
A ILHA DE MOÇAMBIQUE E A PROSA
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A SOBERBA FORTALEZA
Na ponta desta ilha, à entrada da barra está a fortaleza, na qual sempre
reside o capitão, com soldados portugueses de guarnição, que toda a noite e dia vigiam aos quartos;
de dia postos à porta da fortaleza com suas armas, e de noite por cima dos panos do muro e dos baluartes;
dos quais tem quatro fortíssimos, dois para a banda do mar e dois para a ilha, donde também se descobre
o mar de uma parte e da outra, e neles estão muitas peças de artilharia grossa e formosa, em que
entram esperas, camelos e colubrinas. Dentro da fortaleza está uma cisterna, que leva duas mil pipas
de água, se toma da que chove nos telhados e muros, por canos que a ela vão ter. Aqui dentro estão
os armazéns assim da pólvora e coisas necessárias para defesa da fortaleza, como de mantimentos de
arroz e milho, de que sempre está bem provida. No meio do terreiro desta fortaleza está uma igreja
nova, ainda por acabar, que há-de servir de Sé, e junto dela outra da Misericórdia.(...)
Frei
João dos Santos
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