
O REI DO JET-SET
Aventuras no meio de crocodilos e jacarés
não são para qualquer um, mas José Castelo Branco pode gabar-se de já ter tido
um encontro imediato com os bichos e ter sobrevivido para contar a história. E
não, não foi ter entrado numa loja Lacoste.
Aos 5 anos, em Tete
(Moçambique), o rei do jet-set caiu num tanque
cheio de répteis e quase foi comido vivo. "A sorte é que eles já tinham
comido e estavam cheios!", garante a mãe do "conde", dona Nini, ao 24horas.
Castelo Branco, 44 anos,
prefere desvalorizar a história. "Eram todos pequeninos, mais pequeninos
do que eu". Mas a mãe, que não ganhou para o susto, bem se lembra que,
entre tantos jacarés e crocodilos bebés, "havia um que já era grande, com
um metro e tal". "Teve muita sorte!", repete a mãe.
Era muito traquina
Muita sorte e muita
ajuda. "Foram as pessoas que lá estavam que o ajudaram", conta a
mamã da celebridade, a quem não restam dúvidas de como o pequeno José Alberto
foi parar ao tanque: "Era um malandro, muito traquina, e caiu".
Dona Nini
não estava por perto quando se deu o acidente e só soube do sucedido quando o
pequeno Zé já estava são e salvo, mas conhecia bem os donos dos bichos.
"Eram de uma senhora e do marido, o doutor Lorena, que faziam criação",
explica dona Nini. Parentes da
família, segundo Castelo Branco, que voltou a encontrar um deles a 5 de
Junho do ano passado.
O comandante do avião que o expulsou do
voo da TAP para Nova Iorque era o filho do dono dos crocodilos. E a história
voltou, vivinha da silva, à memória de José Castelo Branco: "A casa não
era dele [do comandante da TAP], nem foi ele que me salvou. O meu pai alugava
casas e e o pai dele era inquilino do meu pai. Era
veterinário e construiu um tanque de crocodilos lá em casa". Ou o
comandante não se lembrou deste passado em comum, ou é um ingrato, para fazer
o Zé passar um vexame destes.
…………………………….
Durante a infância, em Moçambique, já gostava mais de
patinagem artística do que de... hóquei em patins. Em Portugal, estudou num
colégio interno, vestiu-se de mulher durante um ano mas continuou
a gostar de mulheres
(tanto que
casou duas vezes). As festas
do jet-set
tiraram-no do
anonimato; a "Quinta
das Celebridades"
transformou-o no
homem mais falado de Portugal
Textos de: Catarina Guerreiro, Lína
Santos, Luís Maia e Nuno Pinto Martins
"O Zé foi um
presente que Deus me deu"
Reparem nestas duas frases
da mãe de José Castelo Branco sobre a infância do rapaz: "Tinha muitos amigos,
mas lidava especialmente com meninas"; e "Gostava muito de andar de
bicicleta e de patinagem artística. Mas nunca achou piada ao hóquei em
patins". O lado feminino deste homem começou a sobressair quando ele
ainda era criança.
Nasceu a 8 de Dezembro
de 1960, na cidade de Tete, em Moçambique. O pai, Francisco da Silva Vieira era
um fazendeiro abastado. A mãe, Inês Castelo Branco, mais conhecida como Nini, ajudava o marido nos negócios.
"Nem
me apercebi que estava grávida. Como o pai dele teve um grande acidente nesse
ano, no Dia de Santo António, eu disse sempre que o Zé ia nascer no Dia da
Imaculada Conceição, e assim foi", conta dona Nini
ao 24horas, emocionada com o simbolismo da data: "O Zé foi um
presente que Deus me deu".
Viver em Santo António dos Cavaleiros
Por causa da guerra colonial, a família
de Castelo Branco mudou-se para Portugal. Os pais ainda passaram alguns anos a
viajar entre Moçambique e Portugal, para tentarem salvar os negócios. O filho
ficou por cá a estudar num colégio interno. Tinha 13 anos. "Já nessa
altura eu notava que ele gostava muito de arranjar-se e vestir-se bem. O Zé
sempre foi muito vaidoso", diz a mãe do "conde White
Castle".
Francisco e Nini mudaram-se definitivamente para Portugal em 1981 e
foram morar para Santo António dos Cavaleiros. O filho foi de malas aviadas
para a casa paterna. "O Zé estudava e trabalhava. Fazia tapetes de
Arraiolos para ganhar dinheiro e gostava muito de sair à noite", lembra a
mãe.
A fase Tatiana Romanov
José Castelo Branco teve
uma fase na vida em que se vestia de mulher no dia-a--dia.
Durante "um ou dois anos", ele
assumiu a personagem de Tatiana Romanov 24 horas por
dia. Contam os amigos que ele se definia nessa altura como uma mulher lésbica:
apesar de vestir roupas femininas, continuaria a gostar de mulheres. Tatiana Romanov terá dasaparecido por
altura do primeiro casamento de José Castelo Branco.
A moda e o primeiro casamento
"Ele chegou a levar algumas raparigas
lá a nossa casa e meses depois de termos chegado a Portugal
casou-se", explicou a dona Nini.
Ele apareceu em casa com a Maria Arlene
e ficaram lá a viver. Ela
também trabalhava e
iam juntos para a escola". Maria Arlene e José
Castelo Branco conheceram-se no mundo da moda. Marluce,
a ex-mulher de Carlos Cruz recorda que "o Zé bem queria desfilar mas não
havia lugar para ele". E acrescenta: "Naquele tempo éramos muito
rigorosos a escolher o tipo dos manequins".
Ainda sobre o casamento,
a dona Nini acrescenta: "O Zé esteve com a
mulher durante nove ou dez anos. O meu neto nasceu em 1988, o ano em que o meu
marido morreu. O Guilherme vive com a mãe, mas passa as férias e
fins-de-semana com o pai".
As revistas e "lady"
Betty
Foi uma amiga que levou
José Castelo Branco para o negócio da arte, quando o convidou para dirigir a
galeria Escada 4. "Sempre gostou muito de decoração e arte. Quando saiu
de lá, a galeria fechou", conta a dona Nini.
"Foi nessa altura que começou a aparecer nas revistas e foi também numa
exposição que ele conheceu a Betty".
"Ele já tinha dois
carros antes de a conhecer. Os que dizem que não tinha nada estão a
mentir", esclarece a dona Nini. "Gostei
sempre da Betty. Toda a gente gosta dela. É muito
dada e divertida".
Há dez anos que o
"conde Whíte Castle"
e "lady" Betty
estão juntos. Dividem o tempo entre as casas de Sintra e Nova Iorque, entre as
festas e as viagens. Agora, depois de ter vencido a "Quinta das
Celebridades", José Castelo Branco vai também ter de arranjar tempo para
lidar com os fãs na rua.
24 HORAS – 06.01.2005