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Exército americano invade Moçambique

2/1/2004 - Pedro Sansão Muiambo

 


 

     No dia 25 de Junho de 2006 registou-se mais um ataque terrorista contra os Estados Unidos da América, o 1113º – um número que se justifica pela capacidade provocativa da Administração Bush. Com efeito, o presidente americano, e os seus lacaios, tinham se tornado tão arrogantes que só acumulavam hostilidades atrás de hostilidades. Lembremo-nos, por exemplo, da gaffe diplomática de 2004, em que o Secretário de Estado Americano para a Defesa, Donald Rumsfeld, numa conferência de imprensa nos Açores, pegou no lábio inferior do Ministro Português da Defesa e torceu-o, tanto, tanto, que a distinta boca lusa, vista da televisão, ficou a parecer-se a um parafuso. «Este tipo fala demais», assim se justificou Rumsfeld, como se «falar de mais» merecesse uma medida tão radical: ou teríamos muitas mulheres com bocas aparafusadas.

De modo que os ataques contra a nação mais poderosa do mundo nos últimos tempos foram-se  repetindo a toda hora. Por exemplo, o rapper Eminem foi recentemente obrigado a interromper um espectáculo em Los Angeles quando alguns terroristas de um país africano, o Benim, roubaram-lhe o público espectador.

 

O Atentado

 

Os ataques de Junho de 2006 foram os mais graves e devastadores de toda a história da América. Um jornalista da CNN, soluçando como um bebé, assim reportou o sucedido: «Esta manhã, como que por magia, a Casa Branca apareceu toda pintada de vermelho». Por sua vez, o New York Times anunciava em altas parangonas o inverosímil: «Terroristas transformaram o edifício do Pentágono, a sede militar dos EUA, num verdadeiro polígono irregular».

É escusado dizer que este acto deixou o povo americano numa tempestade de nervos. Obviamente, uma parte considerável dos recursos da maior potência militar mundial foram canalizados para a CIA e para o FBI que se puseram imediatamente a investigar o caso. O Congresso aprovou um orçamento tão alto, mas tão alto, que se bem me lembro, a minha tia Josefina chegou a afirmar emocionada: «Com esse dinheiro eu compraria um lindo jogo de panelas».

 

Moçambique é incriminado

 

Entretanto, as investigações põe a nu indícios muito importantes, como por exemplo, o facto de o execrável crime ter sido perpetrado no dia 25 de Junho, data da independência de Moçambique. Os americanos, que são muito argutos, deduzem a partir desse indício que o regime de Maputo teria patrocinado o ataque terrorista. «Com que dinheiro?», questionou-lhes o embaixador moçambicano em Nova Iorque, procurando demonstrar a inocência do nosso país. Responderam-lhe simplesmente, obrigando-o a menear afirmativamente a cabeça, tal era a força do argumento: «Com o dinheiro de salários dos professores não pagos durante anos e anos».

O presidente Bush aparece na televisão a atribuir a autoria dos atentados a uma “etnia suicida de Moçambique” e chega mesmo a ameaçar, discursando perante o Congresso, e arrancando uma rica ovação: “Macondes, nem com as máscaras mapico vocês conseguirão evitar as bofetadas da América”. 

 

A primeira-dama mete a colher

 

Numa entrevista concedida a Larry King,  a primeira-dama americana mete também a sua colher no assunto, acusando Moçambique de produzir armas não convencionais, nomeadamente, fisgas. Usando termos que os serviços secretos americanos lhe colocam à disposição, grita como uma barata tonta para o microfone, aspergindo-o de saliva – e obrigando   o Larry King, a inclinar-se pela primeira vez nos écrans da televisão para trás para não se molhar: “Temos que prevenir que um dia um moluene qualquer venha a estilhaçar os vidros da nossa embaixada em Maputo com essa terrível arma que já arrancou muitos nhandayeyo na família alada”.

 

Portugal protesta

 

Como era de esperar, a comunidade internacional protesta veementemente contra tão infundada acusação. Na Assembleia Geral da ONU, convocada para discutir o assunto, o primeiro-ministro de Portugal, Durão Barroso, país com ligações e interesses histórico-culturais muito fortes com Moçambique, berra como um doido varrido, tentando vingar-se do sucedido com o seu ministro de defesa. «Todos sabemos quais são as vossas verdadeiras intenções ao acusar Moçambique». Interessa-vos essa fonte moderna de energia que dá pelo nome de lixo. E reconheçamo-lo, Maputo é o local que apresenta a maior acumulação de lixo por metro quadrado em todo o mundo. O lixo tão diligentemente atirado para as ruas faz deste país a maior reserva de combustível do mundo. E se incluirmos os actuais dirigentes daquele município no mesmo montão, podemos então falar numa reserva inesgotável».

Mas a América não está pelos ajustes: Collin Powell pôem-se de pé, faz uns trejeitos horríveis com a boca e bate com o punho mulato na mesa, bradando: «Quem não está connosco, está contra nós»!.

No fim da Assembleia, o Primeiro-Ministro português, vendo que a coisa se tinha tornado insustentável para si, voa rapidamente para Texas, onde Bush se tinha refugiado enquanto decorria a re-pintura da Casa Branca (agora vermelha) e, de repente, sem aviso prévio nem nada, pede desculpas.  Entrega a Bush, de seguida, uma foto com a vista aérea do bairro da Mafalala. «É daqui que surgem os seus maiores talentos», segredou ele, procurando mostrar-se prestativo.

E assim, num relance, Moçambique foi promovido de “pérola do Índico” a “alvo no Índico”. A grande máquina de guerra americana inundou por completo a baía de Maputo. Quando se contemplava o mar, já não é era azul do mar o que se via, mas sim, porta-aviões e navios de guerra ondulando ameaçadoramente.

O exército americano nem se deu ao trabalho de trazer aliados. Na verdade, não queria repartir a pilhagem com ninguém, como acontecera no Iraque. Inclusive, já via a Inglaterra, seu tradicional aliado, com muita desconfiança. “O inglês deles é diferente do nosso. Está cada vez mais parecido com o austríaco”, proclamou Arnold Scwazenneiger, Governador da Califórnia. Por sua vez, os ingleses tentam forçar um lugar na projectada guerra, mas um general americano conseguiu dissuadir-lhes sem muito esforço, dizendo-lhes simplesmente: “O povo de Sua Majestade decerto conhece os efeitos do fogo amigo!”.

 

A invasão nua e crua

 

Chegou enfim o dia em que o exército mais forte do mundo invadiu Moçambique. E, dada a correlação de forças, não restavam dúvidas que o assalto a Maputo duraria «apenas um piscar de olhos».

Evidentemente, as autoridades moçambicanas não se deram logo por vencidas. Inspirando-se nos iraquianos enveredaram pela estratégia de incendiar o poço de gás de Pande, o que, diga-se de passagem, originou o desaparecimento da província de Inhambane e respectivos coqueiros do mapa. E imaginem-se a dificuldade por que passavam os estudantes da faculdade de história para indicar no mapa o primeiro ponto em que desembarcou o navegador Vasco da Gama em Moçambique!

 

Os Chapa-100 são convocados para a guerra

 

Em seguida, as autoridades moçambicanas convocaram os “Chapa-100” para a guerra, mas o malabarismo destes revelou-se de pouca utilidade ante o avanço dos blindados superequipados dos americanos. Aliás, estes tinham trazido também uns aviões que conseguiam o inimaginável: estar em dois lugares duma só vez: em Maputo lançando mísseis, enquanto, simultaneamente, em Nicoadala distribuem flores.

O avanço é rápido. Em poucos segundos, as tropas invasoras tomam de assalto o palácio da Ponta Vermelha. Armando Guebuza, o novo presidente, mascara-se de peixe e esconde-se no tanque piscícola do palácio, usando o cachimbo como respiradouro. Só é apanhado uma semana depois, quando um soldado moçambicano, traindo a sua pátria em troca de um disco de inéditos da Missy Elliot, aconselha os americanos para que gritem: «Viva o partido Frelimo!».

Guebuza, não resiste a responder à aclamação, emerge das águas gritando como um hipopótamo: «Viva!». E é imediatamente capturado e exibido na televisão com a roupa toda ensopada e a barba cheia de algas.

 

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