrilha internacional. O repórter Álvaro Pereira Júnior foi a Durban acompanhar o trabalho da polícia sul-africana.

O representante da polícia de Durban avisa: a investigação sobre a quadrilha internacional de tráfico de órgãos está apenas no começo.

Vai haver mais prisões nos próximos dias? "Sim. Definitivamente. Nós esperamos prender agora os profissionais da quadrilha: médicos, advogados e professores, qualquer um", promete Vishnu Naidoo, superintendente da polícia de Durban.

Os transplantes acontecem no hospital Saint Augustines, que ocupa um quarteirão da cidade. No domingo pela manhã a equipe do Fantástico foi até lá, mas a segurança proibiu a filmagem e nenhum diretor quis recebê-los.

O hospital é particular e existe mais de 100 anos. A polícia acha que uma rede de médicos atua numa espécie de submundo da cirurgia, longe dos olhos da direção do hospital.

"Temos a cooperação total da direção do hospital e até este ponto da investigação nada comprometeu a instituição", defende Naidoo.

Esta semana, quando o esquema foi descoberto, havia quatro brasileiros em Durban, trazidos pela quadrilha. O rim de um deles já havia sido transplantado para um agricultor israelense, de 42 anos. Em um apart-hotel, em algum ponto da cidade, os outros três esperavam a vez deles. Mas a quadrilha de aliciadores desapareceu. Os pernambucanos acabaram sozinhos num país desconhecido.

"A polícia da África do Sul encontrou os brasileiros através de uma operação conjunta do nosso serviço de inteligência, Ministério de Saúde e Interpol. A prisão de algumas pessoas nos levou até os brasileiros", relata Naidoo.

Na tarde de sábado, dois dos quatro brasileiros apareceram de surpresa no hotel onde a equipe do Fantástico estava hospedada. Eles foram acompanhados de três policiais sul-africanos e de um tradutor que ajuda no contato com as autoridades locais. Os dois rapazes, de 22 e 26 anos, só aceitaram dar entrevistas sob a condição de que o Fantástico não mostraria nada que pudessem identificá-los. Foi uma conversa rápida e muito tensa. Os policiais sul-africanos não saíram do lado dos brasileiros nem por um minuto. Até o ângulo em que a entrevista foi filmada foi determinado por eles.

Fantástico: Vocês tinham idéia de que o que vocês estavam fazendo era fora-da-lei?
Rapaz 1: "Não tinha idéia nenhuma".
Rapaz 2: "Sei que isso não era o certo, que realmente é contra a lei. Mas só que eu estava precisando, a dificuldade que eu passo... E como apareceu esta oportunidade eu pensei que era uma boa".

Fantástico: Quanto você ia ganhar?
Rapaz 2: "Ia ganhar US$ 6 mil".
Rapaz 1: "O mesmo tanto. US$ 6 mil".

Fantástico: A sua operação estava marcada? Quando ela aconteceria?
Rapaz 1: "A minha não tava não. Eu fiz só exame lá e vim para cá. Chegou aqui, antes de eu fazer os exames, quando eu desci do carro, que cheguei no motel, que eu encontrei com os meninos, já fui sabendo da notícia".

Fantástico: Houve pessoas que recepcionaram vocês em Durban. Quando a polícia entrou na história, o que aconteceu com essas pessoas?
Rapaz 2: "Alguns chegaram pra gente e falaram que a polícia tinha chegado e que ninguém ia fazer mais a cirurgia. Outro foi detido. Não teve muito contato com a gente. Mas sempre teve uma pessoa que foi muito legal comigo, a portuguesa Dalila. Ela não quis mais porque ela tem as duas filhas dela".

Fantástico: Você ficou com medo de ser preso?
Rapaz 2: "Estou fora do Brasil, estou vendo a dificuldade que é para conseguir o nosso retorno, a passagem, marcar o dia. A gente ficou meio nervoso, mas nunca fiquei com medo de ser preso".

Fantástico: De vocês quatro, três não tinham sido operados, mas um já tinha tido o rim extraído. Essa pessoa está como?
Rapaz 2: "Teve umas dores no começo, mas agora ele está mais relaxado".

A polícia da África do Sul prendeu três pessoas esta semana. Dois integrantes do bando e o homem de Israel que recebeu o rim do brasileiro. O israelense já foi até julgado, pegou dois anos de cadeia com alternativa de pagar uma multa equivalente a R$ 2,5 mil. Ele pagou e já voltou a seu país. O doador brasileiro ganhou US$ 6 mil (R$ 18 mil). Mais o dinheiro foi apreendido pela polícia, virou prova no processo e não será devolvido.

O chefe das investigações disse ao Fantástico que as passagens de volta dos brasileiros estão em poder das autoridades. Elas foram apreendidas com a quadrilha de aliciadores. O plano da polícia da África do Sul é mandar os brasileiros de volta para casa o mais rápido possível. De acordo com uma nova lei do país, como eles colaboraram com as autoridades não vão ser processados, entram apenas como testemunhas.

 

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Em Nampula - Detidos suspeitos de tráfico de menores
2003/12/30

A Procuradoria-Geral da República, através da sua Unidade Anticorrupção, ordenou, recentemente, a detenção de alguns
indivíduos acusados de fazer parte de uma rede que nos últimos
tempos estaria a traficar menores.

 

Não foi porém revelado o número de indivíduos detidos, sabendo-se apenas que na sua maioria são estrangeiros com destaque para sul-africanos e outros provenientes da Europa.

Fonte da Unidade Anticorrupção que facultou estas informações disse que o respectivo processo encontra-se numa fase de instrução bastante avançada, esperando-se que até meados de Janeiro próximo seja concluído e os indivíduos acusados formalmente.

Dada a dimensão do processo, na altura em que apareceram os primeiros casos de suspeita, a chefe da Unidade Anticorrupção, Isabel Rupia, teve que se deslocar à cidade de Nampula para, de perto, se inteirar da situação e colaboração aos seus colegas que no
terreno continuavam a investigar o caso.

Parte das crianças traficadas, segundo apurámos, são conduzidas a alguns países da região e outras para Ásia e América, onde são usadas para diversos fins, como prostituição infantil, trabalho forçado, entre outras actividades ilícitas...

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Três Detidos em Moçambique por Suspeita de Tráfico de Órgãos
PUBLICO
Por PAULA TORRES DE CARVALHO
Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2004

Três pessoas foram detidas, anteontem, em Manica, Moçambique, no seguimento das investigações da Procuradoria-Geral da República sobre tráfico de órgãos humanos naquele país, noticiou a RDP África. Estas detenções foram confirmadas pelo procurador-geral da República, Joaquim Madeira, em entrevista concedida, ontem, à televisão de Moçambique (TVM).

Joaquim Madeira reconheceu que o tráfico de órgãos humanos "é uma realidade em Moçambique e apelou à sociedade para "cerrar fileiras" na luta contra este crime que envolve "cidadãos nacionais e estrangeiros".

Segundo o procurador-geral da República, as investigações sobre casos de crianças que teriam aparecido mortas e sem alguns órgãos, nos últimos meses, em Nampula (casos denunciados por uma missionária brasileira) levaram ao conhecimento de situações semelhantes em outras zonas de Moçambique.

Concretamente citou o caso de um rapaz a quem foram amputados os órgãos genitais, em Chimoio, no centro do país. E adiantou que as investigações decorrem nas províncias de Manica, Maputo e Nampula onde as principais suspeitas recaem sobre um sul-africano e uma norueguesa, actualmente em liberdade condicional.

No âmbito dessas investigações, o ministério moçambicano da Saúde já nomeou um médico legista para proceder à exumação dos corpos, de forma a detectar sinais de crime.

Em declarações à RDP África, a missionária Elilda dos Santos - que denunciou a situação à Liga dos Direitos Humanos após ter investigado as circunstâncias em que oito crianças foram encontradas mortas -, afirma que os familiares das vítimas têm sido ameaçados tanto por
quadrilhas que cometeram raptos, como por elementos da própria Polícia de Investigação Criminal.

O clima que agora se vive em Nampula é de "medo", refere a religiosa.
Segundo afirma, a polícia local chega a convocar familiares das vítimas à esquadra, onde os ameaça na presença dos próprios responsáveis pelos raptos. Elilda dos Santos afirma ainda que o problema do tráfico de órgãos já existe em todo o país e que os "cabecilhas" desta rede internacional recrutam moçambicanos pobres para raptar crianças, filhos de vizinhos e até seus próprios familiares.

Durante as investigações desenvolvidas pela Procuradoria-Geral da República foram, entretanto ouvidas várias pessoas. Testemunhos que a RDP África diz também ter recolhido e que confirmam o surgimento de cadáveres já sem língua, olhos e outros órgãos.

O chefe de posto de Nampula tem, entretanto, sido alvo de várias críticas por parte da população, por mandar enterrar os mortos sem a realização de autópsias que possibilitassem apurar as causas de morte.

Entretanto, o jornal moçambicano "Savana", na sua edição do passado dia 13, num artigo intitulado "Muito fumo e boataria" questiona a veracidade das denúncias de tráfico de órgãos em Moçambique, analisando factores de ordem cultural que poderiam influenciar a realidade. Essa reflexão parece, no entanto, estar agora ultrapassada face às declarações do procurador-geral da República.

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Em relação a este assunto, transcrevo um email difundido num dos grupos da net de moçambicanos e cujo autor identifiquei:

 

BOAS AMIGOS

MAS ANDAM TODOS MUITO DISTRAIDOS EM MOÇAMBIQUE TODA A GENTE SABE QUE O FILHO DO XISSA É QUE CONTROLA ESSE NEGOCIO

SÓ OS MAIS DISTRAIDOS É QUE NÃO DERAM PELO DESAPARECIMENTO DAS CRIANÇAS QUE POVOÁVÃO A PRAIA DO TOFO EM INHAMBANE E DE UM DIA PARA O OUTRO DESAPARECERAM

ABRAÇOS PARA TODOS

CARLOS 

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          Francisco G. de Amorim<o:p></o:p>

O  negócio  de  orgãos  humanos

Não sei se algum dicionário contempla palavra que possa exprimir a nossa indignação perante aquilo que começa a ser uma nova “negociata”: o assassinato de pessoas, normalmente menores de idade, para se lhe retirarem alguns orgãos - fígado, rins, olhos, coração, etc. - e fazê-los depois chegar a “dignas” equipas de cirurgiões, que com eles procuram salvar a vida de um paciente... insensivelmente rico!

Matemáticamente as contas são fáceis de fazer: mata-se um e talvez se salvem três ou quatro; salvando-se sobretudo a equipa cirurgica que, alheando-se da procedência dos orgãos, cobra um nota violenta ao desesperado da morte!

Nalguns locais a miséria é tanta que as pessoas procuram os propagandistas-compradores-intermediários que não matam, mas oferecem uma boa quantia por um rim. Se mais tarde o vendedor que se tornou deficiente tiver um problema renal... estará perdido! Paciência; problema dele; ninguém o mandou vender uma parte do corpo, como quem vende a alma ao diabo!!!

Pobre se pudesse venderia mesmo a alma ao diabo! O que teria a perder? A vida eterna? Para que lhe serve a vida eterna se nesta vida tudo para ele se passa já num verdadeiro inferno? Depois de vendida a alma, um das “condições do contrato” é deixar de rezar, de pedir ao Deus da sua meninice que o ajude.

Pode ser que nesse momento o pobre deixe de se compadecer de si próprio, que se passe a olhar não como um segregado, um marginalizado, mas como um lutador, ganhando forças para comprar a sua alma de volta.

O grande problema, o único problema, é que enquanto houver compradores, ricos, insensíveis, cuja espécie não parece estar votada à extinção, hão-de aparecer vendedores, intermediários, especialistas e até “humanitários” que vão procurar, mediante um gordo pagamento, ajudar a salvar as suas vidas!

E lá estará o miserável, o faminto e até a incauta criança a servirem à sobrevivência da tal espécie que assim se prolonga ad aeternum!

Que moral há nesta sobrevivência? Não seria melhor venderem logo a alma ao demo?

20/01/04

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Savana Maputo 16.01.03

Espinhos da Micaia

Nebulosa

Por Fernando Lima

Nas últimas semanas tenho escutado com regularidade em rádios estrangeiras, a voz alterada do que penso ser uma brasileira, denunciando hediondos crimes em Nampula.

Segunda a senhora, crianças, sobretudo crianças, são esventradas para lhes retirarem orgãos vitais que depois são comercializados internacionalmente.

Na última comunicação da senhora, ampliada por uma intensa troca de mensagens por correio electrónico, dizia estar escondida algures com cinco crianças e que a polícia estava a tentar levar uma delas, subentendendo-se que a corporação é pelo menos cúmplice de tão monstruosa operação. Não sei a que ordem religiosa pertence. O convento onde se abriga também não está claramente identificado.

Todos sabemos das maleitas da nossa polícia, dos bandidos fardados que nos assaltam diariamente. Este facto contudo não me dá o direito de pensar que a corporação é parte de uma rede de tráfico de crianças e orgãos humanos. Nestes termos, cada vez que falo com o comandante Miguel dos Santos ou com o Dr. Nataniel Macamo ter-me-ia de pôr em sobreaviso sobre os nefandos e inconfessáveis mistérios que escondem as suas missões na polícia.

Do que me é dado a ver, o desempenho do Dr. Abdul Razak como governador de Nampula, embora passível de críticas, aliás como todos nós, parece-me uns furos acima da média nacional. Não faço dele um sucedâneo de um barão colombiano, nem os seus equivalentes nigerianos e congoleses. Ouvir uma voz desbragada pela rádio sugerir que o governador é cúmplice do tráfico de crianças não deixa de me incomodar.

Eu sei que para além da súbdita brasileira, há o bispo Jaime Gonçalves que solicitou os ofícios de sua excelência, há a  preocupação da inefável Dra. Alice Mabote e a intervenção televisiva do procurador Joaquim Madeira, citando também as preocupações do líder (não sei se dos católicos, da IURD ou da meditação transcendental).

Para além da mediatização destas e outras pessoas bem colocadas,  pouco me foi mostrado das verdadeiras evidências sobre as monstruosidades que estão a acontecer em Nampula. Os técnicos do hospital que falaram com jornalistas não dão garantias que os corpos encontrados tenham sido amputados. Os responsáveis dos bairros (possivelmente comprados pela rede) dizem que só ouviram falar. Não há nomes, famílias, datas, lugares, para além do famigerado terreno perto do aeroporto onde um macabro sul-africano(branco) e os seus cães se dedicam a práticas inqualificáveis com a cumplicidade do governador, polícias, juizes, jornalistas, etc.

Quando foi cometido o massacre de Montepuez, uma das poucas vozes lúcidas no meio das acusações e contra-acusações sobre as responsabilidades na mortandade, foi a  da Liga dos Direitos Humanos. Era um relatório redigido de forma algo tosca, mas que apresentava factos. Factos que nem políticos, nem os habituais escribas a soldo tinham conseguido até então explicar. Continua a ser o melhor documento, pesem os milhões gastos numa controversa missão da Assembleia da República ao local do crime. Todos ficaríamos imensamente gratos se a Liga pudesse de novo, politizações à parte, prestar um serviço de cidadania, apresentando-nos com isenção factos sobre os alegados infanticídios que estão a ocorrer em Nampula.

É que teorias conspirativas todos temos.

Será tudo isto uma luta de terrenos ? Uma cruzada religiosa contra o agnóstico governador de Nampula, mas que é apresentado como islâmico ? Ou querem-nos desviar para Nampula enquanto em Maputo (e noutros sítios) a elite político-económica se banqueteia com os despojos do legado estatal ?

Nesta nebulosa todas as teorias são possíveis.

Pelas crianças, pelas famílias mais intranquilas, temos o direito a saber algo mais que declarações de gravata e batina.

 

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Moçambique

 

Segundo Procuradoria-Geral da República

Investigações apontam para a não existência de tráfico de órgãos humanos em Moçambique

 

  

 

2004-02-23 14:06:18

Maputo - As investigações preliminares levadas a cabo pela Procuradoria Geral da República (PGR) de Moçambique sobre o alegado tráfico de órgãos humanos na província de Nampula, denunciado há cerca de um ano e meio por uma freira brasileira, apontam para a não existência de tráfico no país, anunciou esta segunda-feira, em conferência de imprensa, em Maputo, o procurador-geral, Joaquim Madeira.


Segundo Joaquim Madeira, a perícia à exumação dos corpos de pessoas alegadamente vítimas de tráfico de órgãos humanos não encontrou «nenhumas evidências» deste tipo de práticas em Nampula. Das investigações feitas, acrescentou, «não se pode estabelecer, com exactidão, uma ligação entre mortes e o tráfico de órgãos».

Entretanto, a PGR está a preparar um programa conjunto com a polícia para a montagem de um posto policial em cada localidade onde existem suspeitas desta prática no país, revelou ainda o responsável pelo Ministério Público moçambicano acrescentou.

As conclusões da PGR contrariam as afirmações feitas pela missionária brasileira Elilda dos Santos, residente há sete anos em Nampula, que denunciou junto da Procuradoria e da polícia a existência de uma suposta rede de tráfico de crianças e de órgãos humanos, depois de ter tomado conhecimento do aparecimento de cadáveres de crianças sem órgãos.

Em declarações à RDP/África, a presidente da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos, Alice Mabota, afirmou não estar surpreendida com os resultados da PGR, afirmando colocar algumas reticências à conclusão apresentada pelos médicos legistas.

(c) PNN - agencianoticias.com

 

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Veja, em vídeo, uma reportagem emitida pela RTPAFRICA, em

23 de Fevereiro de 2004.

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PÚBLICO

Procuradoria-Geral da República Diz Que Não Há Tráfico de Órgãos Humanos em Moçambique
Por PAULA TORRES DE CARVALHO
Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2004

"Não há indícios de tráfico de órgãos humanos" na província de Nampula, em Moçambique, segundo as investigações preliminares realizadas pela Procuradoria-Geral da República de Maputo. A revelação foi feita, ontem, em conferência de imprensa, na capital moçambicana, pelo procurador-geral adjunto, Rafael Sebastião.

Neste encontro com os jornalistas foi divulgado o conteúdo de um relatório de 23 páginas sobre a investigação realizada na sequência de denúncias sobre a existência de uma rede de tráfico de órgãos a operar em Nampula e que explicaria a morte de dezenas de crianças no último ano.

Estas queixas foram apresentadas por uma religiosa brasileira, Elilda dos Santos, residente em Nampula, à Liga dos Direitos Humanos, tendo sido depois encaminhada para a Procuradoria-Geral da República. As suspeitas ganharam consistência depois de a freira ter investigado, ela própria, oito dessas mortes de crianças.

A conclusão da Procuradoria contraria a afirmação feita recentemente pelo procurador-geral da República, Joaquim Madeira, à RDP África no sentido de o problema do tráfico de órgãos estar a adquirir "proporções alarmantes" no país.

Contactada pelo PÚBLICO após a divulgação dos resultados do inquérito, Elilda dos Santos disse que as conclusões da investigação da Procuradoria a deixaram, bem como aos missionários em geral, "bastante preocupados e até assustados". Adiantou, contudo: "Temos a nosso favor uma arma muito poderosa, que é a verdade. Os cadáveres existiram, os familiares das vítimas encontram-se em situação muito delicada... e isso não pode ser ocultado."

Para Elilda dos Santos, a inexistência de indícios tem a ver "com a pressão muito grande e com a cumplicidade e a manipulação das autoridades locais". Na qualidade de pessoa que "acompanhou todo o processo desde o início" e que "viu os cadáveres", põe em causa as perícias feitas pelos médicos legistas. "Não houve exumação", assegura. "Abriram as sepulturas, levantaram as ossadas e devolveram os corpos à terra."

Segundo a religiosa brasileira, o último caso conhecido foi "o do cadáver de uma senhora" no passado dia 6. Foi encontrada sem partes do corpo e a explicação é que fora "comida pelos cães", conta.

Elilda dos Santos diz ainda que, contrariamente às orientações da Procuradoria-Geral da República, o cadáver não foi removido para estudo e foi imediatamente enterrado. "Não posso nem me devo calar perante esta situação, atendendo a tudo o que testemunhei", afirma a freira.

Em reacção ao relatório da PGR, a presidente da Liga dos Direitos Humanos, Alice Mabote, disse, em entrevista à RDP África: "Esperaria outra coisa se tivéssemos um trabalho isento de perturbações e, como deve saber, este trabalho foi perturbado." Manifesta ainda a sua estranheza em relação ao relatório do médico legista, que "diz que a morte foi violenta, mas não há indícios de nada e espera que investiguem".

A necessidade da investigação da causa das mortes que se sucederam ao longo do último ano torna-se agora prioritária. Como dizem alguns dos padres que têm acompanhado o assunto: "Se estas pessoas não foram mortas por motivos ligados ao tráfico, se está confirmado que se tratou de morte violenta, então o que esteve na sua origem?" É uma interrogação que esperam vir a ter resposta.

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Correio da Manhã – Maputo – 25.02.2004

 

A UTILIDADE DAS AUTÓPSIAS!

 

O CASO NAMPULA

 

     Tirar a língua de três crianças para cerimónias tradicionais é muita língua junta, sobretudo quando não se conhece relato do passado sobre tais práticas. A coberto de práticas supersticiosas são estarão a acontecer coisas que não legitimadas por um médico legista desatento?!

Parece que a equipa chefiada pelo procurador-geral adjunto no caso de Nampula no seu relatório preliminar não convenceu não só aos jornalistas presentes como à sociedade destinatária da informação que se divulgou. É que, perante factos, ou seja se eu vejo um cadáver sem olhos, sem língua e outros órgãos nenhuma autópsia me pode convencer do contrário. Não venha aqui a autópsia dizer que os olhos lá estavam e a língua só porque são entidades únicas capazes de legitimar o que o olho do povo viu.

      Os mistérios de Nampula são graves. Algo deve ser aprofundado das denúncias feitas, uma vez que os denunciantes existem e reiteram as suas palavras perante o desmentido técnico de médicos legistas e outros técnicos de suposta competência.

      Falou-se de um corpo encontrado na linha férrea (abandonado). As autoridades precipitaram-se a declarar que foi um acidente com comboio. Ora isto é um absurdo e não entendo até quando se poderá manter, uma vez que a população se revolta perante estas “indiferenças” institucionais.

      Tirar a língua de três crianças para cerimónias tradicionais é muita língua junta, sobretudo quando não se conhece relato do passado sobre tais práticas. A coberto de práticas supersticiosas não estarão a acontecer coisas que são legitimadas por um médico legista desatento?!

      Quando a procuradoria reconhece que desaparecem crianças em Nampula, mas reitera que nada existe do que se suspeita, a questão é desaparecem para onde estas crianças, quem as faz desaparecer e porquê?!

      A Procuradoria-Geral, no lugar de precipitar uma conferência de imprensa que nada traz de substancial, deveria ter continuado a trabalhar no terreno e com os denunciantes até encontrar algo palpável que pela forma como se diz é convicção geral que existem, sim, senhor, problemas em Nampula, mesmo que os livros não consigam identificar, há problemas.

     O que estou a pensar é que eventualmente estejamos a fazer exigências técnicas difíceis em que os meios não nos ajudam, mas a negar as evidências só porque a autópsia nada indica não acho que seja justo; recomenda-se mais trabalho com o mesmo chefe da equipa sediado em Nampula e nada de visitas aos supostos raptores de menores e sabem porquê?...

 

PS: Os detalhes sobre a vida da nação tem animado muitas sensibilidades e cansam às vezes os que emitam opinião, eu sou um dos que está cansado pelo que vou repousar por algum tempo e peço compreensão aos assíduos leitores deste De Olho

Aberto.

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«Há qualquer coisa que vai ficar por explicar»
O padre Firmino reage com estranheza às declarações do procurador de Moçambique, que negou o tráfico de órgãos humanos no país. O religioso pergunta: «se o Governo não defende as suas crianças quem é que as vai defender?».

20:09
23 de Fevereiro 04   
   
 
  Padre Firmino, um religioso português que acompanha o alegado tráfico de órgãos em Moçambique há vários meses, considera que a questão está muito longe de ficar encerrada com o anúncio da justiça moçambicana, que estranha.

«É de facto muito estranho depois de ele (procurador-geral da República) ter reconhecido publicamente há pouco tempo que havia indícios fortes da existência desse tráfico, não apenas em Nampula mas até noutras províncias de Moçambique», disse à TSF.

«De facto, é verdade que desde há dias ele vinha mudando um pouco o discurso e não é de colocar de parte o facto de ele ter sido alvo de pressões, talvez por parte do governo preocupado com a sua imagem externa», acrescentou.

Pode não haver tráfico, mas há crime.

O padre Firmino diz que se não há tráfico de órgãos, outros crimes haverá, porque 50 crianças continuam desaparecidas.

«Há qualquer coisa que vai ficar por explicar. Os testemunhos e as reportagens falam de crianças que desaparecem, de crianças de que aparecem os corpos sem órgãos, de crianças raptadas que conseguem escapar e que dão testemunhos, etc. Ora, se não há uma ligação com tráfico de órgãos humanos, isto deverá ser uma outra coisa qualquer, mas não deixa de ser crime», sublinhou.

«Se há crime há criminosos. Portanto vai ter que haver uma investigação para explicar tudo isto que tem acontecido e que são fenómenos muito preocupantes», frisou o religioso.

«Pode-se perguntar até que ponto a justiça moçambicana é isenta e pode fazer um verdadeiro trabalho de investigação e quem é que defende as crianças moçambicanas. Se o Governo moçambicano não defende as suas crianças quem é que as vai defender?», questiona Firmino Cachada, que dá apoio a vários missionários em Moçambique e acompanha este caso de perto.

O alegado tráfico de órgãos e de crianças foi denunciado por uma freira brasileira em Dezembro último.

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Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2004 - 13h16 
Jornal O Estado de São Paulo - Brasil

Embaixada do Brasil investiga morte de missionária na África

Brasília - A embaixada brasileira e a igreja luterana acompanham de perto as investigações sobre a morte da missionária Doraci Edinger, que vivia em Nampula, Moçambique.
O corpo de Doraci foi encontrado na terça-feira dentro do apartamento onde a missionária luterana morava.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a embaixada em Maputo já providencia os papéis necessários para que o traslado ao Brasil, possivelmente para a cidade gaúcha de São Leopoldo.
Ainda não há data marcada para o transporte, a ser pago pela igreja luterana brasileira.

Em Nampula, Segunda a Agência Brasil, a missionária ajudava na construção de escolas e de postos de saúde. Também auxiliava a instalação de poços artesianos nas comunidades rurais.
Nos seis anos em que esteve em Moçambique, Doraci disseminou o plantio de pés de caju e a distribuição de outras sementes.

Não há dúvidas de que ela tenha sido estuprada e assassinada.
Há algum tempo, em um relatório oficial escrito à igreja brasileira, Doraci Edinger mencionou que o trabalho de assistência social era muitas vezes dificultado pelas ameaças de morte que sofria.
Uma das hipóteses investigadas pela polícia é a de que a missionária sabia sobre o tráfico internacional de órgãos, que envolve crianças da comunidade onde trabalhava.

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2004-02-27 00:00:00
Moçambique - Tráfico de órgãos poderá ter sido o motivo
RELIGIOSA MORTA EM NAMPULA

A polémica questão do alegado tráfico de órgãos humanos em Moçambique poderá estar na origem do assassinato de uma missionária brasileira, encontrada morta em Nampula (norte do país), província onde, segundo denúncias de freiras católicas, têm ocorrido os crimes.

Juan Carlos Delacal

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A irmã Juliana afirmou que as religiosas receiam represálias

Contactado pelo CM, o padre Jacob, da Missão Católica de São João Evangelista em Nampula, confirmou já saber o crime e estar muito preocupado com a eventual existência de tráfico de órgãos humanos.

De facto, a polícia moçambicana já confirmou o homicídio de Doraci Edinger e a agência oficial do governo brasileiro noticiou que as autoridades de Maputo admitem que a religiosa possa ter sido morta por traficantes de órgãos (de crianças) que operam na região. De acordo com Agência Brasil, órgão oficial do governo – que cita as autoridades de Brasília –, Doraci Edinger foi encontrada morta, na passada terça-feira, na residência onde vivia, em Nampula.

A missionária, de 53 anos, era natural de São Leopoldo, no estado do Rio Grande do Sul, e pertencia, desde 1998, à Igreja Evangélica de Confissão Luterana em Moçambique. Edinger foi violada e assassinada e ao lado do corpo foi encontrado um martelo ensanguetado. “Pensamos que terá sido o instrumento utilizado no crime”, afirmou Oliveira Maneque, porta-voz da polícia.

Para o padre Jacob, existem cada vez mais motivos de preocupação quanto à existência de tráfico de órgãos humanos”, apesar dos desmentidos”. De salientar que, em 2001, Doraci Edinger disse, numa carta enviada à direcção da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, que estava a receber ameaças de morte.

O assassinato da missionária ocorre num momento em que as freiras de Nampula que denunciaram o alegado tráfico de órgãos humanos receiam represálias, sobretudo depois de o procurador-geral de Moçambique, Joaquim Madeira, ter negado a existência de elementos indiciadores da prática de homicídios para a extracção de órgãos.

A irmã Maria Elilda, uma das freiras católicas que tem vindo a denunciar os alegados crimes, acusou mesmo Madeira de ter cedido a pressões. “Diante do desaparecimento de pessoas e cadáveres sem alguns membros, só posso aceitar que houve pressões para escamotear a verdade” – afirmou a religiosa à Lusa. Aliás, as freiras não escondem o medo e a madre superiora do Mosteiro Mater Dei, em Nampula, a irmã Juliana, assegurou mesmo a existência de ameaças.

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WAMPHULAFAX

Suspeita de Homicídio

LEIGA DA IGREJA LUTERANA ENCONTRADA SEM VIDA

 

Uma leiga da Igreja Evangélica Luterana de nacionalidade brasileira foi encontrada na última terça-feira, sem vida e em estado adiantado de putrefacção no interior da sua residência em circunstâncias ainda não esclarecidas.

Fontes policiais, que dizem ter encontrado um martelo no interior da casa, não afastam a possibilidade de que a malograda tenha sido vítima de homicídio, porquanto apresenta graves mutilações, sobretudo na parte da cabeça.

De notar que a porta se encontrava trancada por fora através de um cadeado, tendo a malograda sido encontrada prostrada no chão e enrolada num lençol.

A parede do quarto estava manchada de sangue.

O Wamphula Fax apurou que a leiga vivia sozinha, e que a descoberta da ocorrência foi graças ao cheiro nauseabundo que se espalhou pela zona, para além do facto de a viatura em que circulava a “vitima” ter estado nos últimos dias imobilizada diante da casa.

No dia da descoberta do corpo sem vida, depois do arrombamento pela polícia, os bens da vítima não davam qualquer evidência de ter havido roubo. Todos os bens estavam lá e até o televisor encontrava-se ainda ligado, contou uma fonte ao nosso jornal.

Informações colhidas pela nossa reportagem indicam que a vítima, que em vida respondia pelo nome de Edoraci Julieta Eger, ter-se-ia deslocado semanas antes ao distrito de Moma.

O porta-voz da PRM Oliveira Maneque disse que o corpo da vitima foi entregue ao Hospital Central de Nampula para efeitos de autopsia que irá confirmar a causa da morte, o que poderá ajudar a seguir as pistas do eventual crime.

A residência da vítima está neste momento a ser guarnecida pela Policia uma vez que se afirma que ela não tem familiares no país.

 

Indiciado no tráfego de menores

CIDADÃO SUL-AFRICANO ARRANCOU SEU PROJECTO

O Casal Gary Oconnor, indiciado no rapto de menores na cidade de Nampula, iniciou recentemente o seu projecto denominado Gett, Ltda., que compreende a criação, o processamento e a venda de aves.

O empreendimento encontra-se instalado no terreno que estava a ser disputado com a população local. A ocupação, por Gary,

daquela parcela de terra terá gerado conflito entre si e parte dos camponeses que praticavam agricultura do sector familiar.

Aliás, segundo sondagens feitas pelo Wamphula Fax, conclui-se que a população teria tentado instar as autoridades competentes por forma a que Oconnor fosse expulso do país e, consequentemente, expropriado do terreno que lhe fora concedido para a implantação do referido projecto.

Segundo constatamos no local, os congeladores que geravam suspeitas de serem concebidos supostamente para a conserva de

órgãos humanos, são os mesmos que afinal são agora utilizados para a conserva de frangos destinados a venda pública para a posterior venda.

Dados em nosso poder dão, por outro lado, conta que o projecto GETT Ltda., arrancou com a criação de cerca de três mil frangos importados da África do Sul, e que absorveram cerca de um milhão de dólares, financiados pelo Gabinete de Promoção de Investimento (GAPI), na cidade de Nampula.

De referir que com o arranque daquele projecto, foram criados mais de trinta postos de emprego.

Wf

 

Nampula

PIC TENTA INTIMIDAR IMPRENSA

 

Uma carta de pedido de colaboração dirigida a Rádio Publica Nacional (RM) e a Rádio Encontro, pertença da igreja católica, está a ser interpretado por vários sectores ligados aos media na cidade nortenha de Nampula como sendo uma tentativa de a Policia de Investigação Criminal, neste ponto do País, tentar intimidar a imprensa que tem vindo a reportar o alegado e propalado caso de tráfego de crianças e órgãos humanos.

Tais cartas, com o mesmo teor mas dirigidas aquelas duas rádios em datas diferentes, solicitam, “no sublime interesse publico” que as direcções destas estações facultem as fontes da informação vinculadas à volta do alegado tráfico de menores e órgãos humanos.

As notas que o Wamphula fax teve acesso foram enviadas no dia 11 de Fevereiro para a Rádio Moçambique e 18 do mesmo mês para a Rádio Encontro com o alegado objectivo de identificar as vitimas e respectivos ofendidos ou testemunhas que possam facilitar o trabalho de investigação em curso naquela corporação.

Tanto a Rádio Moçambique como a Rádio Encontro, responderam negativamente a tal pedido de colaboração baseando-se no artigo 30º. da Lei de Imprensa, que reconhece aos jornalistas o direito ao sigilo profissional em relação a origem da informação que publiquem ou transmitem.

O Sindicato Nacional de Jornalistas na região norte, para alem de ter condenado tal atitude da PIC, disse estranhar que no meio de tantos órgãos de informação que cobriram e continuam a reportar alegados casos ligados aos trafico de crianças e órgãos humanos, se tenha escolhido apenas a RM e a Rádio Encontro para colaborar com eles. As referidas cartas da PIC foram assinadas pelo respectivo director Eugênio Balane, com um visto do Comandante Provincial, José Weng San e foram distribuídas para o conhecimento do Governador da Província, Procurador chefe provincial e Juiz Presidente do Tribunal Judicial de Nampula.

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Missionária Protestante Morta em Moçambique
PUBLICO

Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2004

A missionária brasileira protestante Doraci Edinger foi encontrada morta, na terça-feira, no apartamento onde morava, em Nampula, no norte de Moçambique, anunciaram ontem as autoridades brasileiras, citadas pela Lusa.

O Ministério das Relações Exteriores, através da Embaixada do Brasil em Moçambique, está já a preparar a transladação do corpo da missionária para o Brasil. Natural da cidade de São Leopoldo, no estado do Rio Grande do Sul, Doraci Edinger era missionária da Igreja Evangélica de Confissão Luterana. Em Moçambique desde 1998, Doraci trabalhava em projectos sociais como construção de escolas, hospitais e perfuração de poços para abastecimento de água.

A Agência Brasil, órgão oficial do Governo brasileiro, noticiou que a polícia moçambicana admite a possibilidade de a morte estar relacionada com as denúncias de missionárias católicas sobre tráfico de órgãos de crianças na região de Nampula. Em 2001, numa carta
enviada à direcção da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Doraci Edinger escrevera que estava a receber ameaças de morte.

Crime Ou Aviso?
Por NUNO PACHECO
Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2004

A notícia do assassinato de uma missionária em Moçambique veio agitar de novo os ânimos, num momento em que outras freiras se queixavam (e queixam) de ameaças de morte por investigarem uma alegada rede de tráfico de órgãos humanos no país. Pode não haver qualquer relação
entre o assassinato de Doraci Edinger e as ameaças de morte que pairam sobre Elilda dos

Santos e outras irmãs do mosteiro Mater Dei, já que pertencem a congregações distintas, sediadas em diferentes zonas de Nampula. Mas o facto de se tratar de religiosas brasileiras
pode deixar em aberto a dúvida: terá sido um crime premeditado, com outros motivos mas com a "vantagem" de servir de exemplo? Poderá este assassinato querer intimidar quem se aventure, no seu trabalho humanitário e social, para lá das marcas definidas pelos interesses de negócios ilegais e afortunados?

Elilda dos Santos, há nove anos a viver e trabalhar em Moçambique, está prestes a partir: "Estou de malas aviadas e sei que isso satisfaz muitos que me querem ver pelas costas", afirmou. Mas o facto de ter denunciado, há ano e meio, diversos casos que podem estar

relacionados com tráfico de órgãos na zona de Nampula (desaparecimentos, cadáveres mutilados), faz dela um alvo fácil.
Talvez mesmo um alvo a abater. Como Doraci Edinger, cujo assassinato continuava ontem a aguardar explicação oficial. Mas se for tão clara quanto a explicação dada pela Procuradoria-Geral moçambicana para negar vestígios de tráfico de órgãos nos casos denunciados, então
continuaremos no reino do mais puro surrealismo. Disse o procurador-geral adjunto, para pasmo de quantos o ouviram: "Alguns cadáveres examinados tinham falta de certos órgãos, mas os resultados das autópsias não determinam que os mesmos tenham algo a ver com o negócio de órgãos". Naturalmente, como se imagina, os mortos são aliviados de olhos, coração ou pulmões para facilitar o enterro.
Ficam mais leves e são mais fáceis de transportar... Se o ridículo matasse, o anúncio público do relatório da Procuradoria teria sido uma chacina. Como não mata, temos que nos limitar às recordações de um terror que ainda ameaça fazer mais vítimas: dos 80 meninos de rua "muito conhecidos" restam 15; eles contam que os aliciam com comida e dinheiro, mas os que foram "com os brancos" não voltaram (qual será o seu paradeiro? Em que corpos baterão agora os seus
corações?); na zona do aeroporto, as religiosas começam a registar movimentos estranhos: carros de vidros escuros, pessoas inamistosas, silêncio, uma avioneta e sinais de luzes (tomaram nota de matrículas e entregaram-nas às autoridades, sem nenhum resultado até hoje). O curioso é que o procurador-geral de Moçambique afirmara à RDP-África, em absoluta dessintonia com o posterior relatório da instituição que superintende, que o tráfico de órgãos estava a adquirir "proporções alarmantes" no país. Terá coragem de agir em

conformidade?

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2004-02-28 00:00:00
Moçambique - UNICEF não esconde a apreensão perante as denúncias
UNICEF ATENTA A NAMPULA

A UNICEF está a acompanhar atentamente as sucessivas mortes e desaparecimentos em Moçambique, cuja ligação ao tráfico de crianças e órgãos humanos foi denunciada por religiosas naquele país. Uma preocupação que surge no dia seguinte a ter sido anunciado a morte em Nampula de uma missionária luterana brasileira, violada e assassinada na sua residência por desconhecidos.

d.r.

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O tráfico de crianças está a ser denunciado por religiosas moçambicanas

“Estamos preocupados com as denúncias feitas pelas freiras, parece ser algo muito dramático, é urgente que as autoridades investiguem as denúncias” – afirmou ontem em Maputo Michael Klaus, porta-voz daquela organização, que, no entanto, não contestou os resultados da investigação preliminar da Procuradoria-Geral. Mesmo assim, Klaus admitiu que a ausência de indícios claros em relação às denúncias das freiras “não significa que não aconteceu nada”. Questionado se a organização tem alguma pista sobre o alegado tráfico de órgãos em Nampula, Michael Klaus declarou que apenas pode “referir o relatório preliminar do procurador-geral, segundo o qual não há indícios no momento”. O responsável da UNICEF confirmou também que a investigação das autoridades moçambicanas se referem apenas a dez ou 12 dos 60 casos que foram denunciados pelas freiras.

A posição da UNICEF foi divulgada um dia depois de ter sido encontrado em Nampula, no Norte de Moçambique, o cadáver da missionária brasileira Doraci Edinger, alegadamente violada antes de ter sido – ao que tudo indica – barbaramente assassinada.

A directora da Irmandade da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Hulda Hertel, afirmou que a religiosa assassinada tinha conhecimento do tráfico internacional de órgãos de crianças em Moçambique.

Ameaçada várias vezes

De acordo com Hertel, "a irmã Doraci chegou a tecer comentários, há três anos (quando esteve no Brasil), sobre o problema do tráfico de órgãos de crianças no Norte de Moçambique. Na altura, referiu que as famílias da região não sabiam como defender-se dos traficantes e que os órgãos eram vendidos para outros países". Além disso, Edinger – em carta enviada à direcção da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, em 2001 – escreveu que tinha recebido ameaças de morte, mas "nunca esclareceu os motivos".

Refira-se que, ainda ontem, a freira católica Maria Elilda dos Santos – amiga da missionária assassinada –, que denunciou o problema do tráfico de órgãos humanos em Moçambique, confirmou que a comunidade religiosa naquele país teme represálias. “Estamos todos muito assustados”, refere a religiosa.

CRONOLOGIA

22 DE FEVEREIRO

A freira católica brasileira Maria Elilda dos Santos denunciou que crianças de Nampula são vítimas do tráfico internacional de órgãos.
23 DE FEVEREIRO
A Procuradoria-Geral da República afirma não existirem elementos que indiciem os crimes.
26 DE FEVEREIRO
A missionária brasileira Doraci Edinger foi encontrada morta em Nampula.

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MOÇAMBIQUE
Detidos cinco suspeitos da morte de missionária
A polícia de Nampula deteve cinco suspeitos do assassinato da missionária luterana

brasileira. Dois dos detidos são guardas que faziam a segurança ao edifício onde Joraci Edinger morava sozinha. 

10:27
28 de Fevereiro 04   
   

  A informação foi avançada à Lusa por um responsável policial de Nampula, que adiantou que dois dos cinco detidos eram seguranças no edifício onde a missionária vivia sozinha, numa das principais ruas da cidade.

Os outros três eram elementos da congregação luterana da cidade.
Estes últimos foram detidos por obstrução à justiça, segundo Xavier Roberto Tocoli, director da Ordem Pública da Polícia da República de Moçambique de Nampula.

Os guardas são suspeitos de conivência com o crime, ocorrido no passado dia 21 de Fevereiro. A autópsia revelou que a missionária foi assassinada com golpes de martelo no crânio.

«A religiosa tinha montado um sistema de segurança que impedia que alguém entrasse na sua casa sem que fosse avisada pelos guardas, o que nos leva a crer que estes estarão relacionados com o crime ou que conhecem quem o praticou», disse Tocoli.

A mesma fonte adiantou que as autoridades baseiam as suspeitas no facto dos guardas não terem alertado para o desaparecimento de Joraci Edinger, dado que o corpo só foi descoberto na passada terça-feira.

Os outros três suspeitos são acusados de transferirem, sem autorização, o cadáver da religiosa do Hospital Central para o Hospital Militar, este último, o único que dispõe de câmara frigorífica.

«Eles defenderam-se com as melhores condições do Hospital Militar, mas, seja como for, tinham de avisar a polícia e suspeitamos que por trás disso exista mais qualquer coisa», adiantou Tocoli.

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RADIO RENASCENÇA (28.02.2004)

 

Moçambique: Móbil do crime não foi o roubo

A missionária foi assassinada na passada terça-feira
A missionária foi assassinada na passada terça-feira

Já foi feita a autópsia do corpo da missionária assassinada na passada terça-feira.

28/02/2004

 

 

Walter Waltman

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(01:19) De acordo com Walter Waltman, superior da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, que se encontra em Nampula, os resultados colocam de parte a hipótese do crime ter sido motivado por roubo.

Isto porque os poucos bem da religiosa estarem intactos.

Da autópsia concluiu-se que a Irmã morreu devido a "três golpes de martelo na cabeça" e que não foi sujeita a qualquer tipo de violência de índole sexual.

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DE UM NAMPULENSE RESIDENTE NO BRASIL

Mais uma vez ouço a TV Globo falar em Nampula. Ao invés de notícias boas e agradáveis, são outra vez desagradáveis, desta vez as da morte de uma missionária luterana, aqui do Rio Grande do Sul. Segundo a Globo ela tem uma irmã, também gaúcha, a quem revelou da última vez que cá esteve o que estava a acontecer com a negociata de órgão humanos em Nampula. A irmã da falecida botou a boca no trombone cá no Brasil e os meliantes, como não lhe podiam tocar, mataram-lhe a irmã, que estava para regressar em Maio ao Brasil. Isto foi o noticiado, há poucas horas no Jornal da Noite.

É incrível como as autoridades moçambicanas deixam agir essas quadrilhas, nas suas barbas. Elas, que tanto criticaram as autoridades portuguesas, revelam afinal total incompetência no campo policial, porque no tempo dos portugueses nada disso acontecia. Havia um controle policial eficaz. Afinal as "amplas liberdades democráticas, as aberturastão defendidas pelos iluminados marxista, penas servem para que as piores formas de atuação humana se revelem e ajam, impunemente, perante a impassibilidade ou incapacidade de quem as deveria reprimir.

Será justo que Os Direitos do Homem se apliquem também a quem os não  respeita?... neste caso os traficantes de órgão e os assassinos e estrupadores da cidadã brasileira...

Claro que para aquelas pessoas que sabem que vivi largos anos em Nampula, quando me perguntam como são as coisas, respondo que no tempo dos portugueses em Moçambique nada disso acontecia e é verdade.

Um tchau. Tudo de bom.

Sérgio

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PELO MENOS SEIS PESSOAS DETIDAS PELA POLICIA EM NAMPULA
WAMPHULA FAX – 29.02.2004
Pelo menos seis pessoas foram até ontem detidas pela policia na cidade de Nampula, em conexão com a morte da irmã Edoraci Julieta Eger, leiga da Igreja Evangélica Luterana,  de nacionalidade brasileira, ocorrida no sábado dia 21 de Fevereiro, cujo corpo sem vida e em estado avançado de decomposição, foi descoberto num dos compartimentos da sua residência, cerca de três dias depois.
Trata-se de dois guardas do prédio onde Edoraci residia e outros quatro membros da congregação Luterana de que a irmã fazia parte por, segundo as autoridades policiais, existirem fortes indícios de estarem duma ou de outra forma ligados aquele acto macabro em que os actores para tirarem vida a malograda utilizaram um martelo e aplicaram golpes contundentes na cabeça da vítima.
Xavier Tocole, director da ordem pública junto do comando provincial da PRM em Nampula disse ao nosso jornal que sobre os dois guardas, a sua detenção tem haver com o facto de não terem observado escrupulosamente o esquema de segurança montada pela malograda, para atender qualquer que fosse o tipo de visita, seja ela membro da igreja ou não.
De acordo com aquele oficial da polícia, a irmã Edoraci para atender ou receber pessoas em sua casa, a qualquer hora do dia tinha que forçosamente ter um reconhecimento dos dois guardas, pelo facto de não somente guarnecerem a sua residência que se situa no segundo andar, assim como de todo o prédio.
"Estranhamente estes dois indivíduos não somente não obedeceram este esquema, do mesmo modo que, para a polícia deviam ter desconfiado o facto de durante três dias não terem visto nenhum movimento da irmã, enquanto o carro dela permanecia imobilizado defronte do prédio, o que não era normal. Só no quarto dia é que comunicaram o "sumiço",
eventualmente por  sentirem alguma responsabilidade no acto", explicou Xavier Tocole.
Em relação aos quatro membros da congregação que igualmente se encontram encarcerados nas celas da corporação, o seu vínculo com este crime é por simples facto destes terem movimentado o corpo da vítima da morgue do Hospital Central para a do Hospital Militar, horas antes das autoridades sanitárias efectuarem autopsia, uma acção que a polícia considera deliberada para ocultar as verdadeiras causas da morte da leiga.
O móbil do crime, segundo a fonte, e pelas investigações preliminares realizadas junto da Congregação Evangélica Luterana dão conta a existência de contradições entre membros desta igreja na cidade de Nampula, nalgumas ocasiões as desinteligência terem chegado a vias de facto, acrescentou o director da ordem pública da PRM em Nampula, anotando que por causa disso mais pessoas poderão recolher aos calabouços nos próximos dias.
"Ademais, tivemos conhecimento que aquela irmã ia a uma reunião nacional a realizar na Beira, para a qual tinha elaborado um relatório exaustivo das actividades da igreja em Nampula, onde se fala entre os crentes o desvio de bens e dinheiro da congregação para fins pessoas por parte de alguns membros, o que certamente os visados não queriam ver o assunto naquele encontro", disse Tocole.
O director da ordem pública reiterou ainda que este crime não tem nenhuma relação com a propalada falta de segurança que outra irmã de origem brasileira veio a público falar, depois que denunciou alegado tráfico de menores e órgãos humanos e assegurou que também não tinham relações de amizade entre ambas.
O resultado da autópsia confirma que a morte da leiga foi violenta, tendo sofrido golpes na cabeça. (x)………………………………………………………………………………………………………………………

 

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