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LIVROS & AUTORES QUE A MOÇAMBIQUE DIZEM RESPEITO
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AUGUSTO CABRAL - MIA COUTO
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Breve Introdução
Moçambique é um território com 799.388 km2 de superfície e uma costa com
2.770 km de cumprimento, face ao Oceano ĺndico. Dada a sua situação geográfica, mais ou menos no sentido
Norte/Sul e dada a diversidade geológica do seu solo, encontra-se neste país uma grande diversidade climática,
desde o tropical húmido, tropical semi-árido, tropical seco e de altitude, a que corresponde proporcionalmente
uma grande variedade de "habitats" e ecossistemas, tanto terrestres como marinhos. À diversidade climática
e geológica corresponde uma grande biodiversidade, desde os obscuros transformadores microscópicos até
aos grandes mamíferos. Ao contemplarmos a grande diversidade de seres vivos que a natureza nos oferece,
não deixamos, no entanto, de pensar que o que está perante os nossos olhos é apenas uma ínfima parte
do conjunto que formam os seres vivos. Para apreciar a diversidade que está perante nós bastará olhar
para os animais de maiores dimensões que é o caso dos mamíferos. Desde os pequenos mamíferos, como
por exemplo o ratinho da montanha até aos gigantes como a girafa ou o elefante, o número de espécies
não o conhecemos ao certo. Podemos avaliar, pelo que conhecemos, que o número de espécies poderá variar
entre 250 a três centenas. Numa breve aproximação, diremos apenas algumas palavras sobre aqueles que
surgem perante nós quando nas nossas divagações por esse mato fora e que exibem a sua diversidade sem
ser necessário procurá-los. Falaremos apenas de alguns dos gigantes da selva que nos deixam, a nós
humanos, uma sensação de pequenez e insignificância. Começaremos pela Girafa (Girafa camelopardalis).
Esse gigante das savanas, que mercê da sua altura 2.5 a 3.6 m e pesa 1800 kg, é o animal mais alto do
mundo. É uma componente indispensável nas savanas onde abundam as acácias de que se alimenta. Apresenta
uma grande gama de variação, conforme sua área geográfica. Em Moçambique aparece na zona semi-árida do
Sul do Save. Outro mamífero de grande porte é o Elande (Taurotragus orix). Animal de grande porte,
facilmente domesticável para aproveitamento de carne, leite ou tracção. Outro antílope de grande elegância
é Palapala, sendo um deles negro e o outro de cor acastanhada. Outro de grandes dimensões é o Kudo (Tragelaphus
strepticerus) que foi escolhido para ser o animal representativo da fauna de Moçambique, pela sua elegância
e majestade. Muitos outros poderíamos mencionar, como por exemplo o Búfalo africano (Syncerus caffer),
este possante animal que vive em grandes manadas e pode ser visto por todo o território.
Teremos
de falar também dos grandes paquidermes a começar pelo Elefante africano (Loxodonta africana) que é o
mais pesado mamífero terrestre de 3.7 a 7 toneladas. Temos também o Hipopótamo que vive nos cursos de
água e lagoas e por último o Rinoceronte negro que se alimenta da folhagem das árvores e arbustos. Não
podemos deixar de mencionar os milhares de Zebras e Bois-Cavalos que povoam as imensas planícies de Moçambique.
Entre outros antílopes mais pequenos, poderíamos mencionar, por exemplo a Impala, notável pêlos graciosos
saltos de metro de altura e por uma série de diversa espécies de pequenos cabritos. Falando de carnívoros,
os de grande porte são o Leão, considerado o rei da selva, o Leopardo, esse caçador nocturno que quando
tem excesso de melanina é todo negro e chamam-lhe a pantera negra. Resta falar na Chita, esse elegante
felino que apresenta diversos tipos de desenhos, sendo o de maior beleza o da Chita Real. Poderíamos
ainda mencionar os Cães do Mato, os Chacais e as Hienas ou ainda a Gineta, um carnívoro mais pequeno
de bonita coloração. Outro animal que podemos mencionar é o Pangolim, fonte de superstições. Um animal
que só aparece de noite ou em dias de chuva, porque, devido às escamas de que é coberto, não suporta
o calor directo do sol. Daí, haver a crença que cai do céu quando chove e anuncia qualquer fatalidade.
Para terminar teremos de falar dos nossos parentes mais próximos, os PRIMATAS. Começaremos pelas Jagras,
que sendo animais nocturnos não se encontram com facilidade. No nosso país existem quatro espécies. A
Jagra gigante, Jagra do Senegal, Jagra de Grant e ainda a que é conhecida por "Night-ape". Quanto
aos restantes primatas restam os macacos. Começaremos pelo chamado Macaco-cão de que existem duas
espécies, o amarelo e o cinzento. São animais que vivem em bandos muito bem organizados, cada bando constituído
por diversos grupos, cada um deles com um chefe. Temos depois os macacos de menores dimensões que
também vivem em bandos: O Macaco simango, de cor acastanhada e o Macaco de cara preta de cor cinzenta.
Augusto Cabral
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Criar uma cultura de respeito
Quando se fala em animais é comum pensar-se em mamíferos.
Esta atitude redutora traduz uma visão antropomórfica do mundo. Damos atenção ao que nos é mais próximo.
Contudo, os nossos parentes zoológicos mais próximos não são, como nós acreditamos, o centro da lógico
do mundo vivo. Os verdadeiros donos e governantes dos processos que mantêm viva a Vida na terra são outros
bem mais pequenos e bem mais esquecidos seres. Como, por exemplo, os insectos. Como, por exemplo, as
bactérias. O que não vemos é, afinal, o mais importante. De algumas distorções sofremos mesmo quando
olhamos para o grupo dos mamíferos. A nossa escolha recai geralmente sobre os grandes mamíferos. Seleccionamos
os maiores, os mais próximos em tamanho e na aparência. Contudo, a maior parte das cerca de 300 espécies
de mamíferos que ocorrem em Moçambique são animais de pequeno porte. Mais de dez por cento dessas três
centenas de espécies são pequenos ratos. Sistematicamente lançamos para invisibilidade aqueles que, afinal,
constituem a maioria. Esse pecado de exclusão volta a suceder quando falamos de espécies em perigo
e nos circunscrevemos ao rinoceronte, ao cão selvagem e a uns tantos que são capa de revista. Mas a maior
parte dos mamíferos que, em Moçambique, se encontram em extinção são de outra ordem de grandeza. São
pequenos e feios (pelo menos ao nosso critério) os morcegos . No entanto, eles executam serviços de primeira
importância para o equilíbrio ecológico. Polinizam flores, exterminam insectos, ajudam-nos a eliminar
mosquitos. Geralmente excluídos são também os mamíferos aquáticos como as baleias, golfinhos, dugongos
e outros que fixam residência junto aos rios como o manguço de água, as duas espécies de lontras que
ocorrem nesta região austral. Este álbum destina-se a ilustrar uma riqueza de Moçambique tantas vezes
esquecida ou secundarizada. Os animais aqui retratados apenas cobrem uma pequena variedade dos mamíferos
do nosso país. Trata-se de fornecer apenas uma amostra que transmita uma ideia das potencialidades faunísticas
do território moçambicano. Este património vivo é também Moçambique. A imagem que assimilamos do desenvolvimento
são intermináveis espaços urbanizados. Temos vergonha do mato como algo que deve ser rapidamente "corrigido".
Associamos os espaços naturais à pobreza. Desconhecemos que é exactamente nesses espaços não-urbanizados
que reside uma das maiores potencialidades do país. A possibilidade de gerar riqueza a partir dos recursos
naturais e dos ecossistemas é enorme e pouco explorada. Os mamíferos funcionam como uma espécie de cartaz
de apresentação dessa potencialidade.
Um conjunto infelizmente amplo de factores tem agredido
e delapidado esse património. Matanças indiscriminadas continuam ocorrendo, apesar de esforços para exercer
controle e protecção. Os grandes inimigos da fauna não são de hoje: • Caça furtiva • Caça desordenada
durante conflitos militares • Caça profissional e de amadores
• Campanhas de combate à mosca tsé-tsé • Redução drástica de habitats Alguns desses danos são já
irreversíveis. Outros poderão ser reparados com políticas inteligentes que protejam não apenas os animais,
mas também os "habitats" e sobretudo não imponham condições de miséria para as comunidades rurais. Mais
do que políticas, porém, é necessário encorajar uma cultura de amor e respeito pêlos outros seres que
partilham connosco o território da vida. É para isso que este livro foi pensado e realizado. Mia Couto
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Inhacoso (Piva ou Namudoro)
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