Zé Beto em criança, Tatiana na juventude e Castelo Branco na idade adulta
A VERDADEIRA HISTÓRIA DE JOSÉ ALBERTO VIEIRA

Da criança gorducha de Tete (Moçambique), conhecida por todos como Zé Beto, Castelo Branco é, aos 40 anos de idade, uma das figuras "must" em qualquer festa do 'jet-set' nacional.

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José Alberto Vieira

Pelo meio ficaram os loucos anos de juventude em que passou a chamar-se Tatiana, apanhava o autocarro em Santo António dos Cavaleiros vestido de mulher e ganhava a vida entre 'shows' de travesti e negócios de obras de arte.

O nome de Castelo Branco causa surpresa entre os que conviveram de perto com José Alberto Vieira desde o seu nascimento. Proveniente de uma família moçambicana, de classe média, com raízes na Europa, África e Índia, na cidade de Tete, José foi uma criança muito ligado à mãe, dona Nini. O pai era angariador de homens para trabalharem na África do Sul e a mãe trabalhava como secretária numa firma de automóveis. A família era conhecida pelos Vieira, nome de resto adoptado pelo seu irmão Sérgio, destacado político em Moçambique que, no tempo de Samora Machel, foi ministro da Presidência, pela sua irmã, médica veterinária, Gabriela, e pelo meio irmão, Jorge, residente em Portugal.

Com a independência, José Alberto mudou-se para Portugal. Na juventude assumiu a profissão de travesti, com o nome de Tatiana. Sem complexos, vestia-se de mulher e começava a sua carreira florescente de negociador de arte. É desta altura o seu primeiro casamento do qual nasceu o filho Guilherme. Recordado como pedante, José Vieira era visto como perito em arte.

Com galeria aberta na Linha do Estoril, José Alberto Vieira estabeleceu contactos com o mundo da arte em Nova Iorque, onde viria a conhecer Betty Grafstein, viúva de um milionário de origem judaica. José assume então o apelido de Castelo Branco, Após o casamento com Betty vivem num vaivém entre Nova Iorque e Sintra.

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DORMIU DE PORTA ABERTA E DIVERTIU

"Foi a noite mais divertida que já passámos na prisão". A frase é de João Braga Gonçalves e foi proferida ontem, durante o café da manhã, no Estabelecimento Prisional junto à Polícia Judiciária (EPPJ). Na mesma mesa, João Vale e Azevedo e José Braga Gonçalves, outros dos notáveis daquela prisão, assentiram e o riso foi geral.

Tudo por causa de José Castelo Branco, cuja passagem pelo EPPJ dificilmente será esquecida, de acordo com aquilo que os irmãos Braga Gonçalves contaram ontem a uma das suas visitas. Tudo começou quando Castelo Branco teve de se despir, regra da prisão. O facto de estar de 'collants' de lycra e cueca fio dental foi, obviamente, alvo da maior chacota. Depois, o 'marchant' ex-modelo, não aguentou ficar fechado na cela. Gritava bem alto que sofria de "afrontamentos" e "claustrofobia".

Numa primeira fase, os guardas iam-lhe abrindo a porta da cela a espaços. Mas face à gritaria, com frases como "são os invejosos", "eu sou um senhor, casado com uma dama multimilionária e conhecido em todo o mundo" e "é por causa desta inveja que eu detesto este País, quero voltar para Nova Iorque", quando a espertina já tinha atingido toda a ala e todos riam, foi tomada a decisão de deixar a porta da cela aberta e colocar um guarda de vigia.

De manhã, na tal mesa do café, continuaram as lamentações. Castelo Branco queria estar "apresentável" para ir a interrogatório, até porque só veste grandes marcas. Pediu gel e um elástico para o cabelo. Como não havia, protestou alto e bom som. Voltando às suas frase preferidas - "Eu sou um lorde, um senhor, vocês são uns invejosos, não posso ir assim ao juiz" -, Castelo Branco lá conseguiu um elástico de borracha normal e puxou o cabelo para trás com água.

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Um complemento à história de Zé Beto

 

 - Informação enviada por pessoa que conviveu de perto com a família Vieira:

 

O bisavô do Betinho Sérgio e Gaby era um soldado português de nome Pedro Albino.

"Amigou" com uma preta e nasceu o avô José Albino.

Este casou com uma Frechault de Quelimane. Boa gente.

Tiveram dois filhos e três filhas: Rui, Fernando, Irene, Néné e Maria Amélia. Meus vizinhos em Tete.

O José Albino foi carcereiro em Tete. O então juiz de nome Garção que diziam em Tete era um dos amantes da Irene (Nini), ajudou o pai transferindo-o para o tribunal como ajudante de escrivão. O Dr. Garção que eu conheci muito bem era um "pontarrão" disse ao José Albino que tinha que acrescentar ao nome um apelido mais fino. Daí saiu o Castelo Branco.

 

A Nini, mãe do Betinho, casou com o Francisco da Silva Vieira, bom homem e amigo da família. Dessa ninhada, o Sérgio Maria Castelo Branco da Silva Vieira, mais tarde mudou o nome para Sérgio Vieira. Viva o Leninismo Marxismo, etc. etc.

Eu não me lembro do Betinho. Sei que foi expulso de Moçambique pelo irmão assim como outros elementos da família Silva Vieira.

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Pelo que li num jornal, o irmãozinho do "artista" está em Tete como alto funcionário da Hidro-Eléctrica do Cabora Bassa.

A sua capacidade de político foi testada, mas pelos vistos está a usufruir dos direitos de lealdade ao regime.

Em 76, o pai dele (e também do outro), que era o motorista do camião da distribuição da carne entre o matadouro e os talhos, foi ferozmente agredido por um dos novos (preto) donos dos talhos que eram dos colonialistas,  quando fazia a entrega da carne,  o selvagem achou que o velhote estava a desempenhar uma tarefa que devia ser de um preto, tratando-o mal por ser de origem asiática.

Alguém da família, conseguiu contactar o então Camarada Ministro Sérgio Vieira no Maputo,  pedindo-lhe que intercedesse para que o agressor fosse castigado, ouviu como resposta que, se o outro lhe bateu foi porque ele merecia.

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Correio da manhã

2004-03-10 00:25:00

CONFISSÕES DO MORDOMO DE JOSÉ CASTELO BRANCO

Indignado com as acusações de roubo e agressão, José Augusto Silva, ex-mordomo do casal Castelo Branco/Betty Grafstein, revela os segredos do ‘marchant’

MORDOMO

José Augusto Silva foi mordomo na casa de Betty Grafstein e José Castelo Branco durante cerca de seis meses. Tempo suficiente para se aperceber que o 'rei do jet set' nacional "não tem nível nenhum". Não só "vive à custa da senhora", como "trata mal a mãe e a Lady Betty". Além disso, segundo o ex-empregado, "é contrabandista de jóias e roupas de marca" e tem por hábito "roubar os lençóis, atoalhados e até os guardanapos dos hotéis". Mas, além destas revelações José Augusto confessa que o ex-patrão o obrigava a "engatar homens para ele” e acusa-o de ser "viciado em revistas pornográficas".

Quanto à suposta agressão e roubo ao patrão, José Augusto é peremptório: "Eu não o agredi, ele é que depois de ter virado o meu quarto do avesso sem encontrar nada, desatou a correr atrás de mim e eu, para o travar, atirei-lhe a tábua de engomar. Depois, fui fazer uma participação à PSP e estou à espera de ser chamado”, conta.

O ex-mordomo desfia um rol interminável de 'segredos' de José Castelo Branco e lamenta que "a senhora [Grafstein] esteja a passar por isto tudo". José Augusto diz mesmo que o 'socialite' , “trata mal a mulher, principalmente quando se embebeda”, e faz chantagem com ela. “Diz-lhe com frequência que se ela o deixar ele a denuncia às autoridades por tráfico. A senhora passa noites a chorar".

O ex-mordomo adianta ainda que José Castelo Branco "não tem nenhuma galeria de arte nem sequer um escritório e, como não faz nada, não tem dinheiro”. “Ele vende jóias e também roupa de marcas famosas, como Chanel e Yves Saint Laurent entre outras". E recorda que no dia em que o ‘marchant’ foi detido no Aeroporto de Lisboa, a sua mala de viagem “vinha carregada de jóias". "Muitas vezes fui usado para passar jóias e até pornografia. Ele colocava as revistas homossexuais na minha mala sem eu saber”, adianta.

Mas José Augusto fez mais: “A pedido dele inscrevi-me num clube ‘gay’ de Nova Iorque, para ele poder ir lá usando o meu nome. E cheguei a fazer engates para o meu patrão”.

Segundo o ex-mordomo, José Castelo Branco não sai do apartamento de Nova Iorque “porque tem medo que o filho da senhora, que não se dá com ele, lá vá. Como não sai de casa, embebeda-se”. Além disso, José Augusto revela que a casa tem quatro assoalhadas e sempre que recebiam visitas era despejado do seu quarto. “Eu dormia no chão”, conta.

José Augusto garante ainda que desde Agosto, altura em que entrou ao serviço do casal, se despediu três vezes mas foi ficando a pedido de Betty Grafstein. E não tem boas recordações. “Aquela casa é uma miséria. Só se comem asas de peru e fígado. Quem trata da cozinha é a mãe dele, a D. Nini, que alugou os quartos da sua casa de Santo António dos Cavaleiros para ajudar o filho e foi viver com ele. A senhora vive num quarto de empregados. Quando ele está mal disposto chama-lhe preta e negra, entre outras coisas”, acrescenta.

Mas na lista secreta de José Castelo Branco figura ainda o facto de, segundo o ex-empregado, gostar de trazer recordações dos hotéis por onde passa. “Ainda há pouco ele acusou o motorista, um rapaz do Leste, de ter roubado roupas num hotel do Porto, só que o motorista, que acabou por ser repatriado, provou que era Castelo Branco quem tinha as coisas em seu poder”, adianta.

'NÃO QUERO OUVIR 'CUSQUICES' DA CRIADAGEM'

O CM contactou José Castelo Branco para o confrontar com as afirmações do seu ex-mordomo. Mas assim que se falou no nome de José Augusto Silva, o ‘marchant’ reagiu tempestivamente.

“Olhe uma coisa, se vocês vão começar com peixeiradas eu vou pôr isso no meu advogado. Ele pode dizer o que quiser. Eu não quero ouvir nada. Ele é um ladrão, um psicopata e um louco. Eu não dou ouvidos a loucos e se vocês querem dar ouvidos a loucos, então vou ter que meter os meus advogados. E se aparecer alguma coisa com o meu nome, recebem imediatamente uma carta do meu advogado. Eu não quero ouvir ‘cusquice’ nenhuma da criadagem”, referiu.

Quanto à sua ausência do programa de Herman José, do passado domingo, que o próprio fez questão de anunciar ao CM, Castelo Branco disse apenas: “Não pude ir. Tive outras coisas para fazer”.

 

 

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