
A ILHA DE MOÇAMBIQUE E A PROSA
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DA ILHA DE MOÇAMBIQUE
A Ilha de Moçambique é muito pequena, de comprimento não terá ainda
uma légua, é estreita no meio, tanto que com um tiro de pedra se passa da outra banda. É toda de
areia e cheia de palmares. Não tem nenhuma água doce senão umas poças a que chamam fontaínhas de
água salobra. A que bebem vem de aí a cinco léguas. Tem uma fortaleza antiga; agora se vai acabando
uma nova muito boa. Tem mui grossa artilharia que nós levámos do Reino. Uma povoação tinha de Mouros
que está destruída, a de Portugueses será de cem moradores, e de gente de Terra convém a saber Cafres
e índios misturados haverá como 200. Distará da terra firme meia légua. Já agora é mais sadia por
algumas comodidades que vai tendo em hortas da outra banda, e de algumas frutas de espinho. É mui
grande o número de mortos que aqui há das naus que chegam do Reino. Reside aqui o Capitão de Sofala
por ter melhor escala para toda a Costa de Melinde. O dinheiro que aqui corre é ouro em pó, e a menor
moeda ou peso dele é meio vintém. Há muitas galinhas que vêm da terra firme, a que chamam Cafras
por serem pequenas e não tão gostosas; os Capões são muito bons, mas o pescado daqui é muito doentio.
Pe Monclaro
Relação da Viagem que fizeram os Padres da Companhia de Jesus, por Padre. Monclaro.
In: Records of..., by George McCall Theal, vol. 3, 1899.
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