14º Estudo

 

         Nas terras do Cabo Estondo, região de Zavala, ouvi esta interessante canção cantada e dançada por um grupo de velhos guerreiros.

 

Eis o sentido da letra:

 

Estamos cercados de Vatuas, (bis)

Vamos varrer os Vatuas, (bis)

E dizia o Nhamochunguele:

E terão que comer a sua própria fortaleza.

 


                                      Côro


Combatemos; mas ficámos vencidos.

Ficámos sem mulheres

Porque os Vatuas as levaram.

Somos uma povoação de solteiros.

      A canção que segue foi cantada por um grupo de rapazes e raparigas do mesmo Regulado. Ë uma dança a que eles dão o nome de «Chópo» ou «Calanga». Uma espécie da Macessa Landin.


 


 

Letra:

Aonde iremos nós com  este maluco  branco?

Aonde estaremos nós com este melungo, (patrão),

Que nos manda cortar estacas de simbir? (árvores de ferro).

Segue outra canção das terras do Cabo Guni, Régulo Canda.


Letra.

O Induna, (cabo de ordens)  do Guni,

Comprou uma mulher e saiu-lhe muito velhaca.

Comprou segunda e saiu-lhe ainda pior.

Ó senhor cabo,  é melhor ficar solteiro.

Outra canção, do Régulo Mana, cantada e dançada por um grupo de velhos guerreiros.

 

 

 

 

 


 

Combatemos contra o Gungunhana

E ficámos vencidos. Mas os portugueses nos salvaram.

Já não temos que pagar a um Rei tão mau.

Na região do Chaichai, Régulo Chonguene, ouvi, por um coro enorme, esta música. Os Landins dizem ser o hino dos guerreiros de Gungunhana e só pode ser cantada uma vez por ano.






              A canção, que segue, é também da região do Chaichai. É muito graciosa e creio que já tem qualquer coisa da influência do branco. Chama o negro a esta música «Muchongole», género de dança muito vulgar naquela região.

 


 

Letra.

Você não é o Régulo,

E há-de morrer como todos que cá estiveram.

Você deixou prender o Régulo antigo.

Está sujeito a que lhe façam o mesmo.

A canção, que se segue, foi cantada por um grupo de velhas, na região do Chibuto. Disseram-me, elas, ser esta música muito antiga, porque já a ouviam às kokuanas. — (avós).

Letra:

Aonde hei-de ir?

Até os meus próprios filhos me abandonaram.

Aonde irei eu?

Os meus netos também me abandonaram.

Aonde irei eu?

Os meus genros afastam-me.

Aonde irei eu?

Os meus genros afastam-se.

              Aonde irei eu?

              Os brancos também não querem

                     É melhor ficar aqui.

                     É melhor morrer.


A música que segue é do Regulado de Mavila, região de Zavala, trinta e cinco quilómetros para o interior. Foi can­tada por um coro mixto, composto por cerca de mil pessoas. A esta música chamam eles «Calanga». Foi acompanhada por um conjunto de «NTgombas» e por um instrumento muito pequeno e estridente, também de pele, a que dão o nome de «Zomana». A letra desta canção é uma comprida história, referente a revolução do Transval.


Sentido da letra:

 

Venham ouvir tocar a Timbila

Passei no meu andar; e não andei.

Andei perdido pelas cidades.

Cheguei até Murraco e Majolo.

Vi a revolução no Transval,

Até que pararam as máquinas.

Porque queriam levantar guerra contra os ingleses?

Os soldados boers chegaram a Firstaty.

Outros vieram de Pretória..

 O Régulo de todos os Mochopes,

 Chamava-se Chigomba.

 Venceram os Matongas até Inharrime.

 Encontrámos Maguingué e Inhavotuene.

 Estavam, a combater.

Fornos chamar Matiquito, o induna do Régulo,

Para nos ensinar o lugar onde se matavam pretos.

A nossa ida para o Transval,

 Não tem sorte nenhuma.

 Temos que empurrar as maquinetas

 E a comida não anda.

As nossas mulheres dizem todas «inzeno» «inzeno» (Andem devagar).

 

Como se disse em estudos anteriores, toda a história negra se encontra nas suas canções. De qualquer facto pas­sado encontramos sempre vestígios na sua música e na sua dança. Porém muito difícil de traduzir, às vezes, o sen­tido das suas palavras, todas entrecortadas por conceitos que escapam à nossa observação.

VOLTAR