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LIVROS & AUTORES QUE A MOÇAMBIQUE DIZEM RESPEITO
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PREFÁCIO
O género biográfico de entrevista, a que os Franceses chamam «rencontres»
ou «entretiens», dialogado entre biógrafo e biografado, o qual conduz a conversa mediante perguntas adequadas,
usa-se pouco em Portugal, apesar de prestar-se a efeitos jornalísticos. E o curioso é que, sendo Norberto
Lopes, jornalista, quem assina estes «Diálogos com o autor das 'Memórias do Capitão'», eles não traem
a origem geralmente sensacionalista própria do profissional, que é ainda a mais comum motivação portuguesa
de casos semelhantes. O louco reino da política e da
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revolução, que é hoje literariamente o nosso, tem cultivado, pelo menos, a biograïia de alguns dos
mais famosos agentes delas. Quase se poderia dizer que não há «capitão de Abril» que não tenha o seu
Plutarco. Mas a pena de Norberto Lopes não range a tais estímulos, que só do efémero vivem.
Grande jornalista (por muito feio que fique dizê-lo no vestíbulo acolhedor de sua casa, que é este livro),
o antigo director do «Diário de Lisboa» e de «A Capital» domina a escrita língua do quotidiano — que
deve ser coloquial, quase imediata, estilisticamente apagada— com um vigor, uma elegância que a passam
logo a outra categoria expressiva: a linguagem do autêntico escritor. Nem a deontologia profissional
adoptada por tamanho jornalista lhe consentiria transigir, em focagens pessoais do sucesso-holofote do
dia, com esse oportunismo habitual, Norberto Lopes não receberia luz de tais fontes: emprestava-lha.
Escolhendo o capitão Sarmento Pimentel como pretexto biográfico, Norberto Lopes não faz mais do
que ampliar (e com que sobriedade!) a sua pequena mas insigne galeria de temas existenciais de portugueses
ilustres que o atraíram pela singularidade e forçai das vidas vividas: um Gago Coutinho, um Manuel Teixeira
Gomes, mais alguns outros (poucos) dos nossos maiores, se fizermos a lista sem o critério formal de tratamento
biográfico em volume, respigando perfis de homens de vulto traçados ao sabor da voga, no enorme acervo
de artigos que o jornalista ao longo da vida assinou. É pois numa certa concepção de vidas
exemplares que se insere o gosto que o autor deste livro tem pelo género. Agora, que tanto se fala
de óptica e de opção, as que ele pratica conversando com esta espécie de «notáveis» são eminentemente
morais. A ética —não o êxito— é que move esta pena informadora de acções, promotora de análise biográfica
ao fio de uma temporalidade de agentes portugueses da política, da literatura, do jornalismo, enfim da
história, que coincide com a própria temporalidade do jornalista. Em suma, um escol de contemporâneos.
O que me admira é que Norberto Lopes, com a fidalga cumplicidade de Sarmento Pimentel, tenha
querido recorrer à minha intervenção na capa deste livro como prefaciador. Ou, melhor e paradoxalmente,
direi: nada disso me admira, porque afinal não é um fiador que perante o público em mini buscam, mas
uma «confiança» que me dão — uma rara e comovedora honra de liça. Por assim dizer, trazendo-me à ribalta
editorial biógrafo e biografado armaram-me cavaleiro do bom combate que é a narração histórico-contemporânea
dos desencantos de uma «geração traída», encarnada na pessoa de um dos seus mais genuínos, heróicos representantes,
João Sarmento Pimentel, «o Capitão», por antonomásia. E, deste, sim que se pode dizer «o capitão sem
medo», sem medo e sem reproche. Claro que neste título de «Diálogos» avulta muito mais a fala
do interrogado que a do inquiridor. Este provoca, condiciona a matéria a desenvolver pelo outro. São
diálogos símil-platónicos, e às vezes feitos a partir da integralidade das respostas que o entrevistador,
conhecendo-as em bloco previamente à sua intervenção inquiridora concreta, vai interrompendo habilmente
de pequenas objecções, convites a desvios, a esclarecimentos, detalhes. Enfim, um fino jogo de espada
em que quase todos os botes são desferidos por quem dá motivo ao «encontro». Pelo que não há lugar para
definir, em campo, quem seja o mestre de esgrima. Ambos o são — e Norberto Lopes com aquele subtil sentido
da impersonalidade, do «não levantar a voz», que precisamente o assinalou em meio século de imprensa
portuguesa como um dos nossos maiores comentadores e mais finos analistas. Estes «Diálogos» com
o autor das «Memórias do Capitão», para quem se tenha iniciado a lê-las em volume, produzem o efeito
destas rotundas de parques escolhidos como ponto ideal para o visitante ouvir os rítmicos desdobramentos
do «eco». Recapitulam connosco os passos capitais da carreira do memorialista homem de armas, paralela
às lides cívicas em que se viu envolvido e a que por temperamento respondeu sempre favoravelmente. 1910,
1914, 1919, 1927, ... Proclamação da República, campanha do Sul de Angola, derrota da Monarquia do Norte,
ataque à ditadura saída do 28 de Maio ... outras tantas gestas da longa jornada política de um
homem que nunca ambicionou o Poder, mas que não consentia que ele fosse a presa dos leões de fáceis césares
ou dos lobos de falsos democratas negaceando no povoado com samarras de cordeiro. Já me alongo
demais nesta breve função de arauto inútil de um livro que por sua própria riqueza se impõe. £ como
que tenho inveja da posição que Norberto Lopes ocupa. De bom grado trocaria aqui o meu papel pelo que
lhe coube. Fomos camaradas de imprensa (pois passei pela profissão) durante poucos mas fecundos meses
de 1920--1921. N'«A Pátria» do saudoso Nuno Simões e na «Última Hora», alfobre de redactores do «Diário
de Lisboa» de Joaquim Manso. Vi Norberto Lopes lançado no caminho das grandes reportagens, que me teria
tentado, precisamente na altura em que mudei de rumo, indo estudar para Coimbra quando mal me tinha iniciado
cm contactos profissionais com duas ou três grandes personalidades: o marechal Joffre, Afonso Costa,
poucos mais. Norberto Lopes, mais fiel ao pendor jornalístico do que eu, esse conseguiu ir-se formando
em Direito sem deixar a banca de repórter da alta noite alfacinha. Hoje, para mim, é um prazer
vê-lo «provocar» o admirável autor das «Memórias do Capitão», obra-prima do género em Portugal e no Brasil,
à recapitulação de uma existência vivida no drama dos combates e ao sabor das crises endémicas de um
povo historicamente grandioso mas civicamente frustrado. A «geração traída» fica retratada com
relevo nestas páginas. A geração militar, a que também poderiam chamar de «capitães de Abri!» — mas do
heróico e sacrificial 9 de Abril de 1918. A geração literária, das mais brilhantes, de «A Águia» e da
«Renascença Portuguesa», pois João Sarmento Pimentel ainda ombreou com um Teixeira de Pascoais e um Leonardo
Coimbra, ambos seus patrícios nortenhos — e Pascoais seu parente. Mal posso resumir o que
neste texto me encanta. O ambiente carregado de idealismo dos cadetes da Rotunda, com Machado Santos;
o dos bravos tenentes de dragões do Sul de Angola, com Pereira de Eça; o da valorosa resistência à restauração
monárquica de 1919 e que Sidónio Pais repeso de transigências, por instinto premonitório, entregara confiante
ao moço capitão de cavalos; depois a revolta tristemente gorada de 3 de Fevereiro, no Porto, e os desterros
subsequentes; o ânimo com que Sarmento Pimentel suportou o exílio de trabalho em São Paulo — tanta situação
de perigo e de aventura, vivida, por amor da Pátria, com exaltado mas seriíssimo espírito romanesco,
paralelamente a uma vida exemplar de pioneiro do Brasil e guia de imigrantes. Outro condão
destas reminiscências é o apego de Sarmento Pimentel à terra e à grei nortenhas. O mundo dos seus antepassados
trasmontanos ata-se maravilhosamente ao de Camilo. Não é vivido com menos força evocativa; e dispõe de
um orgulho avoengo mais legítimo. O português velho adianta-se ao jovem cadete da República como uma
iluminura de cancioneiro medieval pode fazer boa vizinhança com uma tela de Amadeo de Souza Cardoso,
trasmontano também. Belo serviço presta Norberto Lopes à literatura portuguesa e à história dos
nossos dias fixando o «reliquiat» das grandes «Memórias do Capitão», que João Sarmento Pimentel, com
o juvenil desenfado dos seus oitenta e tantos anos «de eterno retorno», com ele conversou durante alguns
dias, no quarto de um hotel lisboeta, com o bilhete de avião no bolso para São Paulo, mas já pensando
na volta... VTTORINO NEMÉSIO
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UMA CONVERSA INFORMAL
O capitão João Sarmento Pimentel não só foi testemunha como
participou em alguns actos da tragi-comédia que se representou entre nós no decurso desse agitado período
que vai desde a implantação da República em Portugal e dos anos conturbados que se lhe seguiram até à
instauração da ditadura que o movimento militar de 28 de Maio de 1926 nos impôs. Acompanhou ou tomou
parte, mesmo durante a sua permanência no Brasil, onde se exilou após o malogro da revolta militar que
teve começo no Porto em 3 de Fevereiro de 1927 e foi tardiamente secundada pelas forças que em Lisboa
tinham dado a sua adesão, comprometeu-se, como íamos dizendo, em todos os movimentos que se tentaram
para derrubar o regime autocrático instituído em 28 de Maio e que Salazar consolidou e endureceu
quando assumiu, mais tarde, a presidência do Conselho. Sarmento Pimentel lutou, depois, sem descanso,
em todas as frentes, na Pátria e no exílio, pela palavra e pela acção, para ajudar a libertar o País
do longo cativeiro que nos privou dos direitos inerentes à condição humana e acarretou outras calamidades
que desacreditaram o sistema, criando-nos, deploravelmente, uma vergonhosa situação de povo* tutelada
ao qual foi negada a maioridade política. O seu testemunho tem, portanto, o maior interesse e ajuda a
esclarecer os acontecimentos em. que se envolveu e acerca dos quais faz, neste livro, revelações cuja
importância será desnecessário encarecer. As «Memórias do Capitão», de que veio há cerca de
cinco anos a lume a edição portuguesa, visto a brasileira não ter conseguido transpor a barreira de
arame farpado da censura de Salazar, constituem um documento valiosíssimo, além de uma obra-prima da
literatura portuguesa, em que a linguagem vernácula e vigorosa, a originalidade do estilo e a riqueza
apropriada das imagens, aliadas à naturalidade fluente da, exposição, correm parelhas com a franqueza
que impregna tudo quanto ao autor diz respeito e o desassombro com que relata o que a outros se refere.
No brilhante prefácio que escreveu para esse livro admirável e corajoso, Jorge de Sena considerou-o um
«au-to-retrato” vivo duma figura de português, cuja dignidade de carácter e gentilezas de coração, entre
a chatinagem de couves tronchas e presumidas que o 'jardim da Europa à beira-mar plantado' intensamente
produz, o tornaram flor rara que desejaríamos pudesse chamar-se raça, para melhor definir esse republicano
da Primeira Dinastia, exemplo de fidelidade aos ideais de independência de um povo, e de portuguesa dispersão
pelo mundo». Há, no entanto, nessa obra fundamental, proibida entre nós durante a ditadura
enquanto era adoptada como livro de leitura em escolas brasileiras, lacunas que não estão preenchidas,
ou porque o seu autor não quis propositadamente preenchê-las com o relato de factos que não deram lustre
à história dos nossos dias, ou porque teve o natural escrúpulo de contar, em vida dos protagonistas,
algumas histórias pouco edificantes, a fim de não provocar melindres ou comprometer falsas reputações,
derrubando dos pedestais a que se ergueram ídolos que assentavam em pés de barro. A razão
de ser desta conversa informal, bate-papo gostoso, como se diz na gíria brasileira ao sabor duma improvisação
que lhe confere espontaneidade sem lhe diminuir o valor documental, consiste, portanto, em alargar o
depoimento de Sarmento Pimentel a outros aspectos que não foram contemplados no seu livro e esclarecer
alguns pontos que ficaram porventura obscuros ou imprecisamente definidos. Acompanhamo-lo desde a infância
decorrida no ambiente provincial em que se criou, passando pela formação política que adquiriu até entrar
na Escola do Exército, vivendo as horas empolgantes do regime que ajudou a implantar no nosso País em
5 de Outubro de 1910, as vicissitudes de duas guerras (uma em África e outra na França), os anos turbulentos
que decorreram até à perda das liberdades cívicas, as amarguras e as esperanças do exílio, e, finalmente,
a alegria da libertação, que não foi tão completa e inequívoca quanto a desejaríamos, em virtude do rumo
insólito que os acontecimentos tomaram após o «25 de Abril». Sarmento Pimentel confirma, nas
páginas que vão ler-se, as invulgares qualidades de inteligência, de carácter, de isenção e de patriotismo
que o impuseram à admiração e ao respeito dos seus amigos e dos seus companheiros de luta. Dotado de
uma vivacidade de espírito, de uma clareza de discernimento e de uma probidade que não sofrem contestação,
além de uma valentia que se tornou lendária, ele é o mais creditado sobrevivente —e quantos restam? —
duma geração de portugueses que não foram, apenas, idealistas platónicos mas honrados patriotas
e vigorosos combatentes da luta pela Liberdade, que contribuíram com o seu portuguesismo indesmentível
e com o seu nobre comportamento para dignificar a terra que lhes foi berço e honrar a Pátria que tantas
vezes lhes foi madrasta desalmada em vez de mãe amorável. Geração exemplar, bem se pode dizer que foi
uma geração traída. Traída na pureza dos seus ideais, na nobreza das suas atitudes e na honestidade dos
seus processos. Traída pêlos homens e pêlos acontecimentos. Pela cobardia de uns e pelo oportunismo de
outros. Pela baixa política e pela alta finança. Pela Justiça e pela História. Devo ao distinto
jornalista António Valdemar —que passou pel'«A Capital» como gato por brasas durante a minha direcção
e de quem tive ocasião de apreciar, em convívio mais recente, a impecável camaradagem e uma cultura pouco
vulgar no proletariado da nossa profissão —, devo-lhe a oportunidade e a honra de ter conhecido mais
intimamente João Sarmento Pimentel. Foi ele que me apresentou ao autor das «Memórias do Capitão» e me
proporcionou alguns momentos inesquecíveis de convivência com esse homem excepcional, dando-me uma colaboração
valiosa para a feitura deste livro, que vale, sobretudo, pela autenticidade de que se reveste a narrativa
e pelo calor humano que Pimentel lhe imprimiu. Além do valor histórico que oferece, este depoimento representa
um desafio, a que não faltou plena capacidade de resposta, lançado à memória surpreendente deste
jovem de 88 anos que recorda com a frescura da juventude e a experiência proveitosa de uma vida intensamente
vivida factos e pessoas dos tempos idos, passados em ocasiões e lugares a que a sua existência ficou
indissoluvelmente ligada. Sarmento Pimentel respondeu às perguntas que lhe fiz com a sua habitual
franqueza, sem papas na língua, assumindo, como é timbre do seu carácter, a responsabilidade das declarações
que me fez. Apesar da sua prodigiosa memória, é possível que alguma data esteja deslocada, que algum
nome tenha escapado no relato minucioso dos factos, que algum involuntário anacronismo tenha alterado
a ordem normal dos acontecimentos. Para esses pequenos senões, difíceis de evitar num trabalho desta
natureza, entrevistado e entrevistador solicitam a benévola compreensão dos leitores. NORBERTO
LOPES
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NOTA FINAL Esta longa conversa, começada um pouco antes, terminou a seguir ao 25 de Novembro.
de 1975. Depois dessa data, muita água correu debaixo da Ponte 25 de Abril e foi levada para o mar na
corrente do ameno Tejo de onde partiram os navegadores que haviam de dar novos mundos ao mundo. Embora
o panorama da poltíica portuguesa se tenha modificado sensivelmente, persistem no entanto as dúvidas
e as interrogações acerca do futuro. Persiste, sobretudo, uma situação económica angustiosa, de cuja
gravidade parece que os portugueses ainda não se deram conta. Seja como for, este depoimento corajoso
e responsável, pela autoridade de que se reveste e por algumas revelações curiosas que contém, não perdeu
ainda a oportunidade e o interesse que, com mais propriedade, lhe podíamos atribuir na altura em que
foi feito.
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INDICE GERAL Prefácio . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ....................
9 Uma conversa informal . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...............15 I — A infância
vivida num ambiente provincial ............... 21 II — Escola de inconformismo e rebeldia ... ...
... .... ..... 39 III — Um novo capítulo na História de Portugal .............. 49 IV — Os cadetes
da Rotunda ... ... ... ... ... ... ... .............. 63 V — O Porto, mais do que uma cidade,
uma família ....... 75 VI — Uma política colonial errada ... ... ... ... ... ... ........85
VII — Um lugar de convívio e tolerância, ... ... ... ............. 97 VIII — Monarquia do Norte e
reimplantação da Repú- blica ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ............................
107 IX — A «Seara Nova — reforma da mentalidade ... .................................................................................................121
X — Primeiro combate contra, a ditadura ... ... ... ........... 139 XI — Brasil — um imundo novo
... ... ... ... ... ... .......... 147 XII — Os «pintãos» da ninhada salazarista (*) .....
..... 163 XIII — A mistificação das relações luso-brasileiras ........187 XIV — 25 de Abril —
a alegria do regresso ... ... ... .......197 Nota final .. ... ... ... ... ... ... ... ...
... ... ... ... ................... 223 indice onomástico ... ... ... ... ... ... ... ...
... ... ... ..............225 (*) Neste capítulo, relativo à permanência de Humberto Delgado
e Henrique Galvão no Brasil, aparece o plural pintãos em vez de pintões, como seria hoje de uso corrente.
Tal emprego é abonado pelos clássicos portugueses de Quatrocentos ao utilizarem esta forma lexical quando
se referiam aos pintãos do Xá da Pérsia.
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