Volta à Zambézia


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África Dela
Eu nunca tive uma casa em África
mas Niza teve.
Nunca vi os pássaros alvorecendo no céu ateado de luz
mas Niza viu.
Nunca andei na longa estrada com os pés encarnados molhados de terra mas a Niza andou.
Nunca senti o cacimbo arrefecendo a madrugada azul do palmar
mas a Niza sentiu.

Nunca brinquei com o macaco pequeno no dia dos meus anos
mas a Niza brincou.
Nunca comi o fruto da mangueira doce de sol e açúcar
mas a Niza comeu.
Nunca corri nas imensidões de areia acelerado sobre a rebentação
mas a Niza correu.
Nunca ouvi o batuque avançado descontrolado pelo meu corpo
mas a Niza ouviu.

Nunca descansei à sombra da árvore grande,
mas a Niza descansou.
Nunca cheirei o fogo espalhando a terra e o vento
mas a Niza cheirou.
Eu nunca voltei a África
mas a Niza regressou.

Fernando Camecelha


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NOTA INTRODUTÓRIA

A Província da Zambézia fica situada na região centro do país entre os paralelos 14° e 59' e 18° 54' 40" latitude Sul e entre os meridianos 35° 17' 53" e 39° de longitude Este.
Com cerca de 400 Km de costa, é banhada pelo Oceano ĺndico a Este, fazendo limite com as Províncias de Nampula e Niassa, a Norte, a Oeste com a República do Malawí e a Província de Tete e a Sul com a Província de Sofala.
Tem uma superfície de 105.008 Km2 dos quais 103.127 Km2 de superfície de terra firme e 1.881 Km2 constituídos de águas interiores. A Província da Zambézia tem uma área florestal de 8.536.750 ha de florestas, 105.500 ha de mangais e 1.093.750 ha de savanas, totalizando 9.355.500 ha.

DIVISÃO ADMINISTRATIVA

A Província administrativamente está dividida em 16 Distritos, três cidades, sendo a de Qulimane (que é a capital, com estatuto de distrito) e duas de nível D, 45 Postos Administrativos e 189 Localidades. Destacam-se três regiões: Norte, abragendo os distritos de Gilé, Alto Molocué, Gurué, lie, Namarroi, Lugela e Pebane, e Sul formado pêlos distritos de Namacurra e Nicoadala, Quelimane, Mopeía, Chinde e Inhassunge.

CLIMA

A Província está sob influência do vale depressionário equatorial e do canal de Moçambique que afectam os valores térmicos, o que eleva as temperaturas médias; da corrente quente do canal que confere temperaturas e humidade no litoral, proporcionando assim chuvas abundantes. Na zona de convergência íntertropícal, arrastando consigo os ventos alísios, carregados de humidade; dos anticiclones subtropicais do hemisfério sul, provenientes das zonas de altas pressões associadas às massas de ar quente. O interior está sob influência de altiude, conferindo temperaturas moderadas.
Todos estes factores condicionam que a Província possua três tipos de climas: o tropical húmido, no litoral, tropical seco, no interior e tropical de altitude nas terras altas do interior. A humidade relativa varia na época das chuvas, de 75-80% no clima tropical seco a 90-100% no clima tropical húmido.
POPULAÇÃO
A Província da Zambézía, com uma população estimada em 3,2 milhões de habitantes, cerca de 20% da população total do país, é uma das Províncias mais povoadas. A Zambézia detém os níveis mais altos de fecundidade (com taxa bruta de natalidade de 50,8 por 1000), de mortalidade (20 por 1000) e de crescimento natural (6,68% ao ano)
A actividade económica principal que absorve a maioria da população economicamente activa é a agricultura, essencialmente de subsistência, empregando cerca de 82% da população trabalhadora. O sistema de população agrícola caracterizada por empresas maioritariamente de plantação que não necessita de mão-de-obra especializada é uma das causas que pode ser usada para explicar os níveis baixos de escolarização, formação profissional e de participação da mulher no emprego.

DIVERSIDADE ETNO-LINGUĺSTICA

A diversidade étnica e linguistica (Mosaico Cultural) da população torna a Zambézia numa Província com características ímpares comparadas às de outras do País. De facto a existência de cinco grupos étnicos, nomeadamente chuabo, macua-lomué, manhaua, marenge e senas é algo único no país.
Na Província existem os seguintes grupos linguísticos: Maindo e Pondzo no Chinde, Senas em Mopeia e Morrumbala, Nhyanjas e Merenges em Mílange, Chuabo em Quelimane, Inhassunge, Nícoadala, Namacurra e Mocuba; Macua.Lomué em Gurué, Pebane, lie, Gílé, Alto-Molocué e Na marro í, Manhaua em Lugela e Nharinga na Maganja da Costa.
Além das crenças africanas predominam na Zambézia as seguintes confissões religiosas: Cristãs, Moçulmanas e Indu.

SITUAÇÃO ECONÓMICA E SOCIAL

Economicamente a Zambézia é basicamente agrícola dominada pelo sector familiar precedido do sector empresarial, ambos representando 86% da produção total enquanto a industria e comércio complementam com 14%.
Na agricultura destacam-se o milho, arroz, mapíra, mandioca, feijões, amendoim, hortículas diversas, algodão, copra, chá, castanha de caju, cana sacarina, sisal, tabaco e girassol. 1
Na pecuária regista-se a produção de gado bovino, caprino, bufalino, suíno e aves. Na pesca industrial e artesanal regista-se a produção de camarão, peixe e caranguejo.
A Umbíla, Chanfuta, pau-preto, pau-rosa, pau-ferro, muroto e jambíre são as principais espécies florestais em exploração.
Na fauna bravia há a destacar a existência das seguintes espécies: búfalos, elefantes, leões, hipopótamos, leopardos, girafas, antílopes, crocodilos e giboias.
Na área mineira registam-se as seguintes espécies de recursos: tantalite, esmeraldas, águas marinhas, turmalinas, areias pesadas, caulino, quartso e outros.
A rede viária é constituída por 5240,5 Km, dos quais 766,7 Km são da rede primária.
A Zambézia é uma das Províncias com condições especificas favoráveis ao incremento do desenvolvimento do pais. Todo investimento é bem vindo para esta concretização, neste advento da Paz que o país goza, destacando-se as áreas agro-pecuária, mineira, florestal, turismo, pescas, transporte, indústria transformadora e alimentar, entre outras.

O Governador da Província

Dr. Orlando Pedro Candua


DEDICATÓRIA
Este livro foí fotografado e feito com muito amor, aquele amor verdadeiro puro imenso e franco que todos nós Moçambicanos sentimos pela nossa terra, por isso dedico a todos quantos amam Moçambique .
À memória de meu Pai, também nascido em Moçambique
À minha Mãe, também moçambicana, que ainda hoje tem saudades do cheiro a terra molhada
Ao meu Irmão, Tia Lola, às minhas sobrinhas Marta, Sara e Sofia bem como ao Bruno
A José Luis Judas com a minha sincera amizade e admiração.

Niza Paiva


Moçambique

Volta à Zambézia


A cumplicidade entre o passado e o presente. Um encontro com a alma poética de quem consegue exprimir-se através de uma camera fotográfica para contar histórias, para recordar vidas, para sentir coisas julgadas perdidas.
De regresso a Moçambique, Níza Paiva (Anizabel Lovrich Santos Paiva Henriques), retrata aqui, na sua "...Volta à Zambézia", a riqueza das gentes e de um país sempre sinónimo de saudade, de mudança e de potencialidades.
Níza Paiva nasceu em Quelimane a 16 de Março de 1949. Foi a
primeira repórter fotográfico feminina tendo trabalhado para os jornais Notícias e A Tribuna. A 22 de Fevereiro de 1974 fez a sua primeira exposição fotográfica individual, na então capital de Moçambique, Lourenço Marques. "Casa Amarela" foi visitada por cerca de oito mil pessoas.
De férias em Lisboa por ocasião do 25 de Abril, foram suas as primeiras imagens da Revolução que chegaram a Moçambique. De regresso a África, foi enviada especial do jornal A Tribuna para fazer a reportagem fotográfica dos históricos Acordos de Lusaca, sendo a única repórter fotográfico portuguesa a estar presente.
Actualmente trabalha como "free-lancer" para algumas entidades e publicações.
Residente em Portugal desde   1977,  foi capaz de transportar para este livro de imagens fotográficas, uma alma africana ainda existente. Com África no coração, põe em aberto e ao dispor de qualquer pessoa, um Moçambique actual, fiel a um sentimento eterno.


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