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LIVROS & AUTORES QUE A MOÇAMBIQUE DIZEM RESPEITO
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AGRADECIMENTOS Ao Dr. G. Muthisse vai o meu especial apreço por me ter incentivado
a escrever algo sobre o Rev. Una Simango. Observador atento dos fenómenos sociais que caracterizaram
o processo de libertação de Moçambique, Muthisse, foi a pessoa que conhecido por inerências profissionais
e acompanhado as minhas poucas intervenções públicas através dos jornais, procurou-me para de mim "exigir"
que começasse, com seriedade, a ponderar sobre a importância histórica de resgatar a figura de Uria Simango.
Mas apesar do Dr. Muthisse ter, de certa forma, catalisado uma ideia que já se havia enraizado em
mim, acima de tudo, devo agradecer a Deus, o Omnipotente, que inexplicavelmente me destinou este desafio.
Há coisas que na vida não encontram explicação através da racionalidade dos homens. Este livro tem uma
história que começa em 1982, imediatamente após o meu regresso de Tete onde cumpria o serviço militar
obrigatório. Na época, trabalhando eu na ALIMOC - Alimentos de Moçambique, Lda, então representante exclusiva
da multinacional Nestlé em Moçambique, vivia na cidade da Beira no que popularmente era conhecido por
prédio Grelha na fronteira entre os bairros de Chaimite e Ponta Gêa. Nunca, em vida, havia conhecido
pessoalmente o Rev. Uria Simango, senão o que se falava do homem. Em data imprecisa daquele ano, de manhã
cedo, ao sair para a habitual labuta, deparo com um pedaço de papel (de jornal ou revista) perdido a
centímetros da porta principal da minha casa. O fortuito papel tinha inserido nele uma fotografia de
um homem que me fixava nos olhos. Paro para olhar a fotografia e não reconheço a figura, pois nem sequer
a legenda debaixo da foto identificava o homem. Como que por instinto, algo me diz que aquela figura
tinha algo a dizer-me. Não hesito: recolho o papel, dobro-o, e enfio-o no bolso. Chegado ao escritório
recorto com todo o cuidado a fotografia e guardo-a na carteira. Comigo andaria, essa fotografia, por
uma semana inteira até que em visita ao velho Castigo Lucas Ncomo, pergunto exibindo a imagem do homem:
- Pai, quem é este homem aqui? - É Uria Simango. Onde é que arranjaste isso?. Contei-lhe a história.
A foto ficaria guardada comigo durante longos anos. E sempre que me desse na gana ver a cara do tal "homem
traidor"; do tal "vende-pátria" que na inocência dos demais condimentava estrofes em cantigas revolucionárias
nas banjas e nas escolas, procurava vê-la. Até que se perdeu no meio de um dos diversos livros que possuía
em casa. Seria por intermédio de um dos filhos de Uria Simango que uma cópia dessa fotografia me viria
a parar às mãos, quando a ideia de produzir este livro se enraizou em mim. E como "na África negra com
coisas destes não se brinca", é a fotografia que encabeça este livro. Louvado seja Deus. Também,
este livro não seria possível sem o apoio do amigo e incansável "combatente" João Cabrita. Desde a primeira
hora da idealização do projecto, Cabrita foi a pessoa que mais apoio dispensou à ideia, sugerindo e fazendo
chegar dados incontestavelmente seguros e sistematicamente bem organizados. De Portugal veio o imensurável
apoio de Casimiro Serra, um impressionante jovem que, aos quarenta e poucos anos de idade, detém um espólio
histórico de fazer inveja a qualquer biblioteca. Tanto Cabrita, como Serra são dos poucos homens que
me marcaram na matéria de auto-organização. O meu agradecimento estende-se igualmente ao Dr.
Michel Cahen que, de França, respondeu a todos os meus pedidos, pesquisando em alguns arquivos naquele
país os materiais que lhe havia pedido, visando sustentar esta obra. Vai o meu especial agradecimento
também para o Dr. A. Muchanga pelo apoio moral e pela colaboração na tradução de alguns materiais de
Francês para Português. A Francisco Nota Moisés, no Canadá, e ao amigo Dr. Eduardo Augusto Elias
vai igualmente o meu especial agradecimento pelo denodado apoio que ambos dispensaram ao projecto. O
primeiro enviou-me interessantíssimos relatos que me ajudaram a ajuizar alguns acontecimentos em Dar
es-Salam e, o segundo, a meu pedido, "moveu montanhas" no Zimbabwe à procura de dados sobre Uria Simango.
Ao professor Dr. T. Nhampulo que compreendeu a natureza deste trabalho e se dignou a fazer um reparo
crítico, numa perspectiva de visão histórica da obra, vão igualmente os meus sinceros agradecimentos.
A Lúcio Penda Tivane, meu ídolo contestado pelos que não o conhecem, e a Benedito Marime,
vai igualmente o meu melhor apreço pelo encorajamento. Ambos, em extremos diferentes, foram os homens
que depois da primeira revisão deste livro se predispuseram a lê-lo e a sugerir o seu melhoramento.
Ao imensurável apoio moral dispensado por todos os que se dignaram a colaborar, pondo em risco suas
vidas, fornecendo dados e informações sobre a pessoa do Rev. Una Simango e sobre vários episódios da
história recente de Moçambique, vão os meus sinceros agradecimentos. A Deviz Mbepo Simango;
à Sociedade Notícias e a Artur Torohate (que Deus o tenha na santa paz), vão também os melhores agradecimentos
pelo apoio que dispensaram a ideia da produção deste livro, fornecendo cópias das fotografias nele inseridas,
a maioria das quais conservadas há mais de trinta anos. Algumas dessas fotografias são recentes, e foram
deliberadamente fornecidos a Deviz e ao irmão mais velho por alguns jornalistas e fotógrafos da história
recente de Moçambique, num tempo em que a abordagem do mito Simango conduzia a temerários conflitos.
Bem haja a coragem desses jornalistas que souberam entender a dor da separação forçada de uma família.
Aos que ainda vivem e no seu anonimato, vão os meus sinceros agradecimentos, e aos que passaram, paz
à suas almas.
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NA CONTRACAPA "Uria Simango Um homem, uma causa'' é um livro de história da
história do Moçambique mais recente. Um início do reescrever há muito esperado. A consistência das provas
que o autor apresenta é de tal modo irrefutável, que não só a confirmam também alguns dos instrumentalizados
de então, que hoje se dizem arrependidos, como mesmo os seus mandantes, bajuladores e cúmplices o fazem,
quando, em depoimentos transcritos nesta obra de Barnabé, não negam os ignominiosos factos que lhes são
imputados, limitando-se a hercúleos esforços visando reescrever agora a História desse período, para,
em vão, a todo o custo se auto-justificarem! Trata-se de uma obra apaixonada, onde o autor não
esconde a simpatia que nutre pela figura do Rev. Uria Simango e pela causa da sua luta, o que, aos olhos
de alguns, pode, de certa forma, ferir o princípio de imparcialidade exigido na pesquisa e relato de
fenómenos sociais de natureza histórica. Contudo, nada retira à grandeza da obra. Barnabé Lucas Ncomo
apresenta documentos inéditos ou no passado recente, por conveniência, escamoteados, a par de depoimentos
de testemunhas credíveis, identificadas e presenciais, sobre a natureza, a evolução e o desfecho da crise
que, em momento decisivo, se desenrolou na direcção da Luta Armada de Libertação de Moçambique. Penetra
de forma progressiva e impressionante nas amálgamas do processo da luta de um povo e da singular descolonização
portuguesa, cruza os factos de um modo jamais visto em pesquisas sobre a história recente de Moçambique
e, com segurança, conclui: Os moçambicanos vivem uma "longa mentira", que se perpetua a bem dos interesses
de um certo grupo de indivíduos. Grande é o mérito desta obra pela susceptibilidade de vir a
espevitar a memória colectiva dos estudiosos da História Nacional do Moçambique mais recente, de modo
a que, no caminho dos Acordos de Roma de 04 de Outubro de 1992, se marche para um genuíno processo de
Paz e de Reconciliação Nacional, reconhecendo, sem mentiras nem ódios reacendidos, as páginas trágicas
na gesta gloriosa dos Libertadores da Pátria moçambicana. Benedito Marime
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INDICE Dedicatória
9 Agradecimento
11 Apresentação 15
Primeira parte O FIM M'telela: Os túmulos desconhecidos
25 Os factos
38 Do Pelotão Maldito ao efeito boomerang 45
Segunda
parte DAS ORIGENS À SOCIALIZAÇÃO POLITICA Da infância campina à apreensão da realidade
55 A situação colonial: Dois mundos que se repelem num mesmo espaço geográfico
62 Na Rodésia: O nascimento de um missionário Revolucionário
71 Fuga: A caminho de Tanganhica
75
Terceira parte NA TANZÂNIA E A LUTA
DE LIBERTAÇÃO Alguns contornos de um processo difícil 85 Na
dor do parto de uma união 89 "Nós" e "Eles": A
mítica unidade dos homens 93 A forçada convivência de duas escolas ideológicas
na mesma casa 99 A caminho
do I Congresso: O desenho dos vendavais que minariam a harmonia
112 Leo Milas: O misterioso homem que entornou o caldo 122
Quarta
parte UM OLHAR ÀS RELAÇÕES MONDLANE/SIMANGO Como tudo começou
131 Da aliança por conveniência ao "nacionalismo elitista"
138 A inferioridade:
Factor decisivo na tomada de posições 147 Conspiração: As alianças estratégicas.
154 Eduardo Mondlane: O cérebro que a maioria não conhecia 166 O Instituto
Moçambicano: "A galinha dos ovos de ouro 175
Quinta parte O II CONGRESSO E O AGUDIZAR
DO CONFLITO Vitória a todo o custo
193 A caminho dos dias negros 203 O virar
da página: Da paz aparente à morte que semeou o vendaval
210 A luta pela sobrevivência: "Kremlin" impõe os ditames da sua escola
214 A astúcia na conquista
do poder politico: o Poder sombra emerge do nada
220 Habilidade e táctica: dois factores decisivos na luta pela sobrevivência
238 Atravessando o deserto
251
Sexta parte O 25 DE ABRIL E O INICIO DO FIM Da
herança maligna ao golpe de Estado que não existiu 267 O golpe de estado que a memória histórica
não registou 276 Desfiando a teia
293 De uma opressão à outra: Liberdade adiada 298 A luta
continua: "Morreremos a combater" 314 "Um alerta que o mundo desconheceu"
319
Sétima parte NAS MÃOS DOS ALGOZES Malawi na berlinda:
Prisão no Aeroporto de Chileka 327 No rescaldo da contenda: Cantando Salmos
331 Código Namuli: Do rapto em Nairobi à farsa jurídica 341
Oitava
parte SIMANGO E A IDEOLOGIA POLĺTICA Elaborando o pensamento no contexto da luta
351 Conclusão
363 Ilustração fotográfica
371 Anexos Anexo l: "Situação Sombria na Frelimo" 399 Anexo
2a: "Confissão de Uria Simango" 417 Anexo 2b: "Aqui Moçambique livre",
por R. Saavedra 439 Indice Onomástico
441 Fontes Consultadas
453
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