Tráfico de Órgãos em
Moçambique (1)
Conheça aqui as principais etapas deste
assunto
Reportagem do Fantástico do dia 07/12/2003
|
|
Brasileiros no tráfico de órgãos Confirmado: brasileiros estão na África do Sul para vender órgãos do próprio corpo! Os repórteres do Fantástico localizam na cidade de Durban quatro vítimas desse escândalo internacional, que começou a ser descoberto, no início da semana, com denúncias e prisões no Recife! A quadrilha recrutava os "vendedores" de rins em bairros pobres do Recife. O principal o local de negociações era uma marcenaria. O dono, conhecido como Zinho, procurava os amigos e fazia a proposta: ir para a África do Sul se submeter a uma cirurgia para retirada de um dos rins por R$ 40 mil. "Esse amigo meu fez uma proposta e perguntou se eu tinha coragem de fazer isso", conta um homem que não quis se identificar. Da cirurgia sobrou uma marca de quarenta centímetros entre o abdômen e as costas. Segundo a polícia, os gerentes da quadrilha são o oficial da reserva da Polícia Militar Ivan Bonifácio da Silva e a mulher dele. O casal encaminhava os pacientes à Polícia Federal para retirada dos passaportes. "A pessoa responsável que tava na hora, tirando passaporte da gente lá, foi "Telinho" e a esposa do capitão", conta a testemunha. Com o passaporte nas mãos, a pessoa recebia parte do pagamento no aeroporto e, depois, era só embarcar para a África do Sul. O rapaz conta que, em Durban, três estrangeiros e um intérprete brasileiro conhecido como Felipe estavam à espera dele. Numas fotos no hospital Saint Augustines, junto com os outros pacientes que venderam os órgãos, estão os outros dois intermediadores na África do Sul. A equipe que realizou a cirurgia também foi fotografada. O médico americano e o anestesista. "As cirurgias eram feitas na mesma hora. Uma maca de um lado, o equipamento do outro. Chegava e tirava. Tirava de um e colocava de outro na mesma sala", relata o rapaz. A polícia calcula que 30 pessoas tenham se submetido ao tráfico de órgãos. Além do capitão e da mulher dele, foram presos também um major da reserva do exército de Israel e dois pacientes que trabalhavam como agenciadores no Recife depois de vender os rins, João Cavalcanti do Nascimento e Marcondes Lacerda de Araújo. A estimativa é que o tráfico internacional de órgãos tenha movimentado em um ano cerca de R$ 12 milhões. As investigações prosseguem em segredo. No último sábado, um dos acusados foi solto depois de conseguir na Justiça um habeas corpus. A prisão provisória dos outros detidos foi prorrogada por mais cinco dias. Na África do Sul, três pessoas foram presas suspeitas de envolvimento com a quadrilha internacional. O repórter Álvaro Pereira Júnior foi a Durban acompanhar o trabalho da polícia sul-africana. O representante da polícia de Durban avisa: a investigação sobre a quadrilha internacional de tráfico de órgãos está apenas no começo. Vai haver mais prisões nos próximos dias? "Sim. Definitivamente. Nós esperamos prender agora os profissionais da quadrilha: médicos, advogados e professores, qualquer um", promete Vishnu Naidoo, superintendente da polícia de Durban. Os transplantes acontecem no hospital Saint Augustines, que ocupa um quarteirão da cidade. No domingo pela manhã a equipe do Fantástico foi até lá, mas a segurança proibiu a filmagem e nenhum diretor quis recebê-los. O hospital é particular e existe há mais de 100 anos. A polícia acha que uma rede de médicos atua numa espécie de submundo da cirurgia, longe dos olhos da direção do hospital. "Temos a cooperação total da direção do hospital e até este ponto da investigação nada comprometeu a instituição", defende Naidoo. Esta semana, quando o esquema foi descoberto, havia quatro brasileiros em Durban, trazidos pela quadrilha. O rim de um deles já havia sido transplantado para um agricultor israelense, de 42 anos. Em um apart-hotel, em algum ponto da cidade, os outros três esperavam a vez deles. Mas a quadrilha de aliciadores desapareceu. Os pernambucanos acabaram sozinhos num país desconhecido. "A polícia da África do Sul encontrou os brasileiros através de uma operação conjunta do nosso serviço de inteligência, Ministério de Saúde e Interpol. A prisão de algumas pessoas nos levou até os brasileiros", relata Naidoo. Na tarde de sábado, dois dos quatro brasileiros apareceram de surpresa no hotel onde a equipe do Fantástico estava hospedada. Eles foram acompanhados de três policiais sul-africanos e de um tradutor que ajuda no contato com as autoridades locais. Os dois rapazes, de 22 e 26 anos, só aceitaram dar entrevistas sob a condição de que o Fantástico não mostraria nada que pudessem identificá-los. Foi uma conversa rápida e muito tensa. Os policiais sul-africanos não saíram do lado dos brasileiros nem por um minuto. Até o ângulo em que a entrevista foi filmada foi determinado por eles. Fantástico: Vocês tinham idéia de que o que vocês estavam fazendo
era fora-da-lei? Fantástico: Quanto você ia ganhar? Fantástico: A sua operação estava marcada? Quando ela aconteceria? Fantástico: Houve pessoas que recepcionaram vocês em Durban.
Quando a polícia entrou na história, o que aconteceu com essas pessoas? Fantástico: Você ficou com medo de ser preso? Fantástico: De vocês quatro, três não tinham sido operados, mas um
já tinha tido o rim extraído. Essa pessoa está como? A polícia da África do Sul prendeu três pessoas esta semana. Dois integrantes do bando e o homem de Israel que recebeu o rim do brasileiro. O israelense já foi até julgado, pegou dois anos de cadeia com alternativa de pagar uma multa equivalente a R$ 2,5 mil. Ele pagou e já voltou a seu país. O doador brasileiro ganhou US$ 6 mil (R$ 18 mil). Mais o dinheiro foi apreendido pela polícia, virou prova no processo e não será devolvido. O chefe das investigações disse ao Fantástico que as passagens de volta dos brasileiros estão em poder das autoridades. Elas foram apreendidas com a quadrilha de aliciadores. O plano da polícia da África do Sul é mandar os brasileiros de volta para casa o mais rápido possível. De acordo com uma nova lei do país, como eles colaboraram com as autoridades não vão ser processados, entram apenas como testemunhas. |
|||||||||||||||
………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
Em Nampula - Detidos suspeitos de tráfico de menores
2003/12/30
A Procuradoria-Geral da República, através da sua Unidade Anticorrupção,
ordenou, recentemente, a detenção de alguns
indivíduos acusados de fazer parte de uma rede que nos últimos
tempos estaria a traficar menores.
Não foi porém revelado o número de indivíduos detidos, sabendo-se apenas
que na sua maioria são estrangeiros com destaque para sul-africanos e outros
provenientes da Europa.
Fonte da Unidade Anticorrupção que facultou estas informações disse que o
respectivo processo encontra-se numa fase de instrução bastante avançada,
esperando-se que até meados de Janeiro próximo seja concluído e os indivíduos
acusados formalmente.
Dada a dimensão do processo, na altura em que apareceram os primeiros casos
de suspeita, a chefe da Unidade Anticorrupção, Isabel Rupia, teve que se
deslocar à cidade de Nampula para, de perto, se inteirar da situação e
colaboração aos seus colegas que no
terreno continuavam a investigar o caso.
Parte das crianças traficadas, segundo apurámos, são conduzidas a alguns
países da região e outras para Ásia e América, onde são usadas para diversos
fins, como prostituição infantil, trabalho forçado, entre outras actividades
ilícitas...
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
Três
Detidos em Moçambique por Suspeita de Tráfico de Órgãos
PUBLICO
Por PAULA TORRES DE CARVALHO
Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2004
Três pessoas foram detidas, anteontem, em Manica, Moçambique, no seguimento das
investigações da Procuradoria-Geral da República sobre tráfico de órgãos
humanos naquele país, noticiou a RDP África. Estas detenções foram confirmadas
pelo procurador-geral da República, Joaquim Madeira, em entrevista concedida,
ontem, à televisão de Moçambique (TVM).
Joaquim Madeira reconheceu que o tráfico de órgãos humanos "é uma
realidade em Moçambique e apelou à sociedade para "cerrar fileiras"
na luta contra este crime que envolve "cidadãos nacionais e estrangeiros".
Segundo o procurador-geral da República, as investigações sobre casos de
crianças que teriam aparecido mortas e sem alguns órgãos, nos últimos meses, em
Nampula (casos denunciados por uma missionária brasileira) levaram ao
conhecimento de situações semelhantes em outras zonas de Moçambique.
Concretamente citou o caso de um rapaz a quem foram amputados os órgãos
genitais, em Chimoio, no centro do país. E adiantou que as investigações
decorrem nas províncias de Manica, Maputo e Nampula onde as principais
suspeitas recaem sobre um sul-africano e uma norueguesa, actualmente em
liberdade condicional.
No âmbito dessas investigações, o ministério moçambicano da Saúde já nomeou um
médico legista para proceder à exumação dos corpos, de forma a detectar sinais
de crime.
Em declarações à RDP África, a missionária Elilda dos Santos -
que denunciou a situação à Liga dos Direitos Humanos após ter investigado as
circunstâncias em que oito crianças foram encontradas mortas -, afirma que os
familiares das vítimas têm sido ameaçados tanto por
quadrilhas que cometeram raptos, como por elementos da própria Polícia de
Investigação Criminal.
O clima que agora se vive em Nampula é de "medo", refere a religiosa.
Segundo afirma, a polícia local chega a convocar familiares das vítimas à
esquadra, onde os ameaça na presença dos próprios responsáveis pelos raptos.
Elilda dos Santos afirma ainda que o problema do tráfico de órgãos já existe em
todo o país e que os "cabecilhas" desta rede internacional recrutam
moçambicanos pobres para raptar crianças, filhos de vizinhos e até seus
próprios familiares.
Durante as investigações desenvolvidas pela Procuradoria-Geral da República
foram, entretanto ouvidas várias pessoas. Testemunhos que a RDP África diz
também ter recolhido e que confirmam o surgimento de cadáveres já sem língua,
olhos e outros órgãos.
O chefe de posto de Nampula tem, entretanto, sido alvo de várias críticas por
parte da população, por mandar enterrar os mortos sem a realização de autópsias
que possibilitassem apurar as causas de morte.
Entretanto, o jornal moçambicano "Savana", na sua edição do passado
dia 13, num artigo intitulado "Muito fumo e boataria" questiona a
veracidade das denúncias de tráfico de órgãos em Moçambique, analisando
factores de ordem cultural que poderiam influenciar a realidade. Essa reflexão
parece, no entanto, estar agora ultrapassada face às declarações do
procurador-geral da República.
.............................................................................................................................................................................................
Em
relação a este assunto, transcrevo um email
difundido num dos grupos da net de moçambicanos e
cujo autor identifiquei:
BOAS AMIGOS
MAS ANDAM
TODOS MUITO DISTRAIDOS EM MOÇAMBIQUE TODA A GENTE SABE QUE O FILHO DO XISSA É
QUE CONTROLA ESSE NEGOCIO
SÓ OS MAIS
DISTRAIDOS É QUE NÃO DERAM PELO DESAPARECIMENTO DAS CRIANÇAS QUE POVOÁVÃO A
PRAIA DO TOFO EM INHAMBANE E DE UM DIA PARA O OUTRO DESAPARECERAM
ABRAÇOS PARA
TODOS
CARLOS
……………………………………………………………………………………………………………
Francisco
G. de Amorim<o:p></o:p>
O negócio de
orgãos humanos
Não sei se algum dicionário contempla palavra que possa exprimir a nossa
indignação perante aquilo que começa a ser uma nova “negociata”: o
assassinato de pessoas, normalmente menores de idade, para se lhe retirarem
alguns orgãos - fígado, rins, olhos, coração, etc. -
e fazê-los depois chegar a “dignas” equipas de cirurgiões, que com eles
procuram salvar a vida de um paciente... insensivelmente rico! Matemáticamente as contas são fáceis de fazer:
mata-se um e talvez se salvem três ou quatro; salvando-se sobretudo a equipa
cirurgica que, alheando-se da procedência dos orgãos, cobra um nota violenta
ao desesperado da morte! Nalguns locais a miséria é tanta que as pessoas procuram os
propagandistas-compradores-intermediários que não matam, mas oferecem uma boa
quantia por um rim. Se mais tarde o vendedor que se tornou deficiente tiver
um problema renal... estará perdido! Paciência; problema dele; ninguém o
mandou vender uma parte do corpo, como quem vende a alma ao diabo!!! Pobre se pudesse venderia mesmo a alma ao diabo! O que teria a perder? A
vida eterna? Para que lhe serve a vida eterna se nesta vida tudo para ele se
passa já num verdadeiro inferno? Depois de vendida a alma, um das “condições
do contrato” é deixar de rezar, de pedir ao Deus da sua meninice que o ajude. Pode ser que nesse momento o pobre deixe de se compadecer de si próprio,
que se passe a olhar não como um segregado, um marginalizado, mas como um
lutador, ganhando forças para comprar a sua alma de volta. O grande problema, o único problema, é que enquanto houver compradores,
ricos, insensíveis, cuja espécie não parece estar votada à extinção, hão-de
aparecer vendedores, intermediários, especialistas e até “humanitários” que
vão procurar, mediante um gordo pagamento, ajudar a salvar as suas vidas! E lá estará o miserável, o faminto e até a incauta criança a servirem à
sobrevivência da tal espécie que assim se prolonga ad aeternum! Que moral há nesta sobrevivência? Não seria melhor venderem logo a alma ao
demo? 20/01/04 ................................................................................................................................................................. Savana Maputo 16.01.03 Espinhos da Micaia Nebulosa Por Fernando Lima Nas últimas semanas
tenho escutado com regularidade em rádios estrangeiras, a voz alterada do que
penso ser uma brasileira, denunciando hediondos crimes em Nampula. Segunda a senhora,
crianças, sobretudo crianças, são esventradas para lhes retirarem orgãos
vitais que depois são comercializados internacionalmente. Na última comunicação da
senhora, ampliada por uma intensa troca de mensagens por correio electrónico,
dizia estar escondida algures com cinco crianças e que a polícia estava a
tentar levar uma delas, subentendendo-se que a corporação é pelo menos
cúmplice de tão monstruosa operação. Não sei a que ordem religiosa pertence.
O convento onde se abriga também não está claramente identificado. Todos sabemos das
maleitas da nossa polícia, dos bandidos fardados que nos assaltam
diariamente. Este facto contudo não me dá o direito de pensar que a
corporação é parte de uma rede de tráfico de crianças e orgãos humanos. Nestes
termos, cada vez que falo com o comandante Miguel dos Santos ou com o Dr.
Nataniel Macamo ter-me-ia de pôr em sobreaviso sobre os nefandos e
inconfessáveis mistérios que escondem as suas missões na polícia. Do que me é dado a ver,
o desempenho do Dr. Abdul Razak como governador de Nampula, embora passível
de críticas, aliás como todos nós, parece-me uns furos acima da média
nacional. Não faço dele um sucedâneo de um barão colombiano, nem os seus
equivalentes nigerianos e congoleses. Ouvir uma voz desbragada pela rádio
sugerir que o governador é cúmplice do tráfico de crianças não deixa de me
incomodar. Eu sei que para além da
súbdita brasileira, há o bispo Jaime Gonçalves que solicitou os ofícios de
sua excelência, há a preocupação da inefável Dra. Alice Mabote e a
intervenção televisiva do procurador Joaquim Madeira, citando também as
preocupações do líder (não sei se dos católicos, da IURD ou da meditação
transcendental). Para além da
mediatização destas e outras pessoas bem colocadas, pouco me foi mostrado
das verdadeiras evidências sobre as monstruosidades que estão a acontecer em
Nampula. Os técnicos do hospital que falaram com jornalistas não dão
garantias que os corpos encontrados tenham sido amputados. Os responsáveis
dos bairros (possivelmente comprados pela rede) dizem que só ouviram falar.
Não há nomes, famílias, datas, lugares, para além do famigerado terreno perto
do aeroporto onde um macabro sul-africano(branco) e
os seus cães se dedicam a práticas inqualificáveis com a cumplicidade do governador,
polícias, juizes, jornalistas, etc. Quando foi cometido o
massacre de Montepuez, uma das poucas vozes lúcidas no meio das acusações e
contra-acusações sobre as responsabilidades na mortandade, foi a da
Liga dos Direitos Humanos. Era um relatório redigido de forma algo tosca, mas
que apresentava factos. Factos que nem políticos, nem os habituais escribas a
soldo tinham conseguido até então explicar. Continua a ser o melhor
documento, pesem os milhões gastos numa controversa missão da Assembleia da República
ao local do crime. Todos ficaríamos imensamente gratos se a Liga pudesse de
novo, politizações à parte, prestar um serviço de cidadania, apresentando-nos
com isenção factos sobre os alegados infanticídios que estão a ocorrer em
Nampula. É que teorias
conspirativas todos temos. Será tudo isto uma luta
de terrenos ? Uma cruzada religiosa contra o agnóstico governador de Nampula,
mas que é apresentado como islâmico ? Ou querem-nos desviar para Nampula
enquanto em Maputo (e noutros sítios) a elite político-económica se
banqueteia com os despojos do legado estatal ? Nesta nebulosa todas as
teorias são possíveis. Pelas crianças, pelas
famílias mais intranquilas, temos o direito a saber algo mais que declarações
de gravata e batina. |
|
|
……………………………………………………………………………………………………………...
|
||||||||||||
|
||||||||||||
…………………………………………………………………………………………..
Veja, em vídeo, uma reportagem emitida pela
RTPAFRICA, em
23 de Fevereiro de 2004.
…………………………………………………………………………………………….
Procuradoria-Geral da República Diz Que Não Há Tráfico de
Órgãos Humanos em Moçambique
Por PAULA TORRES DE CARVALHO
Terça-feira, 24 de
Fevereiro de 2004
"Não há indícios de tráfico de órgãos humanos" na
província de Nampula, em Moçambique, segundo as investigações preliminares
realizadas pela Procuradoria-Geral da República de Maputo. A revelação foi
feita, ontem, em conferência de imprensa, na capital moçambicana, pelo
procurador-geral adjunto, Rafael Sebastião.
Neste encontro com os jornalistas foi divulgado o conteúdo
de um relatório de 23 páginas sobre a investigação realizada na sequência de
denúncias sobre a existência de uma rede de tráfico de órgãos a operar em
Nampula e que explicaria a morte de dezenas de crianças no último ano.
Estas queixas foram apresentadas por uma religiosa
brasileira, Elilda dos Santos, residente em Nampula, à Liga dos Direitos
Humanos, tendo sido depois encaminhada para a Procuradoria-Geral da República.
As suspeitas ganharam consistência depois de a freira ter investigado, ela
própria, oito dessas mortes de crianças.
A conclusão da Procuradoria contraria a afirmação feita
recentemente pelo procurador-geral da República, Joaquim Madeira, à RDP África
no sentido de o problema do tráfico de órgãos estar a adquirir "proporções
alarmantes" no país.
Contactada pelo PÚBLICO após a divulgação dos resultados do
inquérito, Elilda dos Santos disse que as conclusões da investigação da
Procuradoria a deixaram, bem como aos missionários em geral, "bastante
preocupados e até assustados". Adiantou, contudo: "Temos a nosso
favor uma arma muito poderosa, que é a verdade. Os cadáveres existiram, os
familiares das vítimas encontram-se em situação muito delicada... e isso não
pode ser ocultado."
Para Elilda dos Santos, a inexistência de indícios tem a
ver "com a pressão muito grande e com a cumplicidade e a manipulação das
autoridades locais". Na qualidade de pessoa que "acompanhou todo o
processo desde o início" e que "viu os cadáveres", põe em causa
as perícias feitas pelos médicos legistas. "Não houve exumação",
assegura. "Abriram as sepulturas, levantaram as ossadas e devolveram os
corpos à terra."
Segundo a religiosa brasileira, o último caso conhecido foi
"o do cadáver de uma senhora" no passado dia 6. Foi encontrada sem
partes do corpo e a explicação é que fora "comida pelos cães", conta.
Elilda dos Santos diz ainda que, contrariamente às
orientações da Procuradoria-Geral da República, o cadáver não foi removido para
estudo e foi imediatamente enterrado. "Não posso nem me devo calar perante
esta situação, atendendo a tudo o que testemunhei", afirma a freira.
Em reacção ao relatório da PGR, a presidente da Liga dos
Direitos Humanos, Alice Mabote, disse, em entrevista à RDP África:
"Esperaria outra coisa se tivéssemos um trabalho isento de perturbações e,
como deve saber, este trabalho foi perturbado." Manifesta ainda a sua
estranheza em relação ao relatório do médico legista, que "diz que a morte
foi violenta, mas não há indícios de nada e espera que investiguem".
A necessidade da investigação da causa das mortes que se
sucederam ao longo do último ano torna-se agora prioritária. Como dizem alguns
dos padres que têm acompanhado o assunto: "Se estas pessoas não foram
mortas por motivos ligados ao tráfico, se está confirmado que se tratou de
morte violenta, então o que esteve na sua origem?" É uma interrogação que
esperam vir a ter resposta.
……………………………………………………………………………………………………………………….
Correio da
Manhã – Maputo – 25.02.2004
A UTILIDADE DAS AUTÓPSIAS!
O CASO NAMPULA
Tirar a língua de três crianças para
cerimónias tradicionais é muita língua junta, sobretudo quando não se conhece
relato do passado sobre tais práticas. A coberto de práticas supersticiosas são
estarão a acontecer coisas que não legitimadas por um médico legista
desatento?!
Parece que a
equipa chefiada pelo procurador-geral adjunto no caso de Nampula no seu
relatório preliminar não convenceu não só aos jornalistas presentes como à
sociedade destinatária da informação que se divulgou. É que, perante factos, ou
seja se eu vejo um cadáver sem olhos, sem língua e outros órgãos nenhuma
autópsia me pode convencer do contrário. Não venha aqui a autópsia dizer que os
olhos lá estavam e a língua só porque são entidades únicas capazes de legitimar
o que o olho do povo viu.
Os mistérios de Nampula são graves. Algo
deve ser aprofundado das denúncias feitas, uma vez que os denunciantes existem
e reiteram as suas palavras perante o desmentido técnico de médicos legistas e
outros técnicos de suposta competência.
Falou-se de um corpo encontrado na linha
férrea (abandonado). As autoridades precipitaram-se a declarar que foi um
acidente com comboio. Ora isto é um absurdo e não entendo até quando se poderá
manter, uma vez que a população se revolta perante estas “indiferenças”
institucionais.
Tirar a língua de três crianças para
cerimónias tradicionais é muita língua junta, sobretudo quando não se conhece
relato do passado sobre tais práticas. A coberto de práticas supersticiosas não
estarão a acontecer coisas que são legitimadas por um médico legista
desatento?!
Quando a procuradoria reconhece que
desaparecem crianças em Nampula, mas reitera que nada existe do que se
suspeita, a questão é desaparecem para onde estas crianças, quem as faz
desaparecer e porquê?!
A Procuradoria-Geral, no lugar de
precipitar uma conferência de imprensa que nada traz de substancial, deveria
ter continuado a trabalhar no terreno e com os denunciantes até encontrar algo
palpável que pela forma como se diz é convicção geral que existem, sim, senhor,
problemas em Nampula, mesmo que os livros não consigam identificar, há
problemas.
O que estou a pensar é que eventualmente
estejamos a fazer exigências técnicas difíceis em que os meios não nos ajudam,
mas a negar as evidências só porque a autópsia nada indica não acho que seja
justo; recomenda-se mais trabalho com o mesmo chefe da equipa sediado em
Nampula e nada de visitas aos supostos raptores de menores e sabem porquê?...
PS: Os
detalhes sobre a vida da nação tem animado muitas sensibilidades e cansam às
vezes os que emitam opinião, eu sou um dos que está cansado pelo que vou
repousar por algum tempo e peço compreensão aos assíduos leitores deste De Olho
Aberto.
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
«Há qualquer coisa que vai ficar por explicar»
O padre Firmino reage com estranheza às declarações do procurador de
Moçambique, que negou o tráfico de órgãos humanos no país. O religioso
pergunta: «se o Governo não defende as suas crianças quem é que as vai
defender?».
20:09
23 de Fevereiro 04
Padre Firmino, um religioso português que acompanha o alegado tráfico de
órgãos em Moçambique há vários meses, considera que a questão está muito longe
de ficar encerrada com o anúncio da justiça moçambicana, que estranha.
«É de facto muito estranho depois de ele (procurador-geral da República) ter
reconhecido publicamente há pouco tempo que havia indícios fortes da existência
desse tráfico, não apenas em Nampula mas até noutras províncias de Moçambique»,
disse à TSF.
«De facto, é verdade que desde há dias ele vinha mudando um pouco o discurso e
não é de colocar de parte o facto de ele ter sido alvo de pressões, talvez por
parte do governo preocupado com a sua imagem externa», acrescentou.
Pode não haver tráfico, mas há crime.
O padre Firmino diz que se não há tráfico de órgãos, outros crimes haverá,
porque 50 crianças continuam desaparecidas.
«Há qualquer coisa que vai ficar por explicar. Os testemunhos e as reportagens
falam de crianças que desaparecem, de crianças de que aparecem os corpos sem
órgãos, de crianças raptadas que conseguem escapar e que dão testemunhos, etc.
Ora, se não há uma ligação com tráfico de órgãos humanos, isto deverá ser uma
outra coisa qualquer, mas não deixa de ser crime», sublinhou.
«Se há crime há criminosos. Portanto vai ter que haver uma investigação para
explicar tudo isto que tem acontecido e que são fenómenos muito preocupantes»,
frisou o religioso.
«Pode-se perguntar até que ponto a justiça moçambicana é isenta e pode fazer um
verdadeiro trabalho de investigação e quem é que defende as crianças
moçambicanas. Se o Governo moçambicano não defende as suas crianças quem é que
as vai defender?», questiona Firmino Cachada, que dá apoio a vários
missionários em Moçambique e acompanha este caso de perto.
O alegado tráfico de órgãos e de crianças foi denunciado por uma freira
brasileira em Dezembro último.
………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2004 -
13h16
Jornal O Estado de São Paulo - Brasil
Embaixada
do Brasil investiga morte de missionária na África
Brasília - A embaixada brasileira e a igreja luterana acompanham de perto as
investigações sobre a morte da missionária Doraci Edinger, que vivia em
Nampula, Moçambique.
O corpo de Doraci foi encontrado na terça-feira dentro do apartamento onde a
missionária luterana morava.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a embaixada em Maputo já
providencia os papéis necessários para que o traslado ao Brasil, possivelmente
para a cidade gaúcha de São Leopoldo.
Ainda não há data marcada para o transporte, a ser pago pela igreja luterana
brasileira.
Em Nampula, Segunda a Agência Brasil, a missionária ajudava na construção de
escolas e de postos de saúde. Também auxiliava a instalação de poços artesianos
nas comunidades rurais.
Nos seis anos em que esteve em Moçambique, Doraci disseminou o plantio de pés
de caju e a distribuição de outras sementes.
Não há dúvidas de que ela tenha sido estuprada e assassinada.
Há algum tempo, em um relatório oficial escrito à igreja brasileira, Doraci
Edinger mencionou que o trabalho de assistência social era muitas vezes
dificultado pelas ameaças de morte que sofria.
Uma das hipóteses investigadas pela polícia é a de que a missionária sabia
sobre o tráfico internacional de órgãos, que envolve crianças da comunidade
onde trabalhava.
…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
|
2004-02-27
00:00:00 |
|||
|
A polémica questão do alegado tráfico de órgãos humanos em Moçambique poderá estar na origem do assassinato de uma missionária brasileira, encontrada morta em Nampula (norte do país), província onde, segundo denúncias de freiras católicas, têm ocorrido os crimes. |
|||
Contactado pelo CM, o padre Jacob, da Missão Católica de São
João Evangelista em Nampula, confirmou já saber o crime e estar muito
preocupado com a eventual existência de tráfico de órgãos humanos. |
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
WAMPHULAFAX
Suspeita de Homicídio
LEIGA DA IGREJA LUTERANA ENCONTRADA SEM VIDA
Uma leiga da Igreja Evangélica Luterana de nacionalidade
brasileira foi encontrada na última terça-feira, sem vida e em estado adiantado
de putrefacção no interior da sua residência em circunstâncias ainda não
esclarecidas.
Fontes policiais, que dizem
ter encontrado um martelo no interior da casa, não afastam a possibilidade de
que a malograda tenha sido vítima de homicídio, porquanto apresenta graves
mutilações, sobretudo na parte da cabeça.
De notar que a porta se
encontrava trancada por fora através de um cadeado, tendo a malograda sido
encontrada prostrada no chão e enrolada num lençol.
A parede do quarto estava
manchada de sangue.
O Wamphula Fax apurou que a
leiga vivia sozinha, e que a descoberta da ocorrência foi graças ao cheiro
nauseabundo que se espalhou pela zona, para além do facto de a viatura em que
circulava a “vitima” ter estado nos últimos dias imobilizada diante da casa.
No dia da descoberta do
corpo sem vida, depois do arrombamento pela polícia, os bens da vítima não
davam qualquer evidência de ter havido roubo. Todos os bens estavam lá e até o
televisor encontrava-se ainda ligado, contou uma fonte ao nosso jornal.
Informações colhidas pela
nossa reportagem indicam que a vítima, que em vida respondia pelo nome de
Edoraci Julieta Eger, ter-se-ia deslocado semanas
antes ao distrito de Moma.
O porta-voz da PRM Oliveira
Maneque disse que o corpo da vitima foi entregue ao
Hospital Central de Nampula para efeitos de autopsia que irá confirmar a causa
da morte, o que poderá ajudar a seguir as pistas do eventual crime.
A residência da vítima está
neste momento a ser guarnecida pela Policia uma vez que se afirma que ela não
tem familiares no país.
Indiciado no tráfego de menores
CIDADÃO SUL-AFRICANO ARRANCOU SEU PROJECTO
O Casal Gary Oconnor, indiciado no rapto de menores na cidade de
Nampula, iniciou recentemente o seu projecto denominado Gett, Ltda., que
compreende a criação, o processamento e a venda de aves.
O empreendimento encontra-se
instalado no terreno que estava a ser disputado com a população local. A
ocupação, por Gary,
daquela parcela de terra
terá gerado conflito entre si e parte dos camponeses que praticavam agricultura
do sector familiar.
Aliás, segundo sondagens feitas pelo
Wamphula Fax, conclui-se que a população teria tentado instar as autoridades
competentes por forma a que Oconnor fosse expulso do país
e, consequentemente, expropriado do terreno que lhe fora concedido para a
implantação do referido projecto.
Segundo constatamos no local, os
congeladores que geravam suspeitas de serem concebidos supostamente para a
conserva de
órgãos humanos, são os mesmos
que afinal são agora utilizados para a conserva de frangos destinados a venda
pública para a posterior venda.
Dados em nosso poder dão, por outro
lado, conta que o projecto GETT Ltda., arrancou com a
criação de cerca de três mil frangos importados da África do Sul, e que
absorveram cerca de um milhão de dólares, financiados pelo Gabinete de Promoção
de Investimento (GAPI), na cidade de Nampula.
De referir que com o arranque daquele
projecto, foram criados mais de trinta postos de emprego.
Wf
Nampula
PIC TENTA INTIMIDAR IMPRENSA
Uma carta de pedido de colaboração dirigida a Rádio
Publica Nacional (RM) e a Rádio Encontro, pertença da igreja católica, está a
ser interpretado por vários sectores ligados aos media na cidade nortenha de
Nampula como sendo uma tentativa de a Policia de Investigação Criminal, neste
ponto do País, tentar intimidar a imprensa que tem vindo a reportar o alegado e
propalado caso de tráfego de crianças e órgãos humanos.
Tais cartas, com o mesmo
teor mas dirigidas aquelas duas rádios em datas diferentes, solicitam, “no
sublime interesse publico” que as direcções destas estações facultem as fontes
da informação vinculadas à volta do alegado tráfico de menores e órgãos
humanos.
As notas que o Wamphula fax
teve acesso foram enviadas no dia 11 de Fevereiro para a Rádio Moçambique e 18
do mesmo mês para a Rádio Encontro com o alegado objectivo de identificar as vitimas e
respectivos ofendidos ou testemunhas que possam facilitar o trabalho de
investigação em curso naquela corporação.
Tanto a Rádio Moçambique
como a Rádio Encontro, responderam negativamente a tal pedido de colaboração
baseando-se no artigo 30º. da Lei de Imprensa, que
reconhece aos jornalistas o direito ao sigilo profissional em relação a origem
da informação que publiquem ou transmitem.
O Sindicato Nacional de Jornalistas na região norte, para alem de ter
condenado tal atitude da PIC, disse estranhar que no meio de tantos órgãos de
informação que cobriram e continuam a reportar alegados casos ligados aos
trafico de crianças e órgãos humanos, se tenha escolhido apenas a RM e a Rádio
Encontro para colaborar com eles. As referidas cartas da PIC foram assinadas
pelo respectivo director Eugênio Balane, com um visto do Comandante Provincial,
José Weng San e foram distribuídas para o conhecimento do Governador da
Província, Procurador chefe provincial e Juiz Presidente do Tribunal Judicial
de Nampula.
…………………………………………………………………………………………………………………………………
Missionária
Protestante Morta em Moçambique
PUBLICO
Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2004
A missionária brasileira protestante Doraci Edinger foi
encontrada morta, na terça-feira, no apartamento onde morava, em Nampula, no
norte de Moçambique, anunciaram ontem as autoridades brasileiras, citadas pela
Lusa.
O Ministério das Relações Exteriores, através da Embaixada do
Brasil em Moçambique, está já a preparar a transladação do corpo da missionária
para o Brasil. Natural da cidade de São Leopoldo, no estado do Rio Grande do
Sul, Doraci Edinger era missionária da Igreja Evangélica de Confissão Luterana.
Em Moçambique desde 1998, Doraci trabalhava em projectos sociais como
construção de escolas, hospitais e perfuração de poços para abastecimento de
água.
A Agência Brasil, órgão oficial do Governo brasileiro, noticiou
que a polícia moçambicana admite a possibilidade de a morte estar relacionada
com as denúncias de missionárias católicas sobre tráfico de órgãos de crianças
na região de Nampula. Em 2001, numa carta
enviada à direcção da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no
Brasil, Doraci Edinger escrevera que estava a receber ameaças de morte.
Crime Ou Aviso?
Por NUNO PACHECO
Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2004
A notícia do assassinato de uma missionária em Moçambique veio
agitar de novo os ânimos, num momento em que outras freiras se queixavam (e
queixam) de ameaças de morte por investigarem uma alegada rede de tráfico de
órgãos humanos no país. Pode não haver qualquer relação
entre o assassinato de Doraci Edinger e as ameaças de morte que
pairam sobre Elilda dos
Santos e outras
irmãs do mosteiro Mater Dei, já que pertencem a congregações distintas,
sediadas em diferentes zonas de Nampula. Mas o facto de se tratar de religiosas
brasileiras
pode deixar em aberto a dúvida: terá sido um crime premeditado,
com outros motivos mas com a "vantagem" de servir de exemplo? Poderá
este assassinato querer intimidar quem se aventure, no seu trabalho humanitário
e social, para lá das marcas definidas pelos interesses de negócios ilegais e
afortunados?
Elilda dos Santos, há nove anos a viver e trabalhar em
Moçambique, está prestes a partir: "Estou de malas aviadas e sei que isso
satisfaz muitos que me querem ver pelas costas", afirmou. Mas o facto de
ter denunciado, há ano e meio, diversos casos que podem estar
relacionados com
tráfico de órgãos na zona de Nampula (desaparecimentos, cadáveres mutilados),
faz dela um alvo fácil.
Talvez mesmo um alvo a abater. Como Doraci Edinger, cujo
assassinato continuava ontem a aguardar explicação oficial. Mas se for tão
clara quanto a explicação dada pela Procuradoria-Geral moçambicana para negar
vestígios de tráfico de órgãos nos casos denunciados, então
continuaremos no reino do mais puro surrealismo. Disse o
procurador-geral adjunto, para pasmo de quantos o ouviram: "Alguns
cadáveres examinados tinham falta de certos órgãos, mas os resultados das
autópsias não determinam que os mesmos tenham algo a ver com o negócio de
órgãos". Naturalmente, como se imagina, os mortos são aliviados de olhos,
coração ou pulmões para facilitar o enterro.
Ficam mais leves e são mais fáceis de transportar... Se o
ridículo matasse, o anúncio público do relatório da Procuradoria teria sido uma
chacina. Como não mata, temos que nos limitar às recordações de um terror que
ainda ameaça fazer mais vítimas: dos 80 meninos de rua "muito
conhecidos" restam 15; eles contam que os aliciam com comida e dinheiro,
mas os que foram "com os brancos" não voltaram (qual será o seu
paradeiro? Em que corpos baterão agora os seus
corações?); na zona do aeroporto, as religiosas começam a registar
movimentos estranhos: carros de vidros escuros, pessoas inamistosas, silêncio,
uma avioneta e sinais de luzes (tomaram nota de matrículas e entregaram-nas às
autoridades, sem nenhum resultado até hoje). O curioso é que o procurador-geral
de Moçambique afirmara à RDP-África, em absoluta dessintonia com o posterior
relatório da instituição que superintende, que o tráfico de órgãos estava a
adquirir "proporções alarmantes" no país. Terá coragem de agir em
conformidade?
………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
|
2004-02-28
00:00:00 |
|||
|
A UNICEF está a acompanhar atentamente as sucessivas mortes e desaparecimentos em Moçambique, cuja ligação ao tráfico de crianças e órgãos humanos foi denunciada por religiosas naquele país. Uma preocupação que surge no dia seguinte a ter sido anunciado a morte em Nampula de uma missionária luterana brasileira, violada e assassinada na sua residência por desconhecidos. |
|||
“Estamos preocupados com as denúncias feitas pelas freiras,
parece ser algo muito dramático, é urgente que as autoridades investiguem as
denúncias” – afirmou ontem em Maputo Michael Klaus, porta-voz daquela
organização, que, no entanto, não contestou os resultados da investigação
preliminar da Procuradoria-Geral. Mesmo assim, Klaus admitiu que a ausência
de indícios claros em relação às denúncias das freiras “não significa que não
aconteceu nada”. Questionado se a organização tem alguma pista sobre o
alegado tráfico de órgãos em Nampula, Michael Klaus declarou que apenas pode
“referir o relatório preliminar do procurador-geral, segundo o qual não há
indícios no momento”. O responsável da UNICEF confirmou também que a
investigação das autoridades moçambicanas se referem apenas a dez ou 12 dos
60 casos que foram denunciados pelas freiras. |
………………………………………………………………………………………………………………………………….
MOÇAMBIQUE
Detidos cinco suspeitos da morte de missionária
A polícia de Nampula deteve cinco suspeitos do assassinato da
missionária luterana
brasileira. Dois
dos detidos são guardas que faziam a segurança ao edifício onde Joraci Edinger
morava sozinha.
10:27
28 de Fevereiro 04
A informação foi avançada à Lusa por um responsável
policial de Nampula, que adiantou que dois dos cinco detidos eram seguranças no
edifício onde a missionária vivia sozinha, numa das principais ruas da cidade.
Os outros três eram elementos da congregação luterana da cidade.
Estes últimos foram detidos por obstrução à justiça, segundo
Xavier Roberto Tocoli, director da Ordem Pública da Polícia da República de
Moçambique de Nampula.
Os guardas são suspeitos de conivência com o crime, ocorrido no
passado dia 21 de Fevereiro. A autópsia revelou que a missionária foi
assassinada com golpes de martelo no crânio.
«A religiosa tinha montado um sistema de segurança que impedia
que alguém entrasse na sua casa sem que fosse avisada pelos guardas, o que nos
leva a crer que estes estarão relacionados com o crime ou que conhecem quem o
praticou», disse Tocoli.
A mesma fonte adiantou que as autoridades baseiam as suspeitas
no facto dos guardas não terem alertado para o desaparecimento de Joraci
Edinger, dado que o corpo só foi descoberto na passada terça-feira.
Os outros três suspeitos são acusados de transferirem, sem autorização,
o cadáver da religiosa do Hospital Central para o Hospital Militar, este
último, o único que dispõe de câmara frigorífica.
«Eles defenderam-se com as melhores condições do Hospital
Militar, mas, seja como for, tinham de avisar a polícia e suspeitamos que por
trás disso exista mais qualquer coisa», adiantou Tocoli.
………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
RADIO RENASCENÇA (28.02.2004)
|
||||||||
|
||||||||
|
………………………………………………………………………………………………………………………………..
DE UM NAMPULENSE RESIDENTE NO BRASIL
Mais uma vez ouço a TV Globo
falar em Nampula. Ao invés de notícias boas e agradáveis, são outra vez
desagradáveis, desta vez as da morte de uma missionária luterana, aqui do Rio
Grande do Sul. Segundo a Globo ela tem uma irmã, também gaúcha, a quem revelou
da última vez que cá esteve o que estava a acontecer com a negociata de
órgão humanos em Nampula. A irmã da falecida botou a boca no trombone cá no
Brasil e os meliantes, como não lhe podiam tocar, mataram-lhe a irmã, que
estava para regressar em Maio ao Brasil. Isto foi o noticiado, há poucas horas
no Jornal da Noite.
É incrível como as autoridades
moçambicanas deixam agir essas quadrilhas, nas suas barbas. Elas, que tanto
criticaram as autoridades portuguesas, revelam afinal total incompetência no
campo policial, porque no tempo dos portugueses nada disso acontecia. Havia um
controle policial eficaz. Afinal as "amplas liberdades democráticas, as aberturas" tão defendidas pelos iluminados
marxista, penas servem para que as piores formas de atuação humana se revelem e
ajam, impunemente, perante a impassibilidade ou incapacidade de quem as deveria
reprimir.
Será justo que Os Direitos do
Homem se apliquem também a quem os não respeita?... neste caso os
traficantes de órgão e os assassinos e estrupadores da cidadã brasileira...
Claro que para aquelas pessoas
que sabem que vivi largos anos em Nampula, quando me perguntam como são as
coisas, respondo que no tempo dos portugueses em Moçambique nada disso
acontecia e é verdade.
Um tchau. Tudo de bom.
Sérgio
……………………………………………………………………………………………………………………….
PELO MENOS SEIS PESSOAS DETIDAS PELA
POLICIA EM NAMPULA
WAMPHULA FAX – 29.02.2004
Pelo menos seis pessoas foram até ontem detidas pela policia na cidade de
Nampula, em conexão com a morte da irmã Edoraci Julieta Eger, leiga da Igreja
Evangélica Luterana, de nacionalidade brasileira, ocorrida no sábado dia
21 de Fevereiro, cujo corpo sem vida e em estado avançado de decomposição, foi
descoberto num dos compartimentos da sua residência, cerca de três dias depois.
Trata-se de dois guardas do prédio onde Edoraci residia e outros quatro membros
da congregação Luterana de que a irmã fazia parte por, segundo as autoridades
policiais, existirem fortes indícios de estarem duma ou de outra forma ligados
aquele acto macabro em que os actores para tirarem vida a malograda utilizaram
um martelo e aplicaram golpes contundentes na cabeça da vítima.
Xavier Tocole, director da ordem pública junto do comando provincial da PRM em
Nampula disse ao nosso jornal que sobre os dois guardas, a sua detenção tem
haver com o facto de não terem observado escrupulosamente o esquema de
segurança montada pela malograda, para atender qualquer que fosse o tipo de
visita, seja ela membro da igreja ou não.
De acordo com aquele oficial da polícia, a irmã Edoraci para atender ou receber
pessoas em sua casa, a qualquer hora do dia tinha que forçosamente ter um
reconhecimento dos dois guardas, pelo facto de não somente guarnecerem a sua
residência que se situa no segundo andar, assim como de todo o prédio.
"Estranhamente estes dois indivíduos não somente não obedeceram este
esquema, do mesmo modo que, para a polícia deviam ter desconfiado o facto de
durante três dias não terem visto nenhum movimento da irmã, enquanto o carro
dela permanecia imobilizado defronte do prédio, o que não era normal. Só no
quarto dia é que comunicaram o "sumiço",
eventualmente por sentirem alguma responsabilidade no acto",
explicou Xavier Tocole.
Em relação aos quatro membros da congregação que igualmente se encontram
encarcerados nas celas da corporação, o seu vínculo com este crime é por
simples facto destes terem movimentado o corpo da vítima da morgue do Hospital
Central para a do Hospital Militar, horas antes das autoridades sanitárias
efectuarem autopsia, uma acção que a polícia considera deliberada para ocultar
as verdadeiras causas da morte da leiga.
O móbil do crime, segundo a fonte, e pelas investigações preliminares
realizadas junto da Congregação Evangélica Luterana dão conta a existência de
contradições entre membros desta igreja na cidade de Nampula, nalgumas ocasiões
as desinteligência terem chegado a vias de facto, acrescentou o director da
ordem pública da PRM em Nampula, anotando que por causa disso mais pessoas
poderão recolher aos calabouços nos próximos dias.
"Ademais, tivemos conhecimento que aquela irmã ia a uma reunião nacional a
realizar na Beira, para a qual tinha elaborado um relatório exaustivo das
actividades da igreja em Nampula, onde se fala entre os crentes o desvio de
bens e dinheiro da congregação para fins pessoas por parte de alguns membros, o
que certamente os visados não queriam ver o assunto naquele encontro",
disse Tocole.
O director da ordem pública reiterou ainda que este crime não tem nenhuma
relação com a propalada falta de segurança que outra irmã de origem brasileira
veio a público falar, depois que denunciou alegado tráfico de menores e órgãos
humanos e assegurou que também não tinham relações de amizade entre ambas.
O resultado da autópsia confirma que a morte da leiga foi violenta, tendo
sofrido golpes na cabeça. (x)………………………………………………………………………………………………………………………
…………………………………………………………………………………………….