II
O IMPÉRIO DO
MONOMOTAPA
Nos
princípios do século XIV (1325 aproximadamente) uma tribo Bantu, os Makaranga,
atravessou o rio Zambeze e veio fixar-se no planalto que é hoje a parte central
da actual Rodésia (Zimbabwe). Este povo foi o fundador duma civilização
africana. Pouco a pouco os Makaranga estenderam o seu território formando uma
liga ou aliança de tribos Chona. Esta liga estendia-se do Zambeze ao Limpopo e
do Deserto de Calahari ao Oceano Indico. Esta grande organização ficou
conhecida na história com o nome de Império do Monomotapa.
Chona é uma grande
tribo subdividida em: Manhica, Zezuru, Kalanga ou Karanga, Ndau e Korekore.
Todas estas tribos falam uma língua comum: Chona.
A
CIVILIZAÇÃO DO MONOMOTAPA
1. As ruínas do Zimbabwe
As ruínas do
Zimbabwe situam-se perto da actual cidade de Fort Victoria, não longe de
Salisbury. O nome original africano de Zimbabwe é Dzimbabwe.
(Dzimba - casa, ibwe - pedra). Dzimbabwe, portanto, significa casa de pedra.
Havia mais que um Dzimbabwe. Madzimbabwe (plural de Dzimbabwe) eram lugares
onde os velhos discutiam os problemas sérios do estado com os espíritos dos
mortos. Cada clã tinha o seu Dzimbabwe. O
grande Dzimbabwe era a sede política e espiritual do Império de Mwanamutapa
entre os séculos XII e XVIII.
Nesta
cidade fortificada vivia o imperador do Mwanamutapa. Hoje em dia esta cidade
encontra-se em ruínas, mas durante os séculos XIV, XV, XVI, XVII foi centro da
vida política, militar, económica e administrativa do Império.
Nas ruínas
podemos ainda distinguir três grupos importantes de edifícios. Um templo oval
cercado por uma muralha de 2.500 m de comprimento, 9 metros de altura e 4.5
metros de largura. No interior desta muralha erguiam-se duas torres, a maior
das quais tinha 10 metros de altura; uma fortaleza a 500 metros do templo e
situada numa elevação, e as ruínas de casas de habitação entre a fortaleza e o
templo.
Todas estas
construções eram feitas de grandes blocos de pedra e não tinham a ligá-los
nenhuma espécie de cimento. Ajustavam-se perfeitamente uns aos outros.
Perto das ruínas
foram também encontrados objectos de uso corrente, tais como tijelas e panelas
de barro, missangas, colares e outros objectos de ornamento.
Encontraram-se também armas de fogo,
azagaias, objectos em ouro, ferro, cobre, bronze, etc. Os edifícios estavam
ornamentados com esculturas de pedra e com pinturas e desenhos nas muralhas.
Encontraram-se
também jóias feitas de ouro, marfim e algumas pedras preciosas. Mas o mais
importante foi ter-se encontrado porcelana e objectos de vidro originários da
China.
Esta
cidade, Grande Zimbabwe, não era a única. Os estudantes das civilizações
antigas conseguiram encontrar restos de 58 cidades de pedra, espalhadas por
todo o Império.
Estas ruínas e objectos que junto delas encontramos permitem-nos
fazer uma
ideia do nível da civilização.
As grandes casas de pedra
provam que os habitantes do Mwanamutapa (Monomotapa) -eram um povo sedentário,
quer dizer fixado, e que tinha atingido uma grande técnica na construção e na
escultura. Os objectos em metal mostram-nos que eles conheciam o uso dos metais
mais diversos. Os objectos de origem estrangeira provam-nos que eles tinham
contacto com os povos longínquos, tais como os chineses.
Portanto o
estudo da arqueologia (estudo das civilizações antigas) revela-se como sendo
uma das fontes principais para o estudo dos povos da antiguidade.
PERGUNTAS
1. Em que pais actual se encontram as
ruínas do Zimbabwe?
2. Quais são os grupos que constituem a
tribo Chona?
3. Que significa o nome Zimbabwe ou
Dzimbabwe?
4. Para que serviam Madzímbabwe?
5. Nas ruínas do Grande
Zimbabwe podem-se distinguir três grupos de edifícios. Quais são?
6. Que objectos de uso
corrente foram encontrados nas ruínas do Grande Zimbabwe?
7. O que nos prova que os nossos
antepassados tinham contacto com os Chineses?
2. Organização política e social do
Império
Um império
é o domínio de um país sobre outros países ou territórios. O Império Português
é o domínio de Portugal sobre Cabo Verde, Guiné-Bissau, Açores, S. Tomé e
Príncipe, Angola, Moçambique, Macau e Timor.
O Império do Monomotapa era,
como dissemos, uma aliança de tribos Chona que se agruparam sob a autoridade
dum chefe da tribo Rozwi. Este reinava como um grande senhor, tendo vários
outros reis ou chefes de tribos debaixo da sua autoridade. Estes reis eram
obrigados a pagar um imposto anual ao Monomotapa. Cada um deles vivia numa
cidade de pedra, Zimbabwe. Os reis vassalos (subordinados) tinham poder
administrativo sobre os seus reinos, mas eram obrigados a prestar contas ao
senhor máximo, ou seja o imperador Monomotapa. Os reis também tinham poderes de
ordem política, religiosa e judicial, isto é tinham poderes de cobrar impostos, julgar questões e manter
ordem e disciplina mas em nome do Monomotapa. Estas eram as relações entre os
reis tribais e o chefe máximo Monomotapa.
Vejamos
agora quais eram as relações que existiam entre os ricos e as massas. Sendo o
povo do Monomotapa um povo de mineiros e trabalhadores de metais dum lado e de
agricultores do outro, é natural que estas divisões de trabalho tenham criado
diferenças sociais. Enquanto que os artesãos (pessoas com arte) e mineiros
faziam parte da estrutura social na vida do Império, os agricultores mantinham
na sua vida social as tradições tribais. Quando se estudaram as ruínas do
Zimbabwe, viu-se a existência de templos, de fortalezas e várias casas de
habitação. Mas nos arredores da cidade encontravam-se palhotas tradicionais, o
que nos leva a crer que existiam diferenças sociais nítidas nas camadas da
população. Não havia igualdade.
Assim conseguiu
estabelecer-se que haveria uma vida citadina (da cidade) para os ricos e poderosos,
onde vemos a existência do senhor máximo, dos militares que eram ao mesmo tempo
funcionários do rei, dos artesãos que trabalhavam o ouro, o ferro e o cobre nas
forjas e nos fornos que pertenciam ao senhor máximo, dos comerciantes que
faziam a troca dos produtos locais com os mercadores árabes e portugueses ambos
vindos da costa, e finalmente uma camada da população que se dedicava à
agricultura e à pastoricia, mas vivendo para além dos limites da cidade.
3. A economia e o comércio
Os
historiadores árabes da antiquidade que visitaram a costa da África Oriental e
do Sul durante os primeiros mil anos da era cristã, falam-nos de um grande
entreposto comercial, Sofala, onde os mercadores árabes iam comerciar o ferro.
Esse mesmo porto do mar, Sofala, serviu mais tarde, a partir do século XIV, aos
reis do Monomotapa para exportar os seus produtos minerais, o ouro, o ferro e o
cobre e também o marfim. Na verdade o porto de Sofala era a porta do Monomotapa para o exterior. Esta cidade de Sofala
encontrava-se dentro do reino de Sofala, um dos vassalos de Monomotapa, embora
dominassem lá os mercadores árabes e tivessem um sultão que no entanto pagava
tributos de vassalagem ao Monomotapa.
A economia do
Monomotapa baseava-se no comércio com o exterior. As várias minas de ouro e
outros metais eram directamente controladas pelo Monomotapa ou pelos seus - funcionários que ele enviava para as diversas regiões do
Império. Todos os mercadores que vinham comerciar nas diversas feiras que se
realizavam no Império tinham que pedir guias de passagem pelo território do
Monomotapa. Todos os mercadores do Império que levavam ouro para comerciar na
costa tinham que pagar pesados impostos sobre as mercadorias que traziam, que
eram geralmente tecidos de algodão e outros produtos de luxo, tais como
missangas, colares e outros adornos.
Por volta dos
séculos XVII e XVIII houve um comércio de escravos. No entanto foi um comércio
que não atingiu as proporções da costa ocidental da África. Estes escravos
destinavam-se à índia, enquanto que os escravos da costa ocidental eram
enviados para o Brasil e o resto do continente americano.
A
civilização do Monomotapa durou a partir do ano 1000 até 1830, altura em que os
zulus nas suas migrações para o Norte destruíram os restos que ainda ficavam do
Império. A decadência deste império começou a manifestar-se depois da chegada
dos portugueses. Estes tinham a intenção de conquistar e dominar enquanto que
os árabes se limitavam a comerciar.
Antes de
entrarmos no estudo mais detalhado da história da civilização do Monomotapa, é
necessário retermos o facto de que era uma civilização da era dos metais com
uma organização feudal. Feudalismo era um sistema político, económico, social e
militar que existiu não só no Império do Monomotapa mas também em muitas partes
da Europa. O rei era o chefe supremo de tudo que havia no reino: a terra, as plantas, os rios e lagos, as árvores e o próprio povo.
Os agricultores, os mineiros e os trabalhadores de ferro todos trabalhavam para
o rei. Ele era proprietário de tudo. Então chama-se feudalismo a um sistema em
que todos trabalham para servir um único chefe e proprietário de tudo. O
Império de Monomotapa era um estado feudal.
Monomotapa quer
dizer o Senhor das Minas e este nome ficou como título do próprio rei. Monomotapa
não era o nome de um certo rei mas sim um título de todos os reis que ocuparam
o trono.
PERGUNTAS
1. Que poderes tinham os reis vassalos do
império do Monomotapa?
2. No império do Monomotapa o
povo estava dividido em: mineiros, artesãos, militares, comerciantes e
agricultores. De que se ocupavam os agricultores?
3. Diga o nome de um
entreposto comercial em Moçambique de que nos falam os árabes da antiguidade e
que servia de porto de exportação para o Monomotapa.
4. Que produtos exportava o Monomotapa deste porto do mar?
5. Nos séculos XVII e XVIII
houve o comércio de escravos no império do Monomotapa.
Qual era o destino principal dos escravos levados da costa oriental?
6. Que nome se dá a um sistema
político, económico, social e militar em que o rei é proprietário de tudo? .