O PESCADOR DE MOÇAMBIQUE
Eu nasci em Moçambique, de pais humildes provim, a cor
negra que eles tinham é a cor que tenho em mim; Sou pescador desde a infância e no mar sempre
voguei, a pesca me dá sustento, nunca outro mister busquei. Antes que o sol se levante eis
que junto à praia estou; se ao repoiso marco as horas, à preguiça não as dou; em frágil casquinha
leve, sempre longe do meu lar, ando entregue ao vento e às ondas sem a morte recear. Ter
contínuo a vida em risco é triste coisa, não é? mas do mar não teme as iras quem em Deus depõe
a fé! Vou da Cabaceira às praias, deixo perto Mossuril, trage embora o céu de escuro ou
todo seja d'anil; de Lumbo visito as águas e assim vou até Sancul, chego depois ao mar alto,
sopre o norte, ou ruja o sul. Morre o sol? Termino a lida para um pouco repousar, e ao pé da
mulher que estimo ledas horas ir passar: da mulher doces carícias também quer o pescador, pois
d'esta vida os pesares faz quase esquecer o amor! Sou pescador desde a infância
|
|
e no mar sempre voguei, a pesca me dá sustento, nunca outro mister busquei; É singela a
recompensa da vida custosa assim! mas se a fome não se mata! que me importa o resto a mim?
e enquanto tiver os braços a pá e a casquilha ali viverei sempre contente n'este lidar
que escolhi.
José Pedro da Silva Campos Oliveira
|
|
|