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Encontrará aqui biografias, não só de artistas, como dos principais grupos musicais portugueses, ordenados
pela primeira letra porque são conhecidos.
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Para aqueles que têm páginas próprias, ficará também o link para elas.
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Ao longo de 24 anos da sua carreira artística, Fernando Alvim acompanhou à viola o guitarrista Carlos
Paredes. Tratou-se da união de dois homens que ultrapassaram as fronteiras da música e desenvolveram
entre eles uma sólida amizade pessoal. Em que circunstâncias conheceu Carlos Paredes e como começou
a trabalhar com ele? O Carlos Paredes ligou-me um dia, por volta de 1959, para me convidar a fazer
com ele umas músicas que iriam acompanhar um documentário sobre filigranas. Lembrou-se de mim porque
me tinha ouvido tocar na Emissora Nacional. Eu aceitei e entendemo-nos bem logo desde o início. A
partir de então começámos a ensaiar o repertório. Criámos a melhor relação de trabalho possível. Gravaram,
em conjunto, diversos discos, onde o entendimento soa perfeito. Como era o desenvolvimento desse trabalho?
Trabalhámos juntos durante 24 anos e isso quer dizer muita coisa. Além disso, viajámos por todo o Mundo.
Éramos uma dupla muito bem ajustada: o Carlos tinha as suas melodias e eu criava a parte harmónica. Nessas
viagens pelo mundo inteiro devem ter ocorrido inúmeras peripécias... Aconteceram, sim. Nós viajámos
por toda a Europa, pelos Estados Unidos, a Austrália, Cuba, Macau e tantos outros países. Uma vez, na
Grécia, perdemos o avião de volta para Portugal porque o despertador do Carlos, que era muito certinho,
daquela vez não tocou. Era um grande problema porque tínhamos compromissos cá em Portugal e só conseguiríamos
arranjar avião daí a uns quatro ou cinco dias. Então lá fomos à embaixada e, depois de muitas voltas,
fomos embarcados num avião de outra companhia. Conseguimos, assim, voltar a casa a tempo e horas de cumprir
com os nossos compromissos. De outra vez fomos dar um concerto a Sydney, na Austrália. O Carlos estava
a sentir-se bastante nervoso. Por isso, antes do espectáculo, resolveu ir tomar um duche. Ora acontece
que faltava apenas um quarto de hora, ou nem isso, para o início, mas isso não o impediu de ir para o
banho. Para complicar ainda mais, a organizadora do espectáculo resolveu ir ao camarim, para ver se estava
tudo bem, e deu com a porta do duche fechada e o Carlos lá dentro. De nada serviu eu dizer à senhora
que o Carlos estaria prontoa tempo. Ela começou a bater à porta e a chamá-lo, muito aflita, sem se aperceber
que assim era pior. Lá de dentro, o Carlos só dizia "Já vou, já vou", mas nada de aparecer. Ele precisava
de estar aquele bocado sozinho para se descontrair. Mas, afinal, cinco minutos antes da hora lá estava
ele, bem disposto e descontraído, pronto para começar a tocar. E o espectáculo não se atrasou por causa
da história do duche. O que acaba de dizer revela um Carlos Paredes de temperamento muito particular...
O Carlos era bastante nervoso, especialmente quando estava em palco. Eu era mais calmo, procurava enquadrar-me
nas suas nuances. Ele improvisava, eu fazia a harmonização e o acompanhamento rítmico. Mas costumava
relaxar a partir da segunda ou terceira música. Depois ficava bem. Nessa altura eu é que ficava com imensas
dificuldades para conseguir acompanhá-lo. Era um intérprete muito temperamental, que se entregava
completamente à música. Tinha uma notável capacidade de improviso. As suas interpretações eram sempre
novas, sempre diferentes, nunca eram iguais. Por isso, era difícil acompanhá-lo. Tinha de estar sempre
muito atento. Ao longo da vossa carreira em conjunto houve várias fases, ou mantiveram sempre a mesma
forma de actuar? Bem, nos primeiros 15 anos da nossa carreira conjunta tocámos as peças mais difíceis.
Chegávamos a fazer recitais de hora e meia o que, como deve calcular, é uma situação de grande exigência.
Depois foi diferente, as actuações eram mais curtas e mais espaçadas, o Carlos era solicitado para muitas
iniciativas nas quais eu não participei. Mas o Fernando Alvim tem também a sua carreira sem ser o
acompanhante à viola do Carlos Paredes... Em 1957 fiz parte do conjunto Nova Onda, que durou até 1961
e tinha o mesmo nome que um programa de rádio. Do Nova Onda faziam parte o Gonçalo Lucena, na voz, o
António Roquette, que era segunda voz, e o Bernardo d'0rey. Era um conjunto com piano, guitarra e bateria.
Tocávamos músicas da época na Emissora Nacional. Aliás, foi por essa época que apareceu o tema Rockground
the Clock, que fez imenso furor. Também animávamos bailes e festas de aniversário. Naquela altura havia
esse costume de fazer festas com conjuntos a tocar ao vivo. Tocávamos nos salões, ou nos jardins... eram
outros tempos, outros hábitos. Fazíamos concorrência ao Shegundo Gallarza! Hoje em dia vai-se à discoteca,
já não há condições para fazer festas assim. O Nova Onda também acompanhava intérpretes portugueses,
cantando em "brasileiro". Mas, interessava-se pela música brasileira? Sempre me interessei muito
pela bossa nova. Isto na época em que apareceram músicos como o João Gilberto, o Tom Jobim, entre outros.
Um dos meus discos inclui um tema original de bossa nova, que foi criado em conjunto com o Pedro Caldeira
Cabral e se chama Simplicidade. Eu comecei a trabalhar com o Pedro Caldeira Cabral em 1966. Formávamos
um duo de acompanhamento e gravámos um disco com peças originais para duas violas, com temas meus e do
Pedro. Além dos já referidos, com que outros músicos tocou? Toquei com gente do Hot Club, como
o Ivo Marques, o Justiniano Canelhas, o ba-teràíra ??fc/íü ftVi, t> IteíTíèiTiti ViwefiTa % t" Ireè Luís
Tinoco, entre outros. E em 1969 formei o Conjunto de Guitarras de Fernando Alvim, com quem gravei um
álbum onde participaram Pedro Caldeira Cabral, António Luiz Gomes e Edmundo Silva. Acompanhei, também,
a gravação do original da Pedra Filosofal do Manuel Freire, para o Zip-Zip. Aliás, colaborei em quase
todos os programas do Zip-Zip. Fale-nos um pouco da música de que mais gosta... Identifico-me com
o jazz, mas gosto igualmente da música clássica erudita: Mo-zart e Bach, especialmente. A minha discoteca,
apesar de muito diversificada, dá especial destaque à música clássica, à música brasileira e ao jazz.
Tenho discos de guitarras com os mais diversos estilos. Aliás, é interessante verificar que cada guitarrista
de jazz tem o seu som e o seu estilo únicos. Os improvisos são diferentes, personalizados. Podemos identificar
cada um deles. O mesmo acontece com a guitarra portuguesa. Por exemplo: sei logo reconhecer o Carlos
Paredes, porque o som dele é único. O mesmo acontece com o Raul Nery e o José Nunes, por exemplo. São
estilos pessoais, formas de tocar muito próprias. Outras pessoas dizem-me que o meu estilo também é reconhecível.
Consta que a sua guitarra o acompanha há muitos anos... A minha guitarra tem 42 anos, mas continua
a acompanhar-me por toda a parte, foi com ela que fiz todas as gravações. A única inovação foi ter-lhe
arrajado um estojo novo, mais leve, para a transportar com facilidade por toda a parte. A história da
sua compra é engraçada, ía a passar frente à loja do guitarreiro Quim Grácio, perto do Alto de S. João,
quando a vi lá pendurada, para venda. Achei-a bonita, pedi para experimentar, gostei do som e resolvi
comprá-la. Custou-me 1.500 escudos. Em 1957 era uma fortuna! Mas valeu bem o preço: tem-me acompanhado
sempre e nunca perdeu aquela sonoridade especial que me levou a comprá-la. Hoje, se quisesse uma guitarra
da mesma qualidade, teria de pagar pelo menos 400 contos. Nunca menos do que isso... É um instrumento
muito especial... A guitarra portuguesa tem uma grande amplitude de sonoridade, com particular incidência
na escala dos agudos. Pode ser tocada a solo, mas se a acompanharmos com uma viola, que lhe dá os graves,
ficamos com um conjunto mais completo, do qual se podem tirar todos os sons. Como está, hoje, a sua
carreira? É muito gratificante para mim verificar que a minha carreira não tem parado. Tenho tido
muito trabalho. Ainda em 1998 participei no disco A Guitarra e Outras Mulheres, do António Chainho.
FERNANDO ALVIM
Fernando Alvim, por muitos visto como o acompanhante de Carlos Paredes à viola,
é o protagonista de uma carreira recheada de muitos outros trabalhos, em diversos estilos musicais. Nasceu
em Cascais, a 6 de Novembro de 1934, mas morou sempre em Lisboa. A sua mãe tocava piano e habituou-o,
desde pequeno, a assistir a concertos. O pai, pelo contrário, era menos entusiasta e queria que Alvim
seguisse um curso superior. Fernando Alvim tem as primeiras aulas de viola com o professor Duarte
Costa. Tinha, então, 18 anos. Mais tarde, já com 24 anos, frequenta um curso com o guitarrista Emílio
Pujol. Entretanto, iniciara a sua carreira aos 21 anos, tocando como acompanhante em casas de fado amador
para, dois anos depois, começar a dedicar-se a bossa nova e ao Jazz. Já na Emissora Nacional, Fernando
Alvim tem um programa de music-hall chamado Nova Onda, que dará o nome ao conjunto que posteriormente
formou com outros músicos e que estará na origem do Conjunto Mistério. Alvim acompanhava fados, nas vozes
de Vicente da Câmara, Frei Hermano da Câmara e Teresa Tarouca, entre outros. Conhece então Carlos
Paredes com quem inicia, em 1959, uma parceria de trabalho que durou 24 anos e pela qual, como acompanhante
do genial guitarrista, correu mais de meio mundo. Ao longo desses anos, Fernando Alvim desenvolve
outras actividades. Tocou com vários músicos do Hot Club, fez parte integrante do conjunto de músicos
do popular programa televisivo Zip-Zip, fundou o Conjunto de Guitarras de Fernando Alvim (1969) e gravou
um disco com João Maria Tudela. Hoje em dia, Fernando Alvim acompanha os guitarristas João Torre do
Vale, António Chainho e Pedro Caldeira Cabral, no apoio a diversos fadistas. Participou em 1998, no disco
de Chainho, A Guitarra e Outras Mulheres. As "outras mulheres" são as cantoras Teresa Salgueiro, Elba
Ramalho, Nina Miranda, Filipa Pais, Marta Dias e Sofia Varela. Longe de ser um simples acompanhante,
Fernando Alvim é dos principais protagonistas da viola, que o próprio enquadra da seguinte forma: "A
viola é também chamada guitarra espanhola, guitarra clássica ou guitarra de jazz. Em Portugal chamam-lhe
viola e no Brasil violão. Tem um som que se estende dos graves aos agudos, e é geralmente usada para
a parte rítmica, a harmonia e os baixos".
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