2º.
ESTUDO
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LANDIM E MACHANGANE
A diferença entre estas duas raças, pouco se acentua na música.
O Landim e o
Machangane têm, mais que o Muchope, a noção da tonalidade. A fundamental porém,
raramente aparece na parte melódica, mas quási sempre em segundo plano e
nunca como baixo. No final dos trechos landins, nota-se com muita frequência, o
acorde da sétima sobre o sexto grau da escala, e também algumas vezes o acorde
da tónica na segunda inversão com retardo da terceira para a sexta.
A canção landim,
torna-se mais compreensível ao nosso sentir; é duma feição muito saudável e
alegre, devido ao emprego constante da terceira maior e ainda pela vivacidade
dos ritmos.
Há uma canção que em landim se chama Macessa e é cantada em
toda a região com a mesma popularidade do «Vira» em Portugal. Conseguimos
colher umas trinta e tantas, todas elas de ritmos diversos, mas de igual
estrutura e vivacidade.
As Macessas são geralmente cantadas e
dançadas por grupos de raparigas novas, que com os seus trajos garridos e
gestos airosos, emprestam a este espectáculo uma certa elegância, dum tom surpreendente
de cor. Também os versos das Macessas têm o seu sabor e uma construção mais
artística que quaisquer outros.
Noutras regiões, como por exemplo na região de Zavala, onde
se dança e canta a mesma canção que em Muchope se chama Chopos,
não tem tanta graça como a landim, porque, além de pior dançada, a sua
música é menos concreta. É notável o ritmo quási todoi
sincopado que as raparigas marcam, batendo palmas, numa divisão musical, dum
imprevisto que surpreende o mais ritmista. Trazem estas jovens por cima da capulana,
uma espécie de saiote curto, feito de
giesta, a que chamam choaca e que tem a vantagem de lhes tornar
mais vivos e graciosos os movimentos delicados das ancas, numa desenvoltura
capaz de satisfazer um artista exigente.
No decorrer destes trechos, aparecem
surprezas interessantes, como por exemplos quando julgamos prestes a terminar
a canção, uma outra voz surge a solo, mudando desta forma a feição melódica que
até ali imperava, embora a harmonia do coro continue de igual modo. Tivemos por
esse motivo que empregar várias pautas, para escrevermos um simples trecho e,
em forma de partitura, podermos registar todas as vozes e também a percussão
que, só por si, é um problema bastante
complicado.
A canção landim, como quási todas as
canções indígenas, tem
invariavelmente três fases, às quais podemos chamar: Esboço, Desenvolvimento e
Coda. O esboço, é dado por um solista, que duma maneira inteligente, e em forma
de cadência, aponta em síntese o caminho a percorrer, sendo logo secundado pelo
coro, que numa intuição surpreendente, desenvolve a ideia em forma clara e
vibrante, caindo do ar para o tempo
forte, duma forma que o nosso ouvido a princípio recusa receber, devido ao
quarto de tom; em breve porém, o grande
poder de adaptação do nosso tímpano auditivo acata-a com certo gosto.
Também no final de cada frase
raramente se deixa de ouvir o quarto de tom descendente sobre a última nota,
que se nos afigura a princípio como que uma espécie de fadiga da voz; porém,
depois de ouvirmos muito tempo os cantos negros, mais nos convencemos de que
este intervalo não é feito sem intenção
musical, e até se nota muitas vezes, como fazendo parte integrante da
própria harmonia.
UMA MACESSA

Sentido da letra:
O Chefe quere por cada homem que vai para o Transval, 1 libra. Mas o
Chefe nunca
lá foi, o Chefe não sabe quanto custa…
Temos aqui uma outra que se chama Motimba
(casamento) que é em coro, dum grande efeito musical e, como ritmo, das canções
mais estranhas, Ouvimo-la cantada por umas quinhentas pessoas, acompanhada por
diversas Ngombas e ainda por um tamborino pequeno, a que dão o nome de
Zomana, e que produz esplêndido efeito quando é empregado
com acerto em certas canções.

O sentido
desta letra, que é duma forma satírica, foi interpretado por um Cipaio que,
envergonhado, a custo nos deu a tradução.
O Português é amigo de preto.
O Português vem para aqui porque é amigo
de preto.
Mas, também multo amigo de dinheiro...
O negro emprega muitas vezes nas suas
canções, palavras absolutamente estranhas e alheias ao sentido da música. No
decorrer da viagem pelo mato, e depois de ouvirmos centenas de canções negras,
chegámos à conclusão de que toda a história político-social do povo negro está
descrita numa canção através dos séculos.