
A ILHA DE MOÇAMBIQUE E A PROSA
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A CASA DA CÂMARA
Tem Moçambique um bom edifício de uma nobre casa de Câmara, não só para
todas as decentes funções do Senado, mas também para as audiências do juízo Ordinário, com boa Sala
livre, Sala fechada, arquivo para os livros competentes, residência para o Carcereiro, cadeias fortíssimas
por baixo, Armazéns para Celeiro público de mantimentos, que Se instituiu pela Câmara no ano de 1785,
e no sucessivo de 1786, se aboliu pelo actual Governador e Capitão General António Manuel de Mello
e Castro (sem melhor fundamento que). Ao zelo do Desembargador António José de Moraes Durão, falecido
este ano de 1788, se deve a edificação da presente casa deste Senado, por ver quando chegou a esta
capital a antiga tão imprópria por sua incapacidade sem prisões tão necessárias para Semelhante País,
que sem perda de tempo fez construir este grandioso edifício, adquirindo com o seu trabalho o preciso
para tão avultada despesa, o qual se acha estabelecido com todo o asseio e decência e as comodidades
precisas. ..................................
TESTEMUNHO SOBRE A ALFÂNDEGA QUE POR MUITO ANTIGA
SE ACHAVA...
A Alfândega que por muito antiga se achava inteiramente arruinada ameaçando
total estrago, por ter os seus terraços quase abatidos, as paredes rachadas, e desunidas, sustidas
já por espeques se concordou reparar-se depressa este dano (irremediável) fabricando-se uma nova
Alfândega no mesmo antecedente sítio, toda do seu primeiro fundamento, com acrescentamento de uma
bela arcada, que se fez da parte do mar, à qual se deu princípio no tempo dos Governadores interinos,
que sucederam pelo Óbito do General Pedro de Saldanha, sendo toda esta obra construída à custa da
Real fazenda até ao seu primeiro vigamento em que está com assistência cuidado e zelo do Desembargador
Ouvidor António José de Moraes Durão, até que tomou posse do Governo desta Capitania António Manuel
de Mello de quem se espera mande finalizar este tão útil edifício em grande benefício das fazendas
do público, das de Sua Majestade e dos Seus Reais direitos.
Joaquim José Varela
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