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LIVROS & AUTORES QUE A MOÇAMBIQUE DIZEM RESPEITO
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Chamo-me DINIS ALBANO CARNEIRO GONÇALVES, nasci em Braga, a 11 de Março de 1940. Cheguei a
Moçambique há 30 anos. Alba era uma canção provençal. Culminava com a despedida dos dois amantes,
ao amanhecer. Um dos primeiros poemas que escrevi tinha o título "Eu, a canção". Escrevo com terrível
dificuldade: rescrevo, colo, interpolo, publico um poema como quem o espelha. Armo a oficina em qualquer
parte, sem tabuleta que o indique. Ninguém sabe, mas ali sua-se.
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23 de outubro de 2000
O poeta que viveu na rua
Teresa Lima Publico. Portugal,
22 de outubro
Não ter medo de ir até ao limite do ser? Ou antes, não ser capaz de resistir ao
abismo? Escolher uma liberdade total? Ou desistir de lutar por uma vida de afectos?... Perguntas que
não poderão ter respostas objectivas. Sebastião Alba é poeta e morreu atropelado. Viveu quase vinte anos
nas ruas de Braga. Porque quis? Ou porque a vida não lhe deu outra opção?
Depois de ter tomado
um copo no bar da CP, em Braga, encaminhou-se para a linha, onde o comboio aguardava vez para arrancar.
Eram talvez sete da manhã. Tocou no braço do amigo antes de este entrar na máquina e arranjou-lhe o nó
da gravata. Já o podia deixar partir. Ele por ali ficou, com as roupas desalinhadas e o rosto de mendigo.
Sebastião Alba, o pseudómino de Dinis Carneiro Gonçalves, foi uma das últimas vítimas conhecidas
de atropelamento em Braga. Morreu há oito dias, segundo versão oficial, na rodovia, junto à Bracalândia.
Ironia do destino, costumava dizer que morreria de muita coisa, mas nunca atropelado. A vida acabou na
sequência de um embate com "um selvagem motorizado" (assim apelidava os condutores), que se pôs em fuga.
Sebastião Alba é (porque estes não morrem) poeta, e foi um sem-abrigo por opção. "Fui/ hóspede desta
mansão/ na encruzilhada/ dos meus sentidos", escreveu num dos seus poemas, um dos que lhe valeram o prémio
literário ITF. O dinheiro do prémio teve o mesmo destino que os direitos de autor pelos livros editados:
as duas filhas. Há quase vinte anos que vivia nas ruas de Braga e fazia-o com a perfeita consciência
de quem assume uma ruptura total com o mundo. Para muitos, Sebastião Alba não era mais do que o mendigo
que se metia com as pessoas na paragem do autocarro. Algumas desconfiavam de tanta marginalidade, mas
outras foram aprendendo a conhecê-lo e a dar-lhe uns "bons dias" casuais. "É esta a imagem que tenho
dele: na paragem do autocarro", conta Henrique Barreto Nunes, director da Biblioteca Pública de Braga.
"Parecia ser um homem de uma profunda amargura com a vida, mas que se encantava com a música, as crianças,
a beleza de uma mulher". "É um poeta da alma, no sentido em que a vida e a poesia lutam entre si",
pormenoriza o actor António Fonseca, que ocasionalmente se cruzou com Alba na rua. Também Fonseca sublinha
esse encanto "adolescente", que persistia em Sebastião Alba, apesar do voltar de costas a uma vida dita
normal. Andava sempre acompanhado de uma garrafa, uma harmónica e um rádio "sintonizado na Antena 2",
lembra José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores (APE), que acompanhou muito
de perto os últimos anos do poeta. O mais surpreendente em Sebastião Alba talvez seja isto mesmo.
Rompeu com o mundo, mas continuou a acompanhar as notícias. Ocupava o pensamento com "compassos inteiros
de música e trechos do Zaratrusta", recorda Mendes. O Super-Homem de Nietszche terá vencido em Alba?
Poder-se-á ser livre, totalmente livre, sem amarras? "O Alba é alguém que andava liberto de quaisquer
teias, ainda que levasse uma existência que não era de felicidade", considera o presidente da APE. "Era
livre porque não se sentia condicionado por nenhum mecanismo moral", assume Barreto Nunes. "A maior parte
das pessoas foge a ser assim e refugia-se noutras coisas", completa António Fonseca. Sebastião Alba
era o poeta marginal total. Em 1996, escrevinhou ao seu amigo e também poeta Vergílio Alberto Vieira:
"Fui longe de mais dentro de mim". Talvez seja esta a frase que melhor sintetiza a sua vida. "Ele tinha
a consciência de que o facto de ter enveredado pelo alcoolismo, de viver só e no submundo, era ir longe
de mais", admite Vieira. "Nesta escolha, há uma imensa carga de contradição, de que ele era mais vítima
do que sujeito". Guarda fielmente um emaranhado de papéis, "escritos sei lá em que condições", do seu
amigo. Estas folhas eram deixadas repetidamente por Alba na sua caixa do correio. Muitas dessas palavras
poderão, um dia, ser ordenadas em páginas limpas e desenrugadas. É esta, pelo menos, a esperança do poeta
bracarense. Aguarda-se que as instituições se interessem genuinamente por uma obra desconhecida. Enquanto
tal não acontece, a editora Campo das Letras, do Porto, promete editar uma antologia da obra de Sebastião
Alba, que escrevia "com uma lucidez de cortar à faca", resume Vergílio Alberto Vieira.
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Um texto do jornalista Machado da Graça na edição do jornal "Savana", a propósito da morte do
escritor moçambicano Sebastião Alba.
Um adeus ao Dinis
Atirava pedras à minha janela
a meio da noite. Duas, três da madrugada. Ensonado lá lhe ia abrir a porta. Já sabia ao que vinha.
Instalava-se na minha sala a ouvir música clássica enquanto eu voltava para a cama a retomar o sono interrompido.
De manhã, quando acordava, já ele lá não estava. Nem ele nem grande parte da garrafa de whisky que tivesse
em casa. De vez em quando recitava-me poemas. Não muitas vezes, que depressa percebeu que a poesia
não é o meu forte no campo das letras. Falávamos muito da vida e das pessoas que nos cercavam. Publiquei-lhe
um livro, quando estive no INLD. Depois foi-se embora, atrás de uma família que não tardou a desfazer-se,
ao que sei. Na última vez que o vi fui, por ironia do destino, eu quem o acordou a meio da noite. Estava
em Braga com um grupo de teatro de Maputo e, depois do espectáculo, encontrei alguns moçambicanos residentes
naquela cidade portuguesa que me deram as coordenadas para o encontrar. O local era o átrio de uma
velha igreja, de pedra escura. Um tecto mas sem paredes a não ser um murinho muito baixo, se bem recordo.
Um vulto embrulhado em cobertores e jornais, que o frio era intenso. Pelo que me foi dito por amigos,
aquela vida era mais uma escolha do que uma necessidade. Ele recebia um modesto subsídio mensal e a Câmara
de Braga poderia conseguir-lhe abrigo mais digno. De resto tinha, recentemente, ganho um prémio literário
de valor monetário significativo em que não tocou. Mandou-o às filhas que vivem, em Lisboa, com a mãe.
Acordou estremunhado e não me reconheceu. Conheceu, no entanto, o amigo que me acompanhava e lá o conseguimos
convencer a ir até um café conversar um pouco. Ao longo da conversa foi-se recordando de mim. Falámos,
bebemos um copo. Depois tirou do bolso uma gaita de beiços e tocou, bastante bem, dois ou três números.
No dia seguinte, foi assistir ao espectáculo do nosso grupo. À saída, depois de desmontar o palco,
ainda o procurei mas já se tinha ido embora. Foi a minha despedida ao Dinis Carneiro Gonçalves, ao
Sebastião Alba, que agora nos deixou, atropelado por um automóvel, naquela mesma cidade de Braga. O
dono do carro talvez tenha ficado com a ideia de que matou um mendigo miserável. Mas não, matou um
dos grandes poetas de Moçambique.
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POSFÁCIO Os termos em que as palavras se compõem, decompõem e recompõem para
se definirem como Poesia, ainda bem que nem sempre obedecem às mesmas solicitações, aos mesmos anseios,
aos mesmos conceitos — e porque não? — aos mesmos ideários. Mas trata-se sempre de um problema de estruturas:
as da linguagem decantada. Daí, precisamente, ser a poesia de Sebastião Alba uma arte na própria
arte. Nesta arte tão susceptível de variadas interpretações: uma arte especulativa e de que Sebastião
Alba abusa no bom sentido de nos coagir a gostar dela, especulando com a nossa faminta disponibilidade
em nos re-humanizarmos através da fruição de uma beleza tanto mais aliciante quanto mais ambígua na «virgindade
civil» dos seus legítimos materiais: as palavras. E tanto mais poesia quanto mais ela — ambiciosamente
— integra valores antigos, revalorizando-os com novas noções e anexações da comunidade das imagens; da
grande comunidade das imagens destribalizadas. É o caso deste livro de poemas de Sebastião Alba.
Livro em que toda a exegese deles — os poemas — não será mais do que restringir-lhe a poesia se tentarmos
situá-la nos calabouços dos clássicos lugares-comuns de como a poesia é; como a poesia deve ou deveria
ser, ou como a poesia não é. Porque o sentido (válido) de uma obra poética há-de analisar-se pelo seu
intrínseco lastro lírico. E o seu Conteúdo compromete-se com a viva circunstancialidade que caracteriza
e define o Poeta, a obra e o seu tempo. Que se identifica na atmosfera psicológica e telúrica; «que ao
ódio respondeu! com o ardor legítimo do cântico/ e um afinco a razões/ só insubmissas.», diz-nos Sebastião
Alba. Poeta de um género que para muitos não estará indigenamente identificado, Sebastião Alba é,
contudo, o poeta moçambicano que se quer na legítima cidadania das emoções «sentidas» no plasma da sua
«gramática» perfeitamente nacionalizada pela vivência; pela liberdade libertada em Poesia. Um Sebastião
Alba que na sua genuinidade de expressão em português chama às coisas pêlos seus nomes, conferindo-lhes
sempre o peso de alguma coisa. E dessa coisificação é que os verdadeiros poetas fazem o seu labor. Mas
um labor estético, o que exclui o virtuosismo intelectualista, o snob artesanato de estante. E então
nos ocorre que Sebastião Alba é um belíssimo poeta, um poeta maiúsculo. Ler-lhe os poemas é efectivar
um ansioso redescobrimento da nossa própria sensibilidade. Uma sensibilidade redespertada pelo habilíssimo
alerta dos seus silogismos («um laivo incendiando as espirais do rasto»); as suas coacções solidárias
(«fragmentados dos gestos e dos modos/ que ousámos ter quando tivemos roupas») ou com as alegrias pungentes
(«Conto as anedotas que oiço/ noutras reuniões,/ aos meus amigos de subúrbio,/ os menos designados. E
nenhum ri.») em que o poeta nos desarruma o vetusto mobiliário do nosso rés-do-chão mental e nos propõe
que o remobilemos consoante o nosso lugar e os nossos haveres e sem os receios inculcados desde a infância.
Uma infância mentida; mistificada. Sebastião Alba faz as palavras não terem outra pátria que não seja
o país sem fronteiras do poema. Poesia no jogo de metáteses, o poeta Sebastião Alba assume com ela uma
leveza, uma depuração, um linearismo de sintaxe que é a contensão do ritmo em que a sua poesia não exorbita
de um estilo sóbrio mas simultaneamente é um luxo natural («nessa disjunção o istmo da poesia») como
certas pedras preciosas, certas plumagens de aves, certas escamas de peixes, certas pétalas de flores,
certos poentes e certas alvoradas. Estamos plenamente com Sebastião Alba quando renega a unidade
isolada, mas exige para o homem que sonha «os espaços aéreos de países castos». Exige mas consciente
de que no Universo humano das realidades acontecem as «Palavras de ponta e mola/ que anavalham (...)/,
a reflectir o âmago/ das sombras». Em Sebastião Alba reencontramos um lirismo nuclear, uma pureza,
uma sublimação dos vocábulos desarmados dos seus conteúdos pejorativos, dos seus convencionais fetiches
burgueses quando nos assevera que «fornicamos/ para que alguém nos renda». Neste «fornicamos», Sebastião
Alba restitui ao vernáculo a inocência obrigatória e desmistificada no verso e destrói o tabu da obscenidade
porque a palavra necessária nunca é obscena. As palavras gratuitas, essas sim. Como os actos. Ou
então, e outra vez, quando Sebastião Alba nos diz que «o sexo a expende», o poeta não apela ao sentido
eventualmente concupiscente da frase mas a um implícito universo dinâmico, criador; reprodutivo. Assim
como Sebastião Alba não está indiferente ao espectro da guerra. E faz-lhe o libelo nesta admirável imagem,
horror sintetizado na angústia da «incomunicabilidade das casas/ sob os bombardeiros». Utilizando
a riqueza das palavras como um utensílio precioso mas não um artigo de luxo, Sebastião Alba faz poesia
luxuriante de ternura. Uma ternura sensualística no léxico adornado com a magnífica concisão só possível
quando o poeta possui o requinte sensual de cada significado no mágico mundo das palavras. O mundo
das palavras onde o homem se define como seu servo ou o seu deus. O que nos levaria à iconoclastia perdoável
de chamar aos verdadeiros poetas como é Sebastião Alba: os grandiosos deuses humildes da palavra.
JOSÉ CRAVEIRINHA — 1973
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O POETA VAGABUNDO
Sebastião Alba
Dinis Carneiro Gonçalves, aliás, Sebastião
Alba, nasceu e morreu em Braga, numa arcatura temporal que vai de 1940 a 2000. Foi durante muitos anos
para Moçambique e de lá regressou à Bracara Augusta em 1981, onde adoptou a errância libertária como
modo de vida até ao Outono passado. A 14 de Outubro morreu atropelado na rodovia. Tinha 60 anos e três
livros de poesia publicados. De ascendência transmontana, tendo ido buscar o pseudónimo ao nome
dos pais Sebastiana e Albano, cedo foi para a colónia ultramarina, onde casou com uma mestiça e se tornou
professor, jornalista, poeta e administrador fugaz da província da Zambézia. Antes, porém, desta actividade
múltipla, desertou da tropa ao segundo dia, foi preso e torturado durante dois anos. Com a agudização
da crise política moçambicana, regressa com a família a Braga, habita um pequeno apartamento e chega
a colaborar com o "Correio do Minho". Uma curta experiência em Lisboa com a família aumenta-lhe
a sua tendência anti-social e regressa a Braga só, isto é, sem a mulher e as filhas. Opta definitivamente
por um tecto de estrelas, depois de curtas estadas em quartos arrendados. Como parceiros de vida o álcool,
a música e a poesia. A Antena 2 e uma harmónica de boca alimentam-lhe a melomania; o álcool, sempre dissimulado
num saco de plástico, entorpece-lhe a voz da consciência; a poesia embala-o no sonho idealista de submeter
o mundo à ordem musical. Figura controversa, por teimosamente rejeitar qualquer oferta de protecção
ou abrigo, por ser bêbado, provocador e mal-cheiroso, incumpridor contumaz das normas sociais: foi atropelado
fora de uma passadeira. Afinal, as passadeiras também existem para proteger os errabundos. Por outro
lado, era um ser desprendido, dava o pouco dinheiro que tinha a mendigos ou vadios, sendo ele mesmo um
mendigo de grande dignidade, pois aceitava actos de caridade contra actos de gratidão: tocava peças musicais
ou oferecia poemas a quem o ajudava. Até os 1.500 contos do Grande Prémio ITF deu às filhas.
O seu reconhecimento público só foi possível depois de a Assírio e Alvim lhe ter publicado em Lisboa
"A Noite Dividida". A comprovada qualidade da obra literária deste autor, nascido na Cividade, foi justamente
referida pelo presidente do júri do concurso, o prestigiado docente e crítico literário, Vítor Manuel
Aguiar e Silva, para quem a obra do galardoado evidencia uma estatura merecedora de admiração e público
reconhecimento. A arte poética evidenciada em "A Noite Dividida", "Ritmo do Presságio" e "O
Limite Diáfano" coloca Sebastião Alba numa posição cimeira da cultura literária bracarense, ao lado de
outros grandes vates locais, que têm nobilitado o bom nome da cidade de Braga, intra e extra-muros. Para
o poeta Rui Knopfli o verbo de Sebastião Alba é apanágio de muito poucos poetas, tanto mais que assumiu
a condição de ser despojado e desprendido, própria dos espíritos que se dão à Arte, o mesmo é dizer à
Humanidade, sem esperar outro retorno que não seja de ordem espiritual. Muito versado em cultura
musical e literária, tinha alguns amigos que o procuravam, concedia conversas e entrevistas a alunos
secundários e universitários e tinha uma grande paixão pelas filhas que visitava com regularidade. Estas
nada puderam fazer contra a maior força do apelo anarquizante. Morreu sem identidade civil e tornou-se
num problema para as autoridades. Finalmente, identificado e descoberto morto pelas filhas, rumou a Torre
D. Chama, a terra dos pais. O vagabundo pôde por fim habitar a eterna morada do comum dos mortais;
o poeta, esse, ainda anda por aí.
Fernando Pinheiro
Nota: Esta sinopse
biobibliográfica foi feita a partir dos artigos "Sebastião Alba - Poeta de Sempre", de Rui Feio, in Povo
Bracarense de 19 a 25 de Outubro de 2000; "História de Sebastião Alba _ Uma Furtiva Lágrima", de Paulo
Moura, Revista Pública, 19 de Novembro de 2000.
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CANTIGA DE AMIGO ao Sebastião Alba bateu ao portão um dia bateu
ao portão abri-lho vinha da estrela do norte bebendo copos de vinho dançou batuque
na sala (vestia como um mendigo) disse versos disse prosas do mais longe tempo antigo
chorou de mágoas passadas cantou versos repartidos dançou batuque na sala vestido
como um mendigo e chorando sobre sonhos e ao mesmo tempo sorrindo disse adeus
adeus adeus e caiu adormecido Glória de Sant'Anna
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Poema inédito ( incluído num livro pronto) e resultante da amizade e empatia que nos reuniu em Moçambique.
Da troca de emoções literárias, de uma certa loucura do Sebastião, que quando aqui chegou, pousando
sobre a relva o seu saco de mendigo me beijou a mão. Comoveu-me revê-lo. Ele era o mesmo por sob
as rugas, o rosto devastado o cabelo cinzento e revolto. Diniz Carneiro Gonçalves, sim. Mas acima
de tudo Sebastião Alba. O controverso. A grande presença revoltada. O perturbador inesperado.
O Poeta. Glória de Sant' Anna
Dezembro de 2003
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