A BIBLIOTECA DO MACUA

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LIVROS & AUTORES QUE A MOÇAMBIQUE DIZEM RESPEITO



REIS VENTURA



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NOTA DO EDITOR


AQUI FOI PORTUGAL!


  Quando da 1.ª Viagem Presidencial, em 1938, o saudoso Marechal Carmona proclamava, ao pisar Terras do Ultramar, «AQUI É PORTUGAL!», fazia uma afirmação de Fé, para além de mostrar e relembrar a Determinação Lusíada de dar novos mundos ao Mundo, como ainda assegurava às Populações a continuação da Portugalidade.
  Quando se dizia que Portugal não era um pais pequeno, provava-se que todo o Território Lusíada era bem maior que toda a Europa.
Entenda-se por Território Lusíada as Terras de Aquém-e-Além-Mar.
  Quando os heróicos bravos da revolução reaccionária de 25 de Abril, data ímpar na História de Portugal, desmantelaram a Pátria, reduzindo-a ao que foi em 1263, no reinado de D. Afonso III, provaram que em 1974 era possível a existência de vários Migueis de Vasconcelos.
Ressalve-se que só dois séculos mais tarde se iniciaram as Descobertas.
  Quando esses traidores à Pátria forem julgados no lugar próprio, em Tribunal, por traição à Pátria, terão de explicar e justificar os seus actos, porque nas consciências dos portugueses estão há muito condenados, sem hipótese de perdão.
  O reconhecimento da República Popular de Angola é facto consumado e o «acordo» de Alvor foi coisa morta e nada significativa.
  O imperialismo russo-cubano instalou-se em Angola, levando consigo a tal «democracia» e «liberdade» feita com a vontade bestial dos lacaios moscovitas.
  Os mortos contam-se por dezenas de milhar e o solo angolano conhece agora o autêntico colonialismo, este de feição ditatorial e imposto pela força das armas.
— Afinal Angola não foi libertada!
— Afinal Angola é apenas vítima inocente da cobiça moscovita.
— Afinal Angola é agora realmente urna colónia.
  Faz pena tudo isto. Faz pena porque nós, portugueses de todas as cores, estamos desde 1974 a ser vítimas de um amplo sistema de descolonização que de exemplar nada tem.
  Faz ainda pena, porque vimos muitos dos infelizes retornados — refugiados de guerra — desesperados e com poucas esperanças, já que tudo lhes foi roubado em nome da democracia e da liberdade.
  Faz ainda pena, porque somos forçados a reconhecer que afinal tudo está certo: é o resultado de uma fórmula, entre as muitas conhecidas, utilizada pelo comunismo para se apossar do alheio, já que pela razão os Portugueses tinham vencido, em todos os campos: em combate e no pacifismo!
  Em combate, porque qualquer dos movimentos de «libertação» estava com-pletamente vencido, especialmente o MPLA, o mais frágil e mais comprometido de todos, ressuscitado milagrosamente das próprias cinzas pêlos revolucionários--progressistas-abrileiros, que generosamente o guindaram à categoria de seu vencedor, sabe Deus a soldo de quem...
  Acusar os Portugueses de colonizadores constitui grave ofensa, que só um cérebro mentalmente desequilibrado poderá fazer.
  Quantas Familias não se desfizeram de todos os haveres, aqui na Metrópole, para os investirem em Terras Ultramarinas?
  E fizeram-no porque sentiam estar em Terras Portuguesas, portanto em território Pátrio.
  Pois não é verdade que desde há séculos as Terras do Ultramar também eram Portugal?
  Como justificar tudo isto, e ainda mais o que se passou e passa em Moçambique, Guiné, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe e no muito martirizado Timor? Descolonizadores exemplares? Não interessa procurar razões justificativas, elas não existem, e os nossos seguidores não hesitarão em classificar a nossa geração de traidores, por abandono de território Pátrio.
  A herança recebida, mantida ao longo de tantos séculos, com muitos Mártires e Heróis, está completamente delapidada, destruída e irremediavelmente perdida.
  Bastaram os anos de 1974 e 1975, os anos da vergonha, para destruir oito séculos de História, por obra e graça de um grupo de imbecis armados e a corja de políticos de pacotilha que os acompanhou, todos arvorados em progressistas, iluminados e mentalizados por caquéticos marxistas a soldo de Moscovo, onde nem sequer faltou um autêntico louco!
  Não interessa, de momento, procurar as razões da passividade de todos nós ante tão grave Desastre Nacional, porque inegavelmente a cobardia apossou-se de todos, face às loucuras que nesses dois terríveis anos assistimos e sentimos na própria pele. O grave é que os nossos seguidores nos vão acusar de actos que não praticámos e para os quais não fomos consultados.
Tudo o que aconteceu foi concertado em gabinetes revolucionários, em nome do Povo, mas sem a sua concordância; os factos apareceram consumados sem apelo nem agravo.
  Foram os nossos ancestrais que deram novos mundos ao Mundo, que levaram a Cruz de Cristo por mares nunca dantes navegados, onde agora, nessas Terras sagradas, paira a morte e a desgraça, em nome da democracia e da liberdade, numa autêntica colonização da tirania comunista que teimosa e obstinadamente marca com sangue as sete partidas do Mundo.
  Têm vindo, desde 1974, todos esses oportunistas, iluminados, super-politi-zados, e inúmeros imbecis a apresentar razões que não convencem ninguém. Mas agora bastai
Demitam-se!
Exilem-se l
Calem-se l
  A saturação que motivaram entre nós com os seus utopismos, empinados a martelo em velhos livros marxistas, leninistas e quejandos, onde as teorias fantásticas se amontoam, confundiu os incautos e os pouco inteligentes. Teorias preparadas cientificamente para o atrofiamento de cabeças fracamente trabalhadas, para provocar nestas uma rápida assimilação.
  E isto porquê? Porque concretamente é muito mais fácil exercer domínio absoluto sobre esse tipo de indivíduos, normalmente ocos e invejosos, frustrados e oportunistas, despolitizados e mandriões. A razão da reedição —pela oitava vez— de «SANGUE NO CAPIM» é não só para que os factos não sejam esquecidos, mas sobretudo para que os mais jovens tenham a perfeita consciência do que efectivamente foi a epopeia vivida em Angola pela sua população.
  Os Portugueses de Angola, laboriosos e pacíficos, não mereciam, em caso algum, o tratamento de que foram vítimas, em nome de uma «libertação» que não pediram, contra a qual lutaram com todas as forças, de armas na mão, sem sequer aguardarem instruções governativas, porque de tal não careciam, dado usarem o direito indeclinável de defenderem a Pátria.
E Angola era Portugal !
  REIS VENTURA conseguiu, e Bem-Haja porque o fez, traduzir para palavras despretensiosas, mas bem sentidas, alguns dos mais significativos momentos da hecatomba monstruosa que em 4 de Fevereiro de 1961 vieram e continuam a manchar de sangue a Paz Lusíada da vida angolana, para logo em seguida virem os bandos de terroristas e assassinos que, comandados do exterior, iniciaram os horrorosos massacres no Congo Português.
  Iniciou então o terrorismo internacional, subsidiado pelos habituais fornecedores — os países do leste europeu, cuja capital ideológica é Moscovo — o mais violento e sanguinário massacre terrorista que os inimigos da Civilização Latino-Cristã desencadearam em África, depois da última guerra mundial.
  Devemos essa honra aos inspiradores das horrorosas carnificinas de 15 e 16 de Março de 1961, dado partirem do princípio que era preciso algo de espantosamente horrendo e trágico para aterrorizar os honrados Portugueses.
  E, rapidamente, aproveitando a naturalidade e a sinceridade da nossa convivência plurirracial, caíram de surpresa sobre pessoas sem culpa nem crime, decapitando, despedaçando e esquartejando.
  Portugueses brancos, pretos e mestiços, homens e mulheres, adultos e crianças, todos ficaram aos pedaços pelas ruas de povoações isoladas e nos terreiros das roças de café, grandes e pequenas, duma vasta região da Província do Uíge.
  Mas os crápulas que, de longe, com as palavras cínicas da ONU, com droga e feitiçaria vindas de Praga, Acera, Moscovo e Léopoldville, assolaram até um demoníaco paroxismo os instintos primitivos de algumas tribos nativas, mais uma vez se enganaram.
  Nem o tremendo choque emocional dessas centenas de vidas inocentes despedaçadas à catanada, logrou o efeito visado pêlos inimigos de Portugal. Nem com a dose máxima de horror, longa e comodamente preparada pêlos agentes da subversão mundial, os Portugueses de Angola se intimidaram.
  Bem pelo contrário: trocaram por armas o pouco dinheiro que tinham para o pão; colocaram a salvo mulheres e crianças para ficarem de mãos livres para o combate; agarraram-se obstinada e teimosamente a lugarejos insignificantes como Ucua ou Mucaba; entrincheiraram-se em vilas isoladas, como Damba ou Quitexe; deram o alerta para Luanda e Benguela; gritaram às armas em centros nevrálgicos de defesa, como Carmona e Negage.
  E a gesta heróica começou, com os seus mortos, os seus heróis, os seus lances de autêntica epopeia. No ano de 1961, á vida em Angola adquiriu sentido heróico!
  Da 1.a edição, pelo «Diário de Notícias» em 1963, recortei várias passagens que considero de extrema importância para o entendimento do tema.
  Em qualquer dos casos, creio que o título AQUI FOI PORTUGAL!, para a colecção que este livro inicia, está perfeitamente justificado.
  Os colonizadores russo-cubanos iniciaram a descoberto, em11 de Novembro de 1975, a libertação dos que conseguiram suster na sua fuga para a Mãe-Pátria.
  Os que lerem este livro que meditem nos factos narrados, que atentem nos nomes dos muitos heróis aqui citados, não esquecendo a Juventude que do Minho ao Algarve acorreu a Angola, rapidamente e em força!, nem os Portugueses de todas as cores que em terras de Angola se bateram, e ainda se batem, pela Bandeira das Quinas, que ainda tremula como símbolo sagrado da Pátria, algures em Angola.
  O epílogo —PARA QUÊ?— que REIS VENTURA escreveu agora não contém nada de novo.
Faz perguntas e formula acusações. O leitor não terá respostas para lhe dar.
O documento que este livro representa fica!
FERNANDO PEREIRA


índice


Aqui é Portugal
Aqui  foi Portugal
Recortes da  1.ª  Edição (1963)
«O caso de Angola» —1964
Da 7.ª Edição 1971
A   sentinela    
O alferes Robles
O velho Cafaia
As milícias
Homens com asas
Mucaba      
O soba
Natal   amargo  
Os  8  de  Cananga
Dois valentes  
Mãe preta
Marinheiros
O médico
Emboscadas
A Bandeira
Epílogo  



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14ª Edição - 1981

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