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Encontrará aqui biografias, não só de artistas, como dos principais grupos musicais portugueses, ordenados
pela primeira letra porque são conhecidos.
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Para aqueles que têm páginas próprias, ficará também o link para elas.
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Com o tradicional exagero dos cognomes que o público arranjava para as vedetas de quem muito gostava,
Ercília Costa ficou conhecida como "a Santa do Fado" ou "a Toutinegra do Fado". Mas aqueles que tiveram
o privilégio de a ouvir sabem que Ercília Costa era uma das grandes cantadeiras de fado da primeira metade
do século XX. O seu nome é hoje pouco recordado, pois as gravações que realizou são anteriores aos anos
cinquenta, altura em que se começou a popularizar o disco gravado, mas no seu tempo foi uma vedeta acarinhada
pelo público. Nascida em 1902, na Costa da Caparica, filha de pescadores, Ercília Costa iniciou-se
na música quase por acaso. Sem ter prévia experiência musical ou artística, apenas motivada pelo gosto
de cantar, a então adolescente apresentou-se no Conservatório de Lisboa em resposta a um anúncio procurando
cantores para uma récita a realizar no Teatro de São Carlos. Ercília foi escolhida para o elenco, mas
a representação acabou por não se fazer e, apesar de ter sido sondada para seguir o curso daquela instituição,
régressou à sua vida. Pouco depois, o actor Eugênio Salvador, que se cruzara com ela no Conservatório,
recordado da voz que chamara a atenção, convida-a para o teatro. E foi assim, em resposta a um convite
casual, que Ercília entrou para a companhia do Teatro Maria Vitória. Embora tenha sido pela revista
que começou - actuando ao lado das maiores vedetas do palco da altura, como Luísa Satanella ou Beatriz
Costa - Ercília Costa tornar-se-ia verdadeiramente popular como fadista, actuando em muitos retiros e
nas mais importantes casas típicas da altura, e chegando inclusive a realizar espectáculos no estrangeiro,
casos de uma digressão por França em 1937 e de actuações nos EUA em 1939 e 1947. Participou igualmente
em alguns filmes, e, caso raro, chegou a compor algumas das suas criações mais célebres, como o Fado
da Mocidade ou O Filho Ceguinho (conhecido como o Menor da Ercília). No início da década de cinquenta,
Ercília Costa retirar-se-ia da actividade artística. Depois de participar em 1951 no filme Madragoa e
de algumas actuações pontuais em espectáculos de beneficência, abandonou a carreira para se dedicar ao
seu casamento, sem nunca ter cedido à tentação de regressar ao palco. Como declarou em 1967 à revista
Flama, "não quis fazer festa de despedida, porque pensei sempre que algum dia podia precisar de voltar...".
Mas não voltará a actuar em público até ao seu falecimento em 1985.
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