12.° Estudo

 

 

    COMO já disse num dos estudos anteriores, as canções negras têm geralmente um solo iniciando o tema. Depois, um desenvolvimento e terminam com uma coda quási sempre imprevista,

Limitei-me a apresentar estas canções, apenas no seu princípio. Seria muito extensa, para um livro como este, a apresentação das mesmas com todo o desenvolvimento e todas as fantasias que ocorrem aos executantes negros, no decorrer das suas canções. Procurei por isso dar, ou fazer adivinhar de uma forma geral, qual o sentido musical do negro e o espírito estranho da sua música. As canções que se seguem neste estudo, de diferentes Regulados e raças, são expostas sem comentários e como as ouvi. Também, na tra­dução da letra, procurei dar o sentido mais possível exacto.



Esta canção é do Régulo Oueíco, Regulado que fica a sete quilómetros da vila de Zavala. Foi cantada por um grupo de raparigas novas — tombasanas.

 

Letra:

 

Ó meu irmão, porque não me tratas bem?

Ó meu irmão,

As mulheres já desceram aos maridos

Por serem maltratadas pelos irmãos.

Outra canção, cantada por grupos de guerreiros do mesmo Regulado. É, segundo me disseram, do tempo das invasões de Gungunhana.

 


 

 


Letra.

 

Não havemos de ver o Gungunhana nesta terra.

Não pode vir mais porque os portugueses nos guardam.

Ele que fique na sua terra.

 

Outra canção do mesmo grupo.



       Letra.



O Gungunhana não vem mais,

Porque a fortaleza

Foi feita por Maguinhane de caça.

O Gungunhana é que mandou.

        Uma outra canção do Regulado de Guilundo, que fica a trinta e cinco quilómetros para o interior do mato. Foi cantada por rapazes, raparigas, velhos e velhas. (Chópo).



 




 

Letra.

 

Quando estamos deitados,

Lembramo-nos da desgraça do Humbi (Gafanhoto) .

Uma outra do mesmo Regulado, por um grupo de ve­lhos guerreiros e com acompanhamento de Timbila.




 


 



Letra:

 

Vamos ver se vamos para o Transval

Para fugirmos ao Gungunhana,

Mas eles não deixam.

Mandam-nos voltar para trás.

 

Observemos este trecho, tocado por uma Timbila e dan­çado por um grupo de bailarinos de Régulo Macumbi.


Canção antiga, cantada por um grupo de mulheres do mesmo Regulado.



 



Letra.

 

Todas as mulheres vão com o marido buscar água ao mato.

Vão buscar água para a festa.

Só o meu nunca me leva;

Diz que sou eu que não quero ir com ele.

A canção que se segue é muito antiga. Dizem os velhos que é do tempo do Formazine, induna do Rei dos Mochopes, anterior a Gungunhana. Foi cantada por um grupo de velhos.

 

     Letra:

           Farrau está chamando todos os filhos para irem pagar o imposto de palhota. O Régulo já tomou posse. Há uma confusão entre Valengue e Bitongas por causa da morte de Mapondo.

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