MUHIPITI
E onde deponho todas as armas. Uma palmeira harmonizando-nos o sonho. A sombra.
Onde eu mesmo estou. Devagar e nu. Sobre as ondas eternas. Onde nunca fui e os anjos brincam aos
barcos com livros como máos. Onde comemos o acidulado último gomo das retóricas inúteis. E onde
somos inúteis. Puros objectos naturais. Uma palmeira de missangas com o sol. Cantando. Onde
na noite a Ilha recolhe todos os istmos e marulham as vozes. A estatuária nas virilhas. Golfando.
Maconde não petrificada. É onde estou neste poema e nunca fui. O teu nome que grito a rir do nome.
Do meu nome anulado. As vozes que te anunciam. E me perco. E estou nu. Devagar. Dentro do corpo. Uma
palmeira abrindo-se para o silêncio. E onde sei a maxila que sangra. Onde os leopardos naufragam.
O tempo. O cigarro a metralhar nos pulmões. A terra empapada. Golfando. Vermelha. E onde me confunde
de ti. Um menino vergado ao peso de ser homem. Uma palmeira em azul humedecido sobre a fronte.
A memória do infinito. O repouso que a si mesmo interroga. Ouve. A ronda e nenhum avião partiu.
E onde estamos. Onde os pássaros são pássaros e tu dormes. E eu vagueio em soluços de sílabas.
Onde Fujo deste poema. Uma palmeira de fogo. Na Ilha. Incendiando-nos o nome.
Luís Carlos
Patraquim
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