MENSAGEM DE MIA COUTO

 

 

 

Para os beirenses, nomeadamente da geração de 60/70, este conterrâneo não precisa de apresentações. Com ele brincaram, cresceram e estudaram; com ele se cruzaram na praia , nos cinemas, nos clubes desportivos, nas ruas, jardins e praças da cidade.

 

É de há muitos anos a esta parte uma figura pública de renome e prestígio internacional de que muito se orgulham os beirenses em particular e os moçambicanos em geral! Notabilisado como escritor, a sua já vasta obra está publicada em diversos idiomas, com edições sucessivamente esgotadas e reeditadas.

 

Jornalista, professor, biólogo e escritor, são títulos que encimam o seu vasto curriculo, recheado de prémios e distinções diversas. Não admira pois que ele seja, na actualidade, um dos escritores de língua portuguesa mais lidos e disputados pelas televisões, rádios, jornais e revistas para entrevistas a propósito não só da sua obra como de acontecimentos do mundo das letras, das artes e da cultura em geral e também do quotidiano de Moçambique!

 

Quis o destino que a família Couto se cruzasse  com a nossa, por casamento de um dos filhos – o mais novo -  com a nossa filha Paula! Nasceu uma fraternal amizade entre nós, que permanece  sólida.

 

Acresce a este salutar relacionamento uma outra afinidade muito especial com esta família: são também apaixonados pela fauna bravia! No caso particular do Mia, uma boa parte da sua vida é dedicada aos problemas do meio ambiente, já que, na sua qualidade de biólogo desenvolve actividades relacionadas com a vida selvagem. O seu filho mais velho seguiu-lhe os passos (também é biólogo). Ambos estiveram e estão envolvidos nos projectos mais ousados dos últimos anos em Moçambique, como são o Parque Transfronteiro (A.Sul, Moçambique e Zimbabwe); Mozal; Reserva de Elefantes do Maputo; Gaz de Moçambique; Parque Nacional do Bazaruto; Ilha da Inhaca, etc,, cujos estudos de impacto ambiental abrangem a componente de fauna bravia. Ambos, também, deram o seu nome a uma interessante publicação – Mamíferos de Moçambique -, livro-álbum editado no corrente ano e que também tem a assinatura do Dr. Augusto Cabral, outro biólogo (amigo de longa data)  que é director do Museu de História Natural de Maputo.

 

Sempre que estamos juntos o tema preferido é, inevitavelmente, a fauna bravia e os problemas envolventes, que infelizmente são muitos e cada vez mais difíceis de resolver.

 

Este moçambicano, beirense de gema e inveterado apaixonado pela sua terra, tem-nos contado estórias muito interessantes àcerca da sua condição de “produto colonial”. Uma delas, passada na Europa, numa recepção que lhe foi feita a propósito do lançamento de mais uma das suas obras, onde o anfitrião e demais elementos da organização não lhe deram qualquer atenção à chegada,  porque - confessaram depois -, não o reconheceram uma vez que contavam ser negro o escritor Mia Couto! Um embaraço que já se repetiu noutras ocasiões porque a tacanhez de muitos europeus não vislumbra a realidade moçambicana!

 

 

 

Deixamos aqui a mensagem que este ilustre beirense dirigiu, no passado dia 7, aos seus conterrâneos, nomeadamente desta Comunidade, bem como a foto que registou o momento em que escreveu a mesma. Ficam também  fotos das capas dos seus dois últimos livros e outra dos manos Couto com o seu progenitor - o Jornalista e Poeta Fernando Couto que viveu e trabalhou muitos anos na Beira e depois em Maputo, passando pelo “Notícias” e pela Escola de Jornalismo (que dirigiu), mantendo-se ainda activo quer na escrita quer como gerente da editora moçambicana Ndjira.

 

 

 

TEOR DESTA MENSAGEM:

 

 

 

“À comunidade Beirense:

 

Há lugares que não são apenas sítios onde vivemos. São parte da nossa vida, são a nossa vida. A cidade onde nascemos é um lugar onde continuamos a nascer. Essa cidade (que é mais água que terra) somos nós, com as nossas lembranças, as nossas saudades. E a esperança que aquela seja uma cidade carregada de futuro.

 

Um abraço

deste beirense

 

Mia Couto

 

Maputo/ 7.12.02”

 


 

 

 


 


Momento em que o Mia Couto escrevia a Mensagem, num recanto da sua casa em Maputo.

A minha neta mais nova (Dania) e eu, assistimos.

 

 

 

 

 

                          Maputo, 9 de Dezembro do ano capicua de 2002

                                       Celestino (Marrabenta)

 

Nota do MACUA DE MOÇAMBIQUE: O Celestino que me perdoe a ousadia.

 

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